Bolsa experimenta primeira queda após oito sessões em alta; baixa foi de 0,76%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores recuou nesta terça-feira (8) e isso só já é a notícia em si, depois de oito sessões seguidas de alta, sendo as seis últimas com quebras consecutivas de recordes de fechamento. Em algum momento, os investidores iriam realizar seus ganhos. Assim, com queda de 0,76%, o índice nacional acabou o dia com 129.787,11 pontos.

No Brasil, a oitiva do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a atuação do governo federal diante da pandemia, ficou no zero a zero, sem grandes revelações, e nem fez cócegas nas orientações de negócios. O ministro disse que ainda não tem uma “estratégia tão clara” de vacinação para 2022, explicitando uma temente falta de planejamento.

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O que mexeu mesmo com o mercado foi a boa notícia vinda do varejo, com alta de 1,8% em abril. É um alívio, especialmente olhando em perspectiva: abril foi o pior mês da pandemia no Brasil, com 82.266 mortes, o que fez muitas grandes cidades optarem por restringir de uma forma ou de outra o comércio local.

Mas há ainda pontos de atenção, especialmente na área fiscal, como a cada vez mais possível prorrogação do auxílio emergencial, por até mais três meses; e a a “inflação da euforia”, lembrada pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 129.230,31 pontos (-1,18%); e na máxima, 130.776,32 pontos (0,00%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 35,977 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (7): +0,50% (130.776,27 pontos)
  • terça-feira (8): -0,76% (129.787,11 pontos)
  • semana: -0,26%
  • junho: +2,83%
  • 2021: +9,05%

Dólar

O dólar continua no patamar de março de 2020. A moeda norte-americana mais uma vez ficou perto da estabilidade nesta terça, caindo 0,05%, e passou a valer R$ 5,0345.

  • segunda-feira (7): +0,03% a R$ 5,0369
  • terça-feira (8): -0,05% a R$ 5,0345
  • semana : -0,02% a R$ 5,0345

Euro

  • segunda-feira (7): +0,11% a R$ 6,1495
  • terça-feira (8): -0,17% a R$ 6,1391
  • semana: -0,06% a R$ 6,1391

Criptomoedas*

  • Bitcoin: -6,25% a R$ 165.206,88
  • Ethereum: -6,26% a R$ 12.619,78
  • Tether: +1,96% a R$ 5,05
  • Cardano: -5,66% a R$ 7,81
  • Binance: -8,47% a R$ 1.752,93

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Os principais índices em Wall Street fecharam de forma mista hoje (8), embora de forma bem estreita, com os investidores ainda aguardando a divulgação nesta semana do índice de inflação.

Os economistas esperam que suba 4,7% em relação ao ano anterior, de acordo com a Dow Jones. Em abril, o IPC (o índice de preços ao consumidor) aumentou 4,2% em uma base anual, o maior aumento desde 2008.

A geração de emprego em abril atingiu um novo recorde, com 9,3 milhões de vagas surgindo em meio à grande recuperação econômica. É bem acima dos 8,3 milhões em março, que em si era um recorde da série desde 2000.

“Este aumento recente nas vagas sugere que as empresas estão tendo dificuldade em preencher cargos, e o número de demissões relatado nos dados também aumentou muito, sugerindo que os trabalhadores são capazes de encontrar – ou confiantes em suas habilidades para encontrar – novos cargos”, Disse o estrategista Daniel Silver do JPMorgan em uma nota reproduzida pela CNBC. “Ambos os fatores indicam a necessidade de as empresas aumentarem os salários”.

Em outros lugares, vários sites globais estavam passando por uma paralisação na terça-feira, mas o tamanho do problema e sua disseminação não eram claros. Os futuros, especialmente os da Nasdaq com alta tecnologia, pareceram desanimar quando a notícia da paralisação se espalhou, mas logo recuperaram a maior parte dessas perdas. Não estava claro neste momento se o movimento estava relacionado.

Na Europa, os mercados fecharam em sua maioria no vermelho, bem como os da Ásia-Pacífico.

O Velho Continente viu dados revisados ​​de crescimento da zona do euro e se depararam com uma boa nova: a economia da região se contraiu muito menos do que o esperado no primeiro trimestre do ano.

Dados revisados ​​do escritório de estatísticas da UE, Eurostat, mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) nos 19 membros da zona do euro contraiu 0,3% no trimestre, em comparação com a última estimativa prevendo uma contração de 0,6%.

No entanto, os dados mostrando uma queda inesperada na produção industrial da Alemanha em abril pesaram.

Nova York

  • S&P: +0,02%
  • Nasdaq: +0,31%
  • Dow Jones: -0,09%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -0,04%
  • DAX (Alemanha): -0,23%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,25%
  • CAC (França): +0,11%
  • IBEX 35 (Espanha): -0,11%
  • FTSE MIB (Itália): -0,06%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,54%
  • SZSE Component (China): -0,98%
  • China A50 (China): -1,02%
  • DJ Shanghai (China): -0,59%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,14%
  • SET (Tailândia): +0,02%
  • Nikkei (Japão): -0,19%
  • ASX 200 (Austrália): +0,15%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,13%

Brasil: ambiente político e econômico

As vendas no varejo do país subiram 1,8% em abril, aponta a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, divulgada hoje (8).

A projeção do mercado era por avanço bem inferior, de 0,1%. Esta é a maior alta para o mês de abril desde 2000. Em março, a queda foi de 1,1%.

Na comparação com abril de 2020, as vendas cresceram 23,8%.

O gerente da pesquisa, Cristiano Santos, explica que o resultado, apesar de bastante positivo, ainda está muito abaixo do patamar de antes da pandemia. “Abril de 2020 foi o maior tombo do índice na série histórica. Então, quando olhamos para essas grandes variações, precisamos lembrar que muitas dessas lojas declararam uma perda muito grande de receita. Por exemplo, se uma loja tinha um faturamento de R$ 100 mil e em abril ela só vendeu 10%, depois, se ela crescer 100%, ela passa de R$ 10 mil para R$ 20 mil. Ou seja, o patamar ainda está muito baixo”, exemplifica.

O Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais caiu 5,4% em abril, se comparado a março. No entanto, em relação a abril de 2020, o indicador, que mede a demanda interna por bens industriais por meio da produção industrial interna não exportada, somada às importações, cresceu 28,9%.

O trimestre móvel registrou elevação de 15,6% em relação ao mesmo período de 2020. Em 12 meses, a variação acumulada ficou nula, mas a produção industrial – medida pela Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – acumulou crescimento de 1,1%.

A produção interna destinada ao mercado nacional apresentou queda de 2% em abril. Após uma alta de 10% em março, a importação de bens industriais recuou 10,6% em abril.

Já a caderneta de poupança registrou entrada líquida de R$ 72,636 milhões em maio, informou o Banco Central (BC). Nesta segunda-feira (7) foi divulgado o que representa o segundo saldo mensal positivo em 2021, dando sequência à captação líquida registrada no mês de abril, segundo informou a agência Reuters.

No entanto, no ano, a poupança acumula retirada líquida de R$ 23,628 bilhões. O montante foi fortemente impactado pelos saldos negativos registrados nos três primeiros meses de 2021.

Em maio, os saques superaram os depósitos em R$ 1,183 bilhão no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Entretanto, na poupança rural houve ingresso líquido de R$ 1,256 bilhão.

E tem a inflação. A primeira leitura de junho do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da FGV, apontou alta e 0,81%, a mesma da última divulgação. Nos últimos 12 meses, a alta é de 8,47%.

Segundo o presidente do BC, Roberto Campos Neto, o Brasil deve enfrentar no segundo semestre a chamada “inflação de euforia”, estimulada pela volta ao consumo de serviços, com a reabertura mais ampla da economia (vale lembrar que a economia nunca, em momento algum da pandemia, de fato fechou, como nos lockdowns da Europa). Semelhante preocupação tem sido sublinhada em países como os Estados Unidos.

Campos Neto disse que essa será uma das principais questões a ser enfrentada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima reunião, nos dias 15 e 16 deste mês.

No âmbito político, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou na CPI da Pandemia que a Copa América não representa riscos adicionais à população e que, do ponto de vista epidemiológico, não há justificativa para o torneio não se realizado no Brasil, posicionamento que recebeu críticas de senadores. A competição começa neste domingo (13).

“Eu não vejo do ponto de vista epidemiológico uma justificativa que fundamente a não ocorrência do evento”, afirmou o ministro.

Queiroga reforçou que não cabe ao ministério decidir sobre a realização do evento, que é privado, e afirmou que os protocolos apresentados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) são seguros.

“Dar ou não aval à Copa América no Brasil não é função do Ministério da Saúde. Presidente me pediu que avaliasse os protocolos. Avaliamos os protocolos da CBF e da Conmebol. Eles estão de acordo. Autoridades dos estados aceitaram”, disse em resposta ao relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 21 subiram, 3 ficaram estáveis (HAPV3, QUAL3 e YDUQ3) e as outras 60 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 109,92 (-1,68%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 28,66 (+1,31%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 32,81 (-0,70%)
  • Petrobras (PETR3): R$ 29,41 (+2,40%)
  • B3 (B3SA3): R$ 16,33 (-5,55%)

Maiores altas

  • Via (VVAR3): R$ 15,29 (+4,37%)
  • Azul (AZUL4): R$ 48,55 (+2,86%)
  • Petrobras (PETR3): R$ 29,41 (+2,40%)
  • CVC (CVCB3): R$ 27,98 (+1,89%)
  • Hering (HGTX3): R$ 32,71 (+1,74%)

Maiores baixas

  • Braskem (BRKM5): R$ 56,37 (-6,36%)
  • B3 (B3SA3): R$ 16,33 (-5,55%)
  • IRB Brasil (IRBR3): R$ 6,09 (-3,33%)
  • Iguatemi (IGTA3): R$ 44,92 (-3,19%)
  • Hypera (HYPE3): R$ 35,81 (-3,16%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,83% (55.543,80 pontos)
  • IBrX 50: -0,80% (21.644,18 pontos)
  • IBrA: -0,76% (5.226,20 pontos)
  • SMLL: -0,26% (3.174,54 pontos)
  • IFIX: +0,08% (2.829,65 pontos)
  • BDRX: -0,20% (12.295,21 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (agosto)/barril

  • segunda-feira (7): -0,55% (US$ 71,49)
  • terça-feira (8): +1,02% (US$ 72,22)
  • semana: +0,47% (US$ 72,22)

Petróleo WTI (julho)/barril

  • segunda-feira (7): -0,56% (US$ 69,23)
  • terça-feira (8): +1,18% (US$ 70,05)
  • semana: +0,62% (US$ 70,05)

Ouro (agosto)/onça-troy

  • segunda-feira (7): +0,55% (US$ 1.902,20)
  • terça-feira (8): -0,15% (US$ 1.895,50)
  • semana: +0,40% (US$ 1.895,50)

Prata (julho)/onça-troy

  • segunda-feira (7): +0,59% (US$ 28,06)
  • terça-feira (8): -1,07% (US$ 27,72)
  • semana: -0,48% (US$ 27,72)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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