Bolsa dispara e dólar cai com a chance de Bolsonaro ser eleito presidente

Com a expectativa de que Jair Bolsonaro (PSL) possa ser eleito o novo presidente do Brasil, na última terça-feira (2) e quarta-feira (3) o mercado voltou a se empolgar, após semanas de muita volatilidade.

Késia Rodrigues
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por tecnologia, investimentos e viagens.

É fato que o candidato do PSL nunca foi considerado o “preferido” do mercado, porém, do jeito que as coisas têm se encaminhado, os investidores estão esperando cada vez mais animados com uma possível derrota do Partido dos Trabalhadores (PT), e não necessariamente com uma vitória de Bolsonaro.

No pregão de terça-feira (3), o índice do Ibovespa chegou a bater os 4% de alta, mesmo que tenha perdido um pouco de força ao longo do dia. Essa é a maior alta diária do indicador em quase dois anos, fechando em 3,78% e 81.593 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar fechou em queda de 2,08% e passou a ser cotado em R$ 3,9349.

Na quarta-feira a pontuação chegou a 85.442 na máxima do dia, porém esse resultado não conseguiu se manter e o pregão foi encerrado em alta de 2,04% (83.273 pontos), ou seja, maior patamar desde maio desse ano. Na quarta o dólar comercial sofreu uma nova queda de 1,09%.

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Todo esse movimento ocorreu após a divulgação das últimas pesquisas Datafolha e Ibope, que mostram uma alta nas intenções de voto de Bolsonaro e uma estagnação em relação à Fernando Haddad (PT). Em um possível segundo turno entre os dois candidatos, as mesmas pesquisas mostram um empate técnico, porém o cenário também demonstra uma alta na rejeição do candidato Haddad.

Um dos motivos pelo qual Bolsonaro é visto de uma forma positiva pelo mercado é o fato de ter Paulo Guedes como o seu futuro Ministro da Fazenda, caso vença. Contudo, o “preferido” dos investidores ainda é Geraldo Alckmin (PDSB), que não conseguiu crescer nas últimas pesquisas de intenção de voto.

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]Segundo analistas e economistas das principais organizações do mercado Brasileiro, há um otimismo em relação ao fato de Paulo Guedes se tornar Ministro no governo de Bolsonaro, mesmo que ele não permaneça no cargo durante os quatro anos de mandato do Presidente da República.[/box]

Além disso, mesmo que haja uma grande preocupação com o que posas ser um governo de Bolsonaro, como Alckmin pode não figurar entre os que disputarão um possível segundo turno, a ideia é, pelo menos, não permitir que o Partido dos Trabalhadores tome novamente o poder.

Isso porque as propostas dos partidos de esquerda nunca foram muito apreciadas pelo mercado, mesmo que o primeiro governo de Lula tenha se mostrado como uma surpresa positiva. O recente fracasso do governo de Dilma Rousseff gerou um grande trauma para a economia brasileira e isso contribui para o aumento da repugnância a um novo governo de esquerda.

Vitória em primeiro turno

Depois que o Ibope divulgou a sua pesquisa na última segunda-feira (1), houve grande empolgação por parte dos investidores. Isso fez com que aumentassem os rumores de que Bolsonaro possa vencer as eleições ainda no primeiro turno. Contudo, segundo especialistas, isso é muito difícil, pois, para isso, o candidato do PSL precisaria conseguir pelo menos 70% dos votos que atualmente estão concentrados nos outros candidatos de direita.

Na última pesquisa Ibope, Jair Bolsonaro subiu quatro pontos percentuais em relação ao resultado da pesquisa realizada em 26 de setembro e alcançou a marca de 31% das intenções de voto. Já Haddad segue estagnado em 21%.

Em um cenário de segundo turno, Bolsonaro e Haddad aparecem tecnicamente empatados, ambos com 42% das intenções de voto. Esse cenário de empate técnico se mantém quando Bolsonaro é comparado com outros candidatos como Geraldo Alckmin, Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede).

Assim, apesar dessa animação do mercado nos últimos dias, é preciso ter cautela, pois, um segundo turno é considerado por muitos como uma “nova eleição” e isso pode fazer com que o clima de tensão volte a pairar em caso de uma disputa entre Haddad e Bolsonaro.

Comentário do Assessor de Investimentos (por Matheus Rosler)

[box type=”shadow” align=”aligncenter” class=”” width=””]O principal motivo de a bolsa ter feito, digamos, esse rali de euforia foi devido a divulgação das pesquisas eleitorais do Ibope e Datafolha. Diante dos números apresentados, para o investidor de fora, que é quem tem o maior volume na bolsa brasileira e para os investidores brasileiros também, isso é bom. Na visão deles, deixa o mercado otimista porque o mercado quer um candidato reformista. O mercado financeiro acredita que o Jair Bolsonaro é uma opção melhor para colocar as reformas em prática. Um outro ponto é que, o Ibovespa é puxado pelas empresas mais relevantes na bolsa e essas empresas, na maioria delas são estatais. Então, são empresas, digamos assim, que não querem mais o PT, porque o mercado liga o PT na administração das estatais com todos os escândalos que a gente já viu. Isso puxou bastante as ações que dependem, ou da administração do governo, ou tem certas relevâncias políticas que o governo adota, e o PT está longe disso. Então, por isso, essa pesquisa colocando o Bolsonaro na frente causou certa euforia e nada mais foi do que o mercado precificando uma vitória de Jair Bolsonaro. Quanto mais intenção de voto ele (Bolsonaro) tiver, mais rápido acabaria a eleição no primeiro turno e o Brasil conseguiria respirar e seguir em frente para tentar votar a reforma da previdência, que é o que o o investidor quer e o mercado externo também quer. Isso vai trazer muita oportunidade tanto na parte de fundo multimercado, que vai disparar bastante em virtude da queda do dólar e da alta da bolsa em geral, e também vai ter muita oportunidade principalmente para quem está posicionado hoje em título público, porque as expectativas de juros vão cair bastante, então vai ter muito espaço para fazer relocação e aproveitar novas oportunidades.[/box]