Bolsa despenca 2,65%, com inflação nos EUA, e corrói ganhos do mês e do ano

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores despencou nesta quarta-feira (12), perdendo 2,65% e fechando em 119.710,03 pontos, após dados da inflação nos Estados Unidos virem à tona. O dia corroeu os ganhos de maio e do ano. Os principais índices em Nova York também caíram acentuadamente.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC ou CPI na sigla em inglês) dos EUA subiu 0,8% em abril, bem acima da projeção de 0,3%. Comparativamente, em março, o avanço foi de 0,6%. Há agora um temor sobre alta de juros antes do previsto pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), mas o banco segue tentando passar tranquilidade.

No Brasil, a CPI (Comissão Parlamentar da Inquérito) da Pandemia, o ex-secretário de Comunicação (SeCom) do governo Jair Bolsonaro (sem partido), acabou sendo acusado de mentir sob juramento e foi ameaçado de ser preso, ao tentar livrar a cara do presidente. O clima esquentou, mostrando o nível de tensão político em Brasília.

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Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 119.510,75 pontos (-2,81%); e na máxima, 122.963,96 pontos (-0,001%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 36,100 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (10): -0,11% (121.909,03 pontos)
  • terça-feira (11): +0,87% (122.964,01 pontos)
  • quarta-feira (12): -2,65% (119.710,03 pontos)
  • semana: -1,91%
  • maio: +0,69%
  • 2021: +0,58%

Dólar

O dólar disparou nesta quarta. A moeda norte-americana subiu 1,59%, valendo R$ 5,3055.

  • segunda-feira (10): +0,07% a R$ 5,2320
  • terça-feira (11): -0,18% a R$ 5,2227
  • quarta-feira (12): +1,59% a R$ 5,3055
  • semana : +1,48% a R$ 5,3055

Euro

  • segunda-feira (10): -0,46% a R$ 6,3401
  • terça-feira (11): -0,01% a R$ 6,3391
  • quarta-feira (12): +1,12% a R$ 6,4111
  • semana: +0,65% a R$ 6,4111

Criptomoedas*

  • Bitcoin: -4,45% a R$ 288.090,60
  • Ethereum: -0,70% a R$ 21.569,22
  • Binance: -3,02% a R$ 3.406,75

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações dos EUA caíram acentuadamente, com os dados de inflação mostraram pressões de preços acima do esperado.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC ou CPI na sigla em inglês) dos EUA subiu 0,8% em abril, ante projeção de 0,3%. Comparativamente, em março, o avanço foi de 0,6%.

A variação anual é de 4,2%, quando o mercado aguardava 3,6%. O núcleo do IPC, que exclui alimentos e energia, subiu 0,9%, quando a projeção era de 0,3%.

A inflação acima da expectativa do mercado deve aumentar o temor de alta dos juros antes do previsto pelo Federal Reserve (Fed). O banco central americano defende que a alta já era aguardada em um cenário de recuperação econômica e é temporária.

A aceleração da inflação em abril foi a mais alta já registrada em 12 meses. E é também a mais alta para um mês de abril em 12 anos.

“Os investidores que podem estar procurando um motivo para se iluminar em um mercado de ações que subiu mais de 10% no ano até o momento encontraram um bom: o aumento da inflação”, disse Chris Hussey, diretor-gerente da Goldman Sachs, em nota publicada pela CNBC.

Os investidores temem uma aceleração da inflação, pois isso pode comprimir as margens e corroer os lucros das empresas. Se as pressões sobre os preços forem muito altas por um período prolongado de tempo, o Federal Reserve seria forçado a apertar a política monetária. O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que qualquer aumento na inflação deve ser transitório, no entanto.

O Índice de Volatilidade Cboe, também conhecido como “medidor de medo” de Wall Street, estourou acima de 27 durante a queda das ações de hoje. O VIX é uma medida de volatilidade esperada nos mercados, calculada a partir dos preços das opções no S&P 500.

Na Europa, ainda se foca na questão do fraco andamento da vacinação, com a AstraZeneca à beira de um processo da União Europeia, por vacinas entregues em menor quantidade.

Os índices europeus ficaram azuis mais por conta dos bons balanços apresentados por empresas no continente e impactado pelos mercados asiáticos, também positivos.

Nova York

  • S&P: -2,14%
  • Nasdaq: -2,67%
  • Dow Jones: -1,99%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,03%
  • DAX (Alemanha): +0,20%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,82%
  • CAC (França): +0,19%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,23%
  • FTSE MIB (Itália): +0,23%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,61%
  • SZSE Component (China): +0,70%
  • China A50 (China): +0,45%
  • DJ Shanghai (China): +0,53%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,81%
  • SET (Tailândia): -0,45%
  • Nikkei (Japão): -1,61%
  • ASX 200 (Austrália): -0,73%
  • Kospi (Coreia do Sul): -1,49%

Brasil: ambiente político e econômico

Ontem, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontou uma desaceleração da inflação em abril. O IPCA marca a inflação oficial do país.

O índice foi de 0,93% de março para 0,31% agora em abril, bem próximo da projeção do mercado, que era de alta de 0,30%.

Com isso, o índice acumula alta de 2,37% no ano e de 6,76% nos últimos 12 meses. Em abril de 2020, houve queda de 0,31% no indicador.

Tal como no Brasil, as inflação dos Estados Unidos também assusta.

Mas outros dados também preocupam. O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) registrou taxa de inflação de 1,87% em abril. A taxa é superior a de 1,45% de março e a de 0,25% de abril de 2020, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O indicador acumula taxa de 6,81% no ano e de 16,31% em 12 meses. Com a inflação de abril, o custo por metro quadrado da construção passou a ser de R$ 1.363,41.

Além disso, o setor de serviços apresentou queda de 4% de fevereiro para março, depois de avançar 4,6% em fevereiro, quando superou o nível pré-pandemia pela primeira vez. A expectativa do mercado era por queda, mas bem inferior: 2,3%.

Na comparação com março de 2020, o setor teve alta de 4,5%, após 12 taxas negativas seguidas. Já o fechamento do primeiro trimestre teve queda de 0,8% frente ao mesmo período de 2020.

Com isso, o volume de serviços apresenta a quinta queda consecutiva nas comparações trimestrais. O acumulado nos últimos 12 meses é negativo em 8%.

E a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE mostrou que a produção industrial no Brasil recuou em 9 dos 15 Estados analisados em março, na comparação com fevereiro, mês que também havia apresentado queda.

Segundo os números do relatório divulgado hoje, o que apresentou maior retração no período foi o Ceará, com 15,5%.

Na sequência apareceram Rio Grande do Sul (-7,3%) e Bahia (-6,2%), mas o ponto mais preocupante ficou mesmo para o Ceará.

Na questão política, a CPI da Pandemia pegou fogo. O ex-secretário de Comunicação do governo federal, Fabio Wajngarten, depôs como testemunha hoje e foi constantemente lembrado que poderia sair preso em flagrante dali por mentir aos senadores – senador Renan Calheiros (MDB-AL) chegou a pedir a prisão do depoente.

O clima esquentou, mostrando como está o clima político em Brasília, antes de mais dois testemunhos que podem acirrar a disputa de apoiadores e oposição do governo. Nesta quinta (13), há o depoimento de Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores, tido como um dos agentes que mais dificultou o trato com países como a China para a negociação de vacinas ou insumos para vacinas. Quarta (19) é a vez do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

O depoimento de Wajngarten dá uma amostra de o quanto o governo pode ser pressionado – e isso pode gerar problemas de Orçamento, com o Centrão, grupo de partidos fisiológicos que apoia e sustenta o governo, pressionando por mais verbas e cargos para manter a sustentação.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, apenas 5 subiram, 1 ficou estável (ABEV3) e as outras 78 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 114,33 (-3,70%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 24,78 (-1,47%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 24,10 (-2,03%)
  • CSN Mineração (CMIN3): R$ 10,04 (-7,89%)
  • BR Distribuidora (BRDT3): R$ 25,13 (+5,06%)

Maiores altas

  • BR Distribuidora (BRDT3): R$ 25,13 (+5,06%)
  • IRB Brasil (IRBR3): R$ 6,34 (+1,44%)
  • Ultrapar (UGPA3): R$ 19,54 (+0,51%)
  • Cielo (CIEL3): R$ 3,49 (+0,29%)
  • Suzano (SUZB3): R$ 68,42 (+0,15%)

Maiores baixas

  • Banco Inter (BIDI11): R$ 187,63 (-7,76%)
  • Marfrig (MRFG3): R$ 19,12 (-7,72%)
  • Localiza (RENT3): R$ 58,30 (-7,22%)
  • Iguatemi (IGTA3): R$ 40,65 (-6,74%)
  • Multiplan (MULT3): R$ 23,27 (-6,28%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -2,82% (51.916,73 pontos)
  • IBrX 50: -2,73% (20.309,38 pontos)
  • IBrA: -2,73% (4.882,64 pontos)
  • SMLL: -3,18% (2.859,77 pontos)
  • IFIX: -0,29% (2.831,09 pontos)
  • BDRX: -0,48% (12.407,84 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (julho)/barril

  • segunda-feira (10): +0,06% (US$ 68,32)
  • terça-feira (11): +0,34% (US$ 68,55)
  • quarta-feira (12): +1,12% (US$ 69,32)
  • semana: +1,52% (US$ 69,32)

Petróleo WTI (junho)/barril

  • segunda-feira (10): +0,03% (US$ 64,92)
  • terça-feira (11): +0,55% (US$ 65,28)
  • quarta-feira (12): +1,22% (US$ 66,08)
  • semana: +1,80% (US$ 66,08)

Ouro (junho)/onça-troy

  • segunda-feira (10): +0,34% (US$ 1.837,60)
  • terça-feira (11): -0,08% (US$ 1.836,10)
  • quarta-feira (12): -0,72% (US$ 1.822,80)
  • semana: -0,46% (US$ 1.822,80)

Prata (julho)/onça-troy

  • segunda-feira (10): -0,48% (US$ 27,35)
  • terça-feira (11): +0,62% (US$ 27,66)
  • quarta-feira (12): -1,59% (US$ 27,23)
  • semana: -1,45% (US$ 27,23)

Com Wisir Research, BDM e CNBC