Bolsa de valores sobe 0,97%, ignorando política e Nova York

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores avançou 0,97% nesta segunda-feira (12), no sentido inverso de Nova York e ignorando, por ora, a possível tempestade política que pode aparecer com a instalação definitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado Federal. O Ibovespa fechou com 118.811,74 pontos.

“Possível” porque não se consegue ainda calcular o tamanho do estrago que a CPI determinada pelas assinaturas conseguidas pelos senadores e referendada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pode causar ao governo e ao andamento das pautas desejadas pelos agentes do mercado financeiro. Pode acontecer tudo, com o governo lutando desesperadamente para sair das cordas. E pode não acontecer nada, com o Centrão aliado do governo Jair Bolsonaro (sem partido) conseguindo mais cargos e dinheiro de emendas e desligando os holofotes da oposição.

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Por enquanto, o que se sabe que é os vetos do Orçamento 2021, que têm data-limite de 22 de abril para o parecer do presidente da República, estão diretamente ligados a como vai nascer a CPI. Então, aguarda-se.

Nesse meio tempo, ações da Petrobras (PETR3 PETR4), frigoríficos, bancos e siderurgia vão matando a bronca no peito e segurando o índice.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 117.660,77 pontos (-0,01%); e na máxima, 118.779,45 pontos (+0,93%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 24,334 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (12): +0,97% (118.811,74 pontos)
  • semana: +0,97%
  • abril: +1,87%
  • 2021: -0,17%

Dólar

O dólar segue sua trajetória de alta. A moeda norte-americana avançou 0,84%, valendo R$ 5,7224.

  • segunda-feira (12): +0,84% a R$ 5,7224
  • semana : +0,84% a R$ 5,7224

Euro

  • segunda-feira (12): +0,69% a R$ 6,8071
  • semana: +0,69% a R$ 6,8071

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +0,08% a R$ 344.603,08
  • Ethereum: -0,59% a R$ 12.287,00
  • Binance: +18,03% a R$ 3.406,51

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações dos EUA caíram nesta segunda, com vistas na temporada de balanços do primeiro trimestre e a divulgação de dados de inflação.

A temporada de balanços do primeiro trimestre começa esta semana, com expectativas amplamente positivas e uma tendência de alta para as ações dos EUA graças a uma economia em recuperação.

Se alguém ainda duvida que a recuperação econômica dos EUA está à frente da Europa, uma reportagem da CNBC vai esclarecer tudo.

De acordo com quatro gráficos simples de entender, é fácil visualizar o porquê de o país, agora governado por Joe Biden, estar na frente na corrida para sair da crise do que os principais centros da União Européia.

O grande estímulo fiscal nos Estados Unidos tem sido um fator crítico para garantir que a maior economia do mundo ressurja rapidamente. Mas há outras razões que permitem aos EUA retornar aos níveis de produção anteriores à crise muito mais rápido do que os países europeus.

Silvia Dall’Angelo, economista-sênior da Federated Hermes, disse à CNBC que um “problema institucional” na União Europeia era um dos principais obstáculos à recuperação dos países do bloco. Como tal, disse ela, “há sinais de que os EUA se recuperarão muito mais rápido do que a UE”.

Embora as nações europeias tenham surpreendido os mercados financeiros em julho de 2020, ao se unir e aprovar um plano de estímulo fiscal para toda a UE, que incluía o empréstimo de 750 bilhões de euros (US$ 892 bilhões) dos mercados públicos, esse dinheiro ainda não está disponível para os 27 estados membros.

Uma série de aprovações legislativas são necessárias antes que a Comissão Europeia, o braço executivo da UE, possa realmente explorar os mercados. Espera-se que isso aconteça em breve, mas o tribunal constitucional da Alemanha trouxe mais incertezas ao processo na semana passada, ao suspender a aprovação do programa, o que em última instância poderia atrasar ainda mais os desembolsos.

Em contraste, o presidente dos EUA, Joe Biden, conseguiu aprovar US$ 1,9 trilhão em estímulos fiscais após menos de dois meses no cargo, impulsionando ainda mais a recuperação do país.

Esta semana também está repleta de discursos do Federal Reserve e principais dados econômicos, incluindo uma leitura muito aguardada da inflação, amanhã (13). Economistas ouvidos pela Dow Jones prevêem um ganho de 0,5% no IPC mês a mês e um aumento de 2,5% em relação ao ano passado.

O presidente do Fed, Jerome Powell, reiterou no domingo (11) que o Fed quer ver a inflação subir acima de 2% por um longo período antes que as autoridades tomem medidas para aumentar as taxas de juros.

O Congresso retornará a Washington esta semana e estará em sessão pela primeira vez desde que Biden estreou seu pacote de infraestrutura, que destina centenas de bilhões de dólares para estradas, pontes, aeroportos, banda larga, veículos elétricos, habitação e treinamento profissional.

O plano do presidente também aumentaria a taxa de imposto corporativo para 28% e reprimiria outras estratégias de evasão fiscal no exterior.

Na Europa, o governo do Reino Unido está relaxando as medidas de bloqueio na Inglaterra, depois de longos períodos de lockdown, que conseguiu fazer as taxas de transmissibilidade do vírus serem bastante reduzidas – o que prova para certos países que a política realmente funciona.

Com relação aos dados, as vendas no varejo da zona do euro em fevereiro aumentaram 3% em relação ao mês anterior, superando as expectativas dos analistas e novamente fazendo voltar a esperança de uma economia mais sustentada, diante da relutante caminhada da vacinação no Velho Continente.

Nova York

  • S&P: -0,02%
  • Nasdaq: -0,36%
  • Dow Jones: -0,16%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -0,43%
  • DAX (Alemanha): -0,13%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,39%
  • CAC (França): -0,13%
  • IBEX 35 (Espanha): -0,39%
  • FTSE MIB (Itália): +0,11%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -1,09%
  • SZSE Component (China): -2,30%
  • China A50 (China): -1,21%
  • DJ Shanghai (China): -1,31%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,98%
  • SET (Tailândia): -1,61%
  • Nikkei (Japão): -0,77%
  • ASX 200 (Austrália): -0,30%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,12%

Brasil: ambiente político e econômico

O Boletim Focus, publicado pelo Banco Central com as projeções das instituições financeiras para os principais indicadores econômicos do país, trouxe hoje nova expectativa de aumento para a Selic, taxa básica de juros, em 2021.

Antes projetada em 5% até o final deste ano, agora o mercado aposta em Selic a 5,25% até dezembro.

Vale lembrar que, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a taxa básica de juros subiu de 2% para 2,75%, com sinalização de novo aumento de 0,75 ponto porcentual no próximo encontro, que acontece em maio.

O Focus também trouxe aumento na projeção para o IPCA, indicador oficial de inflação, que foi de 4,81% da semana passada para 4,85%.

O câmbio também teve elevação da expectativa: de R$ 5,35 para R$ 5,37. Já é a terceira semana seguida de leves aumentos na projeção.

O Produto Interno Bruto (PIB), porém, teve queda na expectativa, pela sexta vez: de 3,17% da semana passada para 3,08% nesta semana.

Os títulos Prefixado 2026 e Selic 2027 ficaram estáveis. A única queda registrada foi do título Prefixado 2024.

Apesar do início do ciclo de alta da Selic, a poupança continua sendo um dos piores investimentos.

Isso porque a remuneração da caderneta está pagando 1,925% ao ano, mais Taxa Referencial.

De acordo com dados da Economática, a rentabilidade da poupança em 12 meses até 31 de março de 2021 descontada a inflação medida pelo IPCA é de -4,16%.

Hoje, a Petrobras (PETR3 PETR4) realiza assembleia para confirmar o general Joaquim Silva e Luna, indicado por Jair Bolsonaro, como presidente. Mas o que promete emoção é a eleição do Conselho de Administração da empresa, já que 7 de 11 candidaturas estão sendo questionadas por acionistas minoritários e membros do Conselho.

Na sexta-feira (9), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país, fechou o mês de março com alta de 0,93%. O resultado representa a maior alta do índice desde 2015. No entanto, ele ficou abaixo da projeção do mercado, que era de alta de 1% no mês. Em fevereiro, o indicador havia variado 0,86%. No ano, o IPCA acumula alta de 2,05% no ano.

Nos últimos 12 meses, o avanço do IPCA é de 6,10%. Ou seja, acima do intervalo de tolerância da meta do Banco Central, que é 5,25%. O resultado do IPCA impacta nas decisões da Selic, taxa básica de juros. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir Selic acontece em maio e é aguardado um novo aumento de 0,75 ponto porcentual para a taxa.

Já o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), da FGV, que reajusta o aluguel, variou 0,50% na primeira prévia de abril. O consenso era 1,91%. No mesmo período de março, o índice havia registrado alta de 1,95%. Com o resultado, o índice chega a 8,8% no ano e 30,70% em 12 meses.

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC), participou hoje de um evento com outros presidentes de BCs da América Latina, e traçou um panorama sobre inflação.

Na visão de Campos Neto, um cenário combinado entre valorização de commodities e depreciação cambial acabou gerando um avanço acelerado da inflação.

“Vimos os preços das commodities subindo com moedas dos países produtores dessas commodities não performando bem, na verdade até performando mal… A gente tem inflação subindo no mundo emergente, com destaque no Brasil e Turquia, e aí tem uma diferenciação dos países emergentes, que têm peso de alimentos maior e não contrabalanceado pela moeda”, disse.

Atestando a visão de Campos Neto, o Ministério da Agricultura revisou – para cima – as projeções sobre a Agropecuária para 2021. De acordo com o novo relatório, divulgado hoje, a expectativa é bastante positiva.

Segundo o Ministério, o Valor Bruto da Produção (VBP) deve passar de R$ 1 trilhão até o fim de dezembro.

O aumento, em valores reais, será de 12,4% em relação ao registrado em 2020 – R$ 1,058 trilhão contra R$ 940,9 bilhões.

Na questão da pandemia, o Brasil fechou a pior semana da Covid-19 desde o início da crise. De domingo (4 de abril) a sábado (10), foram 21.141 mortos (primeira semana acima de 20 mil), com média de 3.020,14 mortos por dia (primeira semana acima de 3 mil diários) e 70.201,29 novos casos diários. Os dados são do Conselho Nacional de Secretarias Estaduais de Saúde (Conass).

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 56 subiram, 3 ficaram estáveis (EQTL3, IRBR3 e WEGE3) e as outras 22 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 103,40 (+0,39%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,89 (+1,01%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 27,30 (+2,48%)
  • CSN (CSNA3): R$ 43,88 (+1,83%)
  • PetroRio (PRIO3): R$ 96,91 (+2,56%)

Maiores altas

  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 37,00 (+9,79%)
  • Braskem (BRKM5): R$ 46,76 (+7,82%)
  • Minerva (BEEF3): R$ 11,37 (+5,18%)
  • Eneva (ENEV3): R$ 18,06 (+4,63%)
  • JBS (JBSS3): R$ 32,25 (+2,87%)

Maiores baixas

  • Eletrobras (ELET6): R$ 34,94 (-2,84%)
  • Azul (AZUL4): R$ 38,35 (-2,54%)
  • Eletrobras (ELET3): R$ 34,74 (-2,00%)
  • EzTec (EZTC3): R$ 33,00 (-1,46%)
  • BR Malls (BRML3): R$ 9,81 (-1,31%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,89% (51.119,80 pontos)
  • IBrX 50: +0,85% (19.826,59 pontos)
  • IBrA: +0,96% (4.803,06 pontos)
  • SMLL: +0,63% (2.921,44 pontos)
  • IFIX: -0,15% (2.845,01 pontos)
  • BDRX: +1,03% (13.859,78 pontos)

Commodities

  • Brent (para junho): US$ 63,28 (+0,52%)
  • WTI (para maio): US$ 59,70 (+0,64%)
  • Ouro (junho): US$ 1.732,70 (-0,69%)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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