Bolsa despenca 1,44%, com cenário político desfavorável a Bolsonaro

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores despencou nesta terça-feira (6), perdendo 1,44% e fechando com 125.094,88 pontos. A bolsa brasileira acompanhou a queda em Nova York, embora de uma maneira mais contundente. Os principais índices em Wall Street fecharam em direções opostas, mas com o Nasdaq, de tecnologia, se salvando.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo

Os investidores se depararam com notícias não muito boas, na volta à ativa do maior mercado de ações do mundo, Nova York, após o feriado mais importante do país, o Indepndence Day. Uma delas foi o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês), em serviços, nos Estados Unidos, que veio abaixo da expectativa.

A queda da cotação do petróleo, com a frustração pelo adiamento da reunião da OPEP+, que aconteceria esta semana, também contribuiu para o mau humor.

No Brasil, a coisa segue feia para o presidente Jair Bolsonaro (sem partida), com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 se aprofundando do malcheiroso contrato de compra da vacina indiana Covaxin; com novos áudios surgindo sobre a “rachadinha”, ou peculato, crime cometido pelo Bolsonaro quando deputado federal; e nova pesquisa de opinião colocando o atual morador do Palácio do Planalto mais longe da reeleição.

Você sabia que algumas das maiores oportunidades de ganhos da bolsa estão nas Small Caps? Quer saber mais sobre essas ações e como investir? 

A situação não está tranquila em Brasília.

Quer começar o dia bem-informado com as notícias que vão impactar o seu bolso? Clique aqui e assine a newsletter EQI HOJE!

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 124.866,38 pontos (-1,62%); e na máxima, 126.919,36 pontos (-0,0001%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 26,900 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (5): -0,55% (126.920,05 pontos)
  • terça-feira (6): -1,44% (125.094,88 pontos)
  • semana: -1,98%
  • julho: -1,35%
  • 2021: +5,10%

Juros

  • D1F22: +0,70% para 5,79%
  • D1F23: +1,40% para 7,27%
  • D1F24: +1,27% para 7,97%
  • D1F25: +1,21% para 8,34%
  • D1F26: +1,06% para 8,55%
  • D1F27: +0,92% para 8,76%
  • D1F28: +1,13% para 8,93%
  • D1F29: +0,89% para 9,04%
  • D1F30: +0,00% para 9,07%
  • D1F31: +0,98% para 9,25%

Dólar

O dólar disparou nesta terça. A moeda norte-americana subiu 2,39% e passou a valer R$ 5,2092.

  • segunda-feira (5): +0,68% a R$ 5,0878
  • terça-feira (6): +2,39% a R$ 5,2092
  • semana : +3,07% a R$ 5,2092

Euro

  • segunda-feira (5): +0,73% a R$ 6,0416
  • terça-feira (6): +2,06% a R$ 6,1627
  • semana: +2,79% a R$ 6,1627

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +1,31% a R$ 177.098,10
  • Ethereum: +5,44% a R$ 12.095,47
  • Tether: +1,77% a R$ 5,21
  • Cardano: +0,45% a R$ 7,32
  • Binance: +6,65% a R$ 1.659,52

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações caíram, com Wall Street dando início à semana mais curta, por conta do feriado do Independence Day ontem e com os investidores preocupados de que talvez a recuperação econômica da pandemia vá demorar um pouco mais.

O índice de gerentes de compras em serviços, dos Estados Unidos, registrou uma queda em junho. O índice atingiu 64,6 pontos no mês. Ficou abaixo do esperado pelo mercado, que era de 65,2 pontos.

Os dados da pesqisa, levando em conta o setor de serviços e o composto, foram divulgados nesta terça-feira (6). Anteriormente, foi divulgado o PMI Industrial. Este atingiu 62,6 pontos no mês. A pesquisa foi divulgada pelo IHS Markit.

O PMI industrial ficou estável em junho, em relação ao mês de maio. A marcação foi de 62,1 pontos, de acordo com os dados divulgados pelo instituto.

Chris Williamson, economista-chefe de negócios da IHS Markit, apontou que junho foi um mês de resultados robustos, apesar da queda em serviços. “Foi mais um mês de crescimento impressionante da produção nos setores de manufatura e serviços”, afirmou ele, ao se referir ao conjunto dos resultados no mês.

Em maio, a pesquisa de serviços havia atingido 70,4 pontos.

Os rendimentos dos títulos também caíram, com o Tesouro de 10 anos abaixo de 1,4%, mais uma evidência de que os investidores estão duvidando da força da economia dos EUA.

Muitos em Wall Street esperam ganhos menores e mais agitados do resto do ano, após um forte desempenho no primeiro semestre, em meio a uma reabertura econômica histórica.

“A economia dos EUA está crescendo, mas agora isso é conhecido e os mercados de ativos refletem sobre dados. O que não está mais tão claro é a que preço esse crescimento acumulará”, disse Michael Wilson, estrategista-chefe de ações dos EUA do Morgan Stanley, em uma nota reproduzida pela CNBC. “Custos mais altos significam lucros mais baixos, outra razão pela qual o mercado de ações em geral está se estreitando”.

Segundo a CNBC, os analistas do Citi disseram aos clientes que estão preocupados com a política do Federal Reserve, o banco central local, e vêem a possibilidade de os balanços, que começam em algumas semanas, ficarem aquém das expectativas. Eles sugerem que julho pode ser “um mês inquietante”, devido às “expectativas inerentes mais elevadas”, após esses fortes balanços do primeiro trimestre.

E tem o problema do petróleo. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), negociado nos EUA segue em alta, uma vez que uma reunião da OPEP+ sobre a política de produção de petróleo foi cancelada. O adiamento ocorreu porque os Emirados Árabes Unidos rejeitaram a proposta de estender o aumento da produção de petróleo pelo segundo dia. Hoje, a cotação caiu.

Além disso, os investidores aguardam a divulgação das atas da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de junho, que deve ocorrer quarta-feira (7), em busca de pistas sobre o que pensa o banco central.

Na Europa, são justamente os preços do petróleo que permaneceram em foco. Mas os resultados econômicos também.

Os pedidos industriais alemães caíram inesperadamente em maio, segundo dados oficiais divulgados hoje: menos 3,7% no mês, marcando seu declínio mais acentuado desde o primeiro lockdown em 2020. Uma pesquisa da Reuters com economistas havia produzido uma previsão de consenso de um aumento de 1%, após uma alta revisou aumento de 1,2% em abril. Foi frustrante.

A pesquisa ZEW sobre o sentimento econômico na Alemanha também atingiu seu nível mais baixo desde janeiro, caindo para 63,3 em julho, de 79,8 em junho, e ficando bem aquém de uma previsão de consenso de 75,2.

No entanto, as vendas no varejo da zona do euro aumentaram mais do que o esperado em maio, após uma retração em abril, revelaram dados do Eurostat. As vendas nos 19 países membros aumentaram 4,6% no mês a mês, superando a previsão da Reuters de 4,4%.

Nova York

  • S&P: -0,20%
  • Nasdaq: +0,17%
  • Dow Jones: -0,60%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -0,85%
  • DAX (Alemanha): -0,96%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,89%
  • CAC (França): -0,91%
  • IBEX 35 (Espanha): -0,96%
  • FTSE MIB (Itália): -0,84%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,11%
  • SZSE Component (China): -0,35%
  • China A50 (China): +0,34%
  • DJ Shanghai (China): +0,08%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,27%
  • SET (Tailândia): +0,77%
  • Nikkei (Japão): +0,16%
  • ASX 200 (Austrália): -0,73%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,36%

Brasil: ambiente político e econômico

Ontem, surgiu a pesquisa CNT/MDA. Nela, Bolsonaro é reprovado por 62,5% da população. Os que aprovam seu desempenho são 33,8%.

É uma desaprovação recorde, desde que assumiu o poder, em 2019. Na última pesquisa, de fevereiro de 2021, Bolsonaro era desaprovado por 51% dos entrevistados.

Olhando para 2022 que parece ser o maior objetivo do presidente, as notícias também não são boas. De acordo com a pesquisa estimulada, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT-SP) estaria bem perto de vencer já no primeiro turno: tem 41,3%, contra 42,3% da soma de seus adversários. Na espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, ele aparece com 27,8%, enquanto Bolsonaro tem 21,6%. Os indecisos são 38,9%, o que dá bastante margem de manobra. Ciro Gomes (PDT-CE) tem 1,7% das intenções; Sergio Moro (sem partido) e o governador João Doria (PSDB-SP), ficaram com 0,7% cada.

No segundo turno com Lula e Bolsonaro, o ex-presidente tem folga na frente, com 52,6% das intenções de voto. Jair Bolsonaro tem 33%, enquanto 11,5% votariam em branco ou nulo e 2,6% não sabem ou não responderam.

Hoje, foi divulgada pesquisa Ipsos, encomendada por um partido aliado a Bolsonaro, o Democratas, do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. E o resultado não é muito diferente da pesquisa de ontem. Na verdade é pior para o atual presidente.

Na disputa direta entre Lula e Bolsonaro, o petista venceria por 58% a 25% dos votos. Brancos e nulos somam 13% e os entrevistados que não responderam são 4%.

Lula venceria no segundo turno outros candidatos, que muita gente tenta compor como uma “terceira via”. Contra Sergio Moro, seria 57% a 20%. Na disputa com Ciro Gomes, o petista levaria por 57% a 14%. Bolsonaro, por sua vez, só venceria no segundo turno o seu ex-ministro da Saúde Mandetta (29% a 24%) e Tasso Jereissati (31% a 20%).

Como preocupação pouca é bobagem, Bolsonaro ainda tem que digerir a informação de que 59% não votariam nele de jeito nenhum. Já seu inimigo predileto, Lula, é o menos rejeitado: 33%.

A crise política piora para os lados da família Bolsonaro. Agora, surgiram áudios de Márcia Aguiar, mulher do amigo do presidente, Fabrício Queiroz, o operador do esquema de peculato, a partir de rachadinha no antigo gabinete do filho do presidente, Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Ela questiona o fato do marido estar fora de casa por tanto tempo, escondido na casa do advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, em Atibaia, no interior de São Paulo.

“Só que eu também não tô aguentando. Tá entendendo? Eu tô muito preocupada com ele. A minha saúde também está abalada, tá entendendo? A gente não pode mais viver sendo marionete do ‘Anjo’ (codinome de Wassef). Ah, você tem que ficar aqui, traz a família. Esquece cara, deixa a gente viver a nossa vida! Qual o problema? Vão matar? Ninguém vai matar ninguém, se tivesse que matar já tinha pego um filho meu aqui, você tá entendendo? Então deixa a gente viver a nossa vida aqui com a nossa família”, desabafou.

Ontem, surgiram áudios da ex-cunhada de Bolsonaro, ligando o atual presidente diretamente ao mesmo esquema do filho na Alerj, só que na Câmara dos Deputados. Segundo ela, Bolsonaro ficava com parte do salário dos servidores que ele contratava e chegou a exonerar um só porque o servidor não devolvia o dinheiro que Bolsonaro esperava receber.

Na questão dos dados, a atividade industrial encolheu em maio, com queda nas horas trabalhadas e na utilização da capacidade instalada. As informações são da Confederação Nacional da Indústria (CNI), conforme a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada hoje.

De acordo com os dados, apesar da queda na produção, o nível de atividade continua superior ao de fevereiro de 2020, antes do início da pandemia.

Em maio o número de horas trabalhadas na produção caiu 1,8% em relação a abril. Essa estatística desconsidera efeitos sazonais (oscilações típicas de determinadas épocas do ano). Como a CNI revisou os números de meses anteriores, esse representa o segundo mês seguido de encolhimento no indicador.

Já o custo da cesta básica em junho caiu em nove das 17 capitais brasileiras analisadas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Nas outras oito capitais analisadas na pesquisa, o custo da cesta básica aumentou.

De acordo com a pesquisa, as maiores altas foram registradas em Fortaleza (1,77%), Curitiba (1,59%) e Florianópolis (1,42%).

No primeiro semestre deste ano, dez capitais brasileiras acumularam altas no custo da cesta. Curitiba foi a capital com maior acúmulo, 14,47%, seguida por Natal, com 9,03%.

Há boas notícias mais consistentes. O Indicador Antecedente de Emprego, da FGV, apontou alta de 4,2 pontos em junho, atingindo 87,6 pontos. Este é o maior nível desde fevereiro de 2020, quando era de 92 pontos. Em médias móveis trimestrais, o indicador variou 3,5 pontos, para 83,2 pontos.

Comparativamente, em abril de 2020 o indicador antecedente marcava seu menor nível, com 39,7 pontos.

Para o economista Rodolpho Tobler, responsável pela pesquisa, o mercado de trabalho começou a dar sinais de recuperação.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, apenas 3 subiram e todas as outras 81 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Petrobras (PETR4): R$ 27,67 (-4,09%)
  • Vale (VALE3): R$ 113,77 (+0,53%)
  • Petrobras (PETR3): R$ 28,58 (-3,74%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 24,70 (-1,24%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 29,27 (-1,11%)

Maiores altas

  • Bradespar (BRAP4): R$ 75,75 (+1,42%)
  • Vale (VALE3): R$ 113,77 (+0,53%)
  • Energisa (ENGI11): R$ 45,64 (+0,09%)

Maiores baixas

  • PetroRio (PRIO3): R$ 20,24 (-5,82%)
  • Azul (AZUL4): R$ 42,50 (-4,17%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 27,67 (-4,09%)
  • Petrobras (PETR3): R$ 28,58 (-3,74%)
  • CVC (CVCB3): R$ 26,29 (-3,63%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -1,21% (54.189,32 pontos)
  • IBrX 50: -1,18% (21.124,28 pontos)
  • IBrA: -1,25% (5.108,44 pontos)
  • SMLL: -2,22% (3.089,74 pontos)
  • IFIX: +0,21% (2.761,49 pontos)
  • BDRX: +2,75% (13.379,25 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (setembro)/barril

  • segunda-feira (5): +1,30% (US$ 77,16)
  • terça-feira (6): -3,41% (US$ 74,53)
  • semana: +1,30% (US$ 74,53)

Petróleo WTI (agosto)/barril

  • segunda-feira (5): feriado
  • terça-feira (6): -2,38% (US$ 73,37)
  • semana: -2,38% (US$ 73,37)

Ouro (agosto)/onça-troy

  • segunda-feira (5): +0,49% (US$ 1.792,00)
  • terça-feira (6): +0,71% (US$ 1.796,05)
  • semana: +1,20% (US$ 1.796,05)

Prata (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (5): -0,37% (US$ 26,60)
  • terça-feira (6): -0,96% (US$ 26,25)
  • semana: -1,33% (US$ 26,25)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

Um dos principais exercícios para a compra de uma ação é saber se ela está cara ou barata. Para isso, preparamos um material especial para ajudá-lo nesta análise.