Bolsa desidrata durante o dia, seguindo Nova York, e ganha apenas 0,09%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores voltou a subir nesta quarta-feira (9), após a primeira queda do mês no dia de ontem. O índice nacional chegou a subir com consistência, mas foi desidratando, e ganhou apenas 0,09%, ficando com 129.906,80 pontos, a despeito da aceleração acima do esperado da inflação oficial do Brasil.

A alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medida oficial de inflação do país, foi de 0,83%, na maior para o mês em 25 anos. O resultado reforça as apostas de nova alta da Selic, a taxa referencial de juros do Brasil, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na semana que vem.

Em Nova York, os principais índices também foram murchando, fecharam no vermelho e ajudaram a desgastar os ganhos nacionais, que chegaram a ser maiores no intradiário.

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Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 129.281,45 pontos (-0,39%); e na máxima, 130.882,46 pontos (+0,84%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 34,400 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

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  • segunda-feira (7): +0,50% (130.776,27 pontos)
  • terça-feira (8): -0,76% (129.787,11 pontos)
  • quarta-feira (9): +0,09% (129.906,80 pontos)
  • semana: -0,17%
  • junho: +2,92%
  • 2021: +9,14%

Dólar

O dólar voltou a acelerar, após o IPCA. A moeda norte-americana subiu 0,69% e passou a valer R$ 5,0692.

  • segunda-feira (7): +0,03% a R$ 5,0369
  • terça-feira (8): -0,05% a R$ 5,0345
  • quarta-feira (9): +0,69% a R$ 5,0692
  • semana : +0,69% a R$ 5,0692

Euro

  • segunda-feira (7): +0,11% a R$ 6,1495
  • terça-feira (8): -0,40% a R$ 6,1251
  • quarta-fira (9): +0,79% a R$ 6,1733
  • semana: +0,50% a R$ 6,1733

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +12,53% a R$ 183.642,19
  • Ethereum: +4,21% a R$ 13.001,48
  • Tether: +1,76% a R$ 5,07
  • Cardano: +4,31% a R$ 8,03
  • Binance: +7,43% a R$ 1.857,66

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Nova York viu seus principais índices fecharem no vermelho, embora, desta vez, ao contrário das sessões anteriores, tenham se descolado da estabilidade.

Os investidores seguem aguardando a próxima leitura sobre a inflação para avaliar se os preços são pressionados apenas temporariamente, com a economia continuando a ser aberta e a se recuperar da recessão da pandemia.

As ações dos EUA estão em grande parte estagnadas em uma faixa desde meados de abril e não parece provável que acelerem tão cedo, segundo a CNBC. “Os investidores querem ver como ficam as pressões sobre os preços e quanta desvantagem nas ações ocorrerá quando o ataque de raiva do Fed começar”, disse Edward Moya, analista de mercado sênior da Oanda, em nota.

O índice de preços ao consumidor (IPC) para maio será divulgado na quinta-feira (10). Os economistas esperam que o IPC suba 4,7% em relação ao ano anterior, de acordo com a Dow Jones. Em abril, o IPC aumentou 4,2% em uma base anual, o aumento mais rápido desde 2008.

O IPC da China recuou 0,2% em maio e teve alta de 1,3% na comparação com maio do ano passado. A projeção do mercado era por leituras melhores: queda de 0,1% e alta de 1,6%, respectivamente.

Já o Índice de Preços ao Produtor (IPP) subiu 9% na comparação com maio de 2020. É a leitura mais alta desde 2008, o que pode aumentar a pressão pelo controle de preços das commodities.

Os preços nas fábricas aumentaram desde o início do ano, devido à recuperação da demanda doméstica e global. Os analistas atribuem o aumento à alta das commodities e das matérias-primas.

Os mercados da região acabarão fechando de maneira mista, embora na China propriamente, tudo azul.

O Banco Mundial atualizou sua previsão de crescimento, com a economia global agora prevista para crescer 5,6% em 2021. A previsão anterior, de janeiro, era de uma expansão econômica global de 4% em 2021.

Ainda assim, a organização alertou em um comunicado à imprensa que a produção global ficará cerca de 2% abaixo das projeções pré-pandemia até o final deste ano, apesar da recuperação.

Em relação aos dados, os números ajustados do comércio alemão mostraram que as importações para abril recuaram 1,7% no mês a mês contra recuo de 1,1% esperado por economistas, enquanto o saldo comercial ajustado sazonal foi de 15,9 bilhões de euros, contra uma previsão de 16,3 bilhões de euros.

No campo da pandemia, o governo Joe Biden, dos EUA, entendeu o básico: não adianta seu país estar imunizado se outros países seguem sofrendo com a Covid-19. O mundo só estará seguro se todos os países estiverem seguros. Assim, Biden anunciou que pretende comprar 500 milhões de doses da Pfizer para doar mundo afora.

O mandatário norte-americano está na Europa, em sua primeira viagem como presidente. Ele tem encontro com os outros seis membros do G7, os países mais ricos do mundo, e é lá que pretende anunciar oficialmente a doação das vacinas.

Nova York

  • S&P: -0,18%
  • Nasdaq: -0,09%
  • Dow Jones: -0,44%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,02%
  • DAX (Alemanha): -0,38%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,20%
  • CAC (França): +0,19%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,03%
  • FTSE MIB (Itália): -0,26%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,32%
  • SZSE Component (China): +0,01%
  • China A50 (China): +0,22%
  • DJ Shanghai (China): +0,22%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,05%
  • SET (Tailândia): +0,83%
  • Nikkei (Japão): -0,35%
  • ASX 200 (Austrália): -0,31%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,97%

Brasil: ambiente político e econômico

O IPCA avançou 0,83% em maio, ante projeção de 0,71%. Esta é a maior alta para o mês em 25 anos.

Na comparação com maio de 2020, a alta é de 8,06%, quando o consenso era alta de 7,93%. Com isto, o resultado fica bem acima da meta do Banco Central para a inflação no ano, que é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

No ano, o acumulado é de 3,22%. Na passagem de março para abril, o IPCA havia registrado desaceleração, indo de 0,93% para 0,31%.

Relatório do Banco BTG Pactual (BPAC11) informa que o mercado tinha uma estimativa de 0,71% e o banco aguardava 0,74%. De acordo com o documento, o item habitação – que avançou 1,78% – foi impactado pela energia elétrica.

Isto porque um cenário hidrológico desfavorável fez a Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica – adotar o primeiro patamar da bandeira vermelha. Fato que encareceu as contas de luz naquele mês.

O banco informou ainda que o item transportes, que subiu 1,15%, foi pressionado pelos preços dos combustíveis. Estes saltaram de uma variação negativa de 0,94% para um aumento de 4,22%.

“Como esperado pelo mercado, o índice acelerou em relação à abril. Impulsionado pela tarifa mais cara para a energia elétrica, pela retomada da pressão dos preços nos combustíveis e pela continuidade da aceleração dos preços dos bens indústrias”, informa trecho do relatório.

Étore Sachez, economista-chefe da Ativa Investimentos, informou que o escritório trabalhava com uma elevação de 0,72%. As previsões mais pessimistas esperavam por uma inflação de 0,77%.

Matheus Peçanha, economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), aponta que o cenário inflacionário acelerado deve pressionar a taxa Selic (a taxa de juros oficial do governo).

O economista calcula que o Banco Central pode ter de continuar a elevar as taxas para conter esse trajetória de alta inflacionária. “A política monetária vai te que se reinventar. Devemos ter aumento da Selic”, avaliou.

Ele avaliou ainda que, se o Brasil não tiver uma retomada da economia em 2022, o câmbio pode ser impactado. Fator que por sua vez pode influenciar os preços, uma vez que a variação do dólar pode ser repassada para o consumidor.

Já o Índice de Preços ao Consumidor medido pela Fipe (IPC-Fipe), indicador que mede a inflação na cidade de São Paulo, variou 0,52% na primeira leitura de junho, ante 0,41% da última semana e 0,35% da primeira semana de maio.

Na comparação com a última leitura, a quarta de maio, houve avanço nos preços de Habitação, Transportes, Despesas Pessoais e Vestuário.

Outro dado divulgado hoje foi o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), com 1,78% em maio, 0,09 ponto percentual abaixo da taxa de abril (1,87%). A informação foi divulgada nesta quarta-feira (9) pelo IBGE.

Houve alta em todas as regiões pesquisadas, sobretudo no Sudeste (2,07%), devido ao aumento na parcela dos materiais.

O acumulado no ano foi de 8,71% e, nos últimos doze meses, de 18,18%. Em maio de 2020 o índice havia sido de 0,17%.

Por outro lado, a indústria nacional teve uma retração de 1,3% de março para abril de 2021, conforme apontou a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do IBGE, na semana passada.

A projeção do mercado era por queda bem menor, de 0,2%. Em março, a retração havia sido de 2,2%.

Nesta quarta-feira (9), dando continuidade ao estudo, o IBGE divulgou o resultado regional da PIM. A conclusão é que 9 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE apresentaram taxas negativas em abril.

No campo político, o Senado aprovou ontem (8) a Medida Provisória 1.028/2021, que facilita o empréstimo a clientes de bancos. De acordo com o texto, as instituições financeiras públicas e privadas ficam dispensadas de exigir documentação de regularidade fiscal para aprovar o crédito. A medida vale até 31 de dezembro de 2021. O texto vai à sanção presidencial.

O texto original da MP fixava a data de 30 de junho, mas esse prazo foi prorrogado pelos deputados até o fim de dezembro.

Além disso, a proposta original do governo era de flexibilizar as regras apenas para bancos públicos. Mas a Câmara estendeu também às instituições financeiras privadas.

O senador Marcos Rogério (DEM-RO), relator da medida provisória que viabiliza a privatização da Eletrobras (ELET6), pretende entregar seu parecer ainda esta semana.

Segundo ele, a ideia é votar o texto em plenário na quinta-feira (10) ou no início da semana que vem. Rogério se encontrou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, na tarde de hoje (8) e falou após o encontro.

“Vamos apresentar um relatório que vai procurar reunir as convergências. E nos pontos que houver divergências, vamos submeter a voto. Mas o nosso esforço, num compromisso que fiz com o ministro Paulo Guedes, é de apresentar o relatório ainda esta semana e votarmos, se não na quinta-feira, no início da próxima semana”, disse o relator.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 32 subiram, 1 ficou estável (PETR4) e as outras 51 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 112,20 (+2,07%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 28,66 (0,00%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 33,26 (+1,37%)
  • B3 (B3SA3): R$ 16,40 (+0,43%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 28,10 (-0,50%)

Maiores altas

  • Locaweb (LWSA3): R$ 24,65 (+2,92%)
  • Hering (HGTX3): R$ 33,65 (+2,87%)
  • Suzano (SUZB3): R$ 59,70 (+2,79%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 18,85 (+2,56%)
  • Gerdau (GGBR4): R$ 32,07 (+2,33%)

Maiores baixas

  • Iguatemi (IGTA3): R$ 43,22 (-3,78%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 20,27 (-3,71%)
  • Multiplan (MULT3): R$ 26,42 (-2,80%)
  • Ultrapar (UGPA3): R$ 20,60 (-2,65%)
  • Cielo (CIEL3): R$ 4,09 (-2,39%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,31% (55.716,39 pontos)
  • IBrX 50: +0,38% (21.725,65 pontos)
  • IBrA: +0,29% (5.241,20 pontos)
  • SMLL: -0,25% (3.166,69 pontos)
  • IFIX: +0,08% (2.831,97 pontos)
  • BDRX: +0,55% (12.363,21 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (agosto)/barril

  • segunda-feira (7): -0,55% (US$ 71,49)
  • terça-feira (8): +1,02% (US$ 72,22)
  • quarta-feira (9): 0,00% (US$ 72,22)
  • semana: +0,47% (US$ 72,22)

Petróleo WTI (julho)/barril

  • segunda-feira (7): -0,56% (US$ 69,23)
  • terça-feira (8): +1,18% (US$ 70,05)
  • quarta-feira (9): -0,13% (US$ 69,96)
  • semana: +0,49% (US$ 69,96)

Ouro (agosto)/onça-troy

  • segunda-feira (7): +0,55% (US$ 1.902,20)
  • terça-feira (8): -0,15% (US$ 1.895,50)
  • quarta-feira (9): -0,01% (US$ 1.894,30)
  • semana: +0,39% (US$ 1.894,30)

Prata (julho)/onça-troy

  • segunda-feira (7): +0,59% (US$ 28,06)
  • terça-feira (8): -1,07% (US$ 27,72)
  • quarta-feira (9): +0,96% (US$ 28,00)
  • semana: +0,52% (US$ 28,00)

Com Wisir Research, BDM e CNBC