Bolsa de valores sobe 0,41%, novamente se aproximando dos 120 mil

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores avançou nesta terça-feira (13): 0,41%, mas chegou a ser mais. O Ibovespa fechou em 119.297,13 pontos, ignorando os muitos problemas políticos que emanam de Brasília. Os olhos se voltaram hoje para os Estados Unidos.

Wall Street fechou misto, com o Dow Jones apontando para baixo, mais por um percalço preocupante na vacinação, com os tais coágulos sanguíneos que apareceram no imunizante da AstraZeneca/Universidade de Oxford e que fizeram a Europa pausar por um breve período sua aplicação, agora também surgindo na vacina de dose única da Janssen, da Johnson & Johnson, que viu suas ações despencarem. O governo norte-americano decidiu suspender por ora, como prevenção, a aplicação da vacina da Janssen.

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E teve a inflação por lá, que não causou preocupações no Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).

Por aqui as novelas e os problemas para o governo federal só avançam, exatamente como a pandemia que ele insiste em não enfrentar. Além da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, no Senado Federal, que pode abalar as estruturas, há ainda a questão não resolvida do Orçamento 2021, o MDB colocando as manguinhas de fora e a nova turma do fura-Teto de Gastos, que pode incluir o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Segure-se quem puder.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 118.041,14 pontos (-0,65%); e na máxima, 119.529,16 pontos (+0,60%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 29,197 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (12): +0,97% (118.811,74 pontos)
  • terça-feira (13): +0,41% (119.297,13 pontos)
  • semana: +1,38%
  • abril: +2,28%
  • 2021: +0,24%

Dólar

O dólar fechou estável nesta terça. A moeda norte-americana ficou com menos 0,08%, valendo R$ 5,7176.

  • segunda-feira (12): +0,84% a R$ 5,7224
  • terça-feira (13): -0,08% a R$ 5,7176
  • semana : +0,76% a R$ 5,7176

Euro

  • segunda-feira (12): +0,97% a R$ 6,8277
  • terça-feira (13): -0,18% a R$ 6,8151
  • semana: +0,79% a R$ 6,8151

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +5,23% a R$ 360.993,78
  • Ethereum: +7,76% a R$ 13.167,07
  • Binance: -2,81% a R$ 3.221,85

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC ou CPI, na sigla em inglês) dos EUA subiu 0,6% em março, pouco acima da projeção de 0,5%. Na comparação com março do ano passado, a alta é de 2,6%. A expectativa da leitura era de 2,5%.

O núcleo do IPC, que exclui preços de alimentos e energia, avançou 0,3% no mês, ante 0,1% da leitura anterior e 0,2% aguardados pelo mercado. Na comparação com março de 2020, o avanço é de 1,6%.

Considerado um resultado em linha com o aguardado, o indicador não deve exercer muita pressão sobre os juros.

O banco central americano (Federal Reserve, o Fed) afirma que a inflação está sob controle e que uma alta já é aguardada com a retomada econômica. Mas que ela dispensa qualquer interferência na política monetária adotada – que promete juros zero até 2023. O mercado, no entanto, desconfia e aposta na subida dos juros mais cedo, para conter a inflação.

Amanhã (14), o presidente do Fed, Jerome Powell discursa em evento em Washington. A fala será acompanhada bem de perto pelos investidores, à espera de qualquer alteração de rumo.

Os rendimentos do Tesouro dos EUA saltaram de pouco menos de 1% desde o final de janeiro para os atuais 1,619%, devido aos temores de aumento da inflação, à medida que a economia dos EUA se recupera, após o fechamento geral por conta da pandemia.

Eric Lonergan, gestor de fundos da M&G, disse à CNBC que acreditava que os mercados de títulos agora haviam “precificado uma espécie de normalização pós-crise”, com o recente salto nos rendimentos.

Os investidores também devem estar de olho no leilão de US$ 24 bilhões em títulos de 30 anos, como um indicador do apetite por dívidas governamentais de longo prazo.

Um leilão de US$ 40 bilhões em notas de 42 dias também está no radar.

A cabeça do investidor pode ter entrado em parafuso com a Food and Drug Administration (FDA, a Anvisa dos EUA) recomendando uma pausa na vacina Johnson & Johnson, após relatos de casos de coagulação do sangue, exatamente como a Europa procedeu com o mesmo problema, há um mês, só que com a vacina da AstraZeneca/Universidade de Oxford.

Hoje, o imunizante europeu já está de novo nos braços do povo, mas o problema segue causando preocupação e a suspensão do FDA é preventiva.

Houve seis casos relatados de um tipo raro e grave de coágulo sanguíneo, disse o FDA, que quer investigar esses casos.

“Até que o processo seja concluído, recomendamos esta pausa”, disse o FDA. “Isso é importante para garantir que a comunidade de profissionais de saúde esteja ciente do potencial para esses eventos adversos e possa planejar devido ao tratamento exclusivo necessário para este tipo de coágulo sanguíneo”.

A comissária interina do FDA, Janet Woodcock, disse que espera que a pausa dure “uma questão de dias”. Mais de 6,8 milhões de doses da vacina de dose única foram administradas nos EUA.

As notícias conflitantes entre vacinação rápida, aceleração na reabertura econômica e aumento da inflação podem fazer os investidores buscarem cautela nesse momento.

“Não acho que haverá uma grande reação no mercado além da reação automática que estamos tendo aqui agora”, disse Mike Wilson, estrategista-chefe de ações dos EUA para Morgan Stanley, à CNBC. “Estamos otimistas, muito otimistas com a reabertura total no segundo semestre deste ano”.

É, de fato, um sentimento um tanto mundial, mesmo aqui no Brasil, que não apresenta motivo algum para otimismo – pelo menos não a médio e curto prazos.

Na Europa, o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido cresceu 0,4% em fevereiro em relação ao mês anterior, de acordo com dados oficiais publicados hoje, um pouco abaixo das expectativas dos economistas de uma expansão de 0,6%. Há um porém positivo: os britânicos foram bem-sucedidos no lockdown extenso e a economia tornou a ser reaberta, o que pode impulsionar números positivos à frente.

A produção manufatureira cresceu 1,3%, superando as expectativas de um ganho mensal de 0,5%, enquanto a produção de serviços cresceu 0,2%, perdendo as projeções de crescimento de 0,6%.

Entretanto, segundo a CNBC, o índice de sentimento econômico ZEW de abril para a Alemanha mostrou que o moral do investidor caiu inesperadamente na maior economia da Europa, em meio a temores crescentes de um retorno a medidas de bloqueio mais severas. A pesquisa caiu para 70,7 pontos de 76,6 em março, depois que uma pesquisa da Reuters previu um aumento para 79,0.

Há ainda a temporada de balanços que também começa na Europa, como nos Estados Unidos, e há uma sensação de bons resultados pipocando por lá, o que anima os investidores.

Nova York

  • S&P: +0,33%
  • Nasdaq: +1,05%
  • Dow Jones: -0,20%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,13%
  • DAX (Alemanha): +0,13%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,02%
  • CAC (França): +0,36%
  • IBEX 35 (Espanha): -0,09%
  • FTSE MIB (Itália): +0,59%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,48%
  • SZSE Component (China): +0,24%
  • China A50 (China): -0,15%
  • DJ Shanghai (China): -0,46%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,29%
  • SET (Tailândia): mercado fechado
  • Nikkei (Japão): +0,72%
  • ASX 200 (Austrália): +0,04%
  • Kospi (Coreia do Sul): +1,07%

Brasil: ambiente político e econômico

Enquanto os países pelo mundo buscam a recuperação da crise, do lado de cá, o contrário: a pandemia chegou ao patamar das 3-4 mil mortes diárias para ficar. Pelo menos por um tempo, enquanto não surtem os efeitos dos fechamentos parciais de estados e grandes cidades, com o intuito de travar o avanço do vírus.

Enquanto governadores de prefeitos ao menos tentam fazer alguma coisa e já há algum efeito positivo na curva de contaminação, a economia, como esperado, sofre.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou que o Brasil é a única grande economia do mundo em desaceleração.

Segundo o relatório divulgado com base nos indicadores antecedentes do órgão, a atividade econômica tem contra-atacado a crise em boa parte do planeta, inclusive nos emergentes, menos no Brasil.

O índice composto de indicadores antecedentes (Composite leading indicators–CLIs), caiu 0,32% no Brasil em março, na comparação com fevereiro. Nas outras 7 maiores economias do globo, houve alta de 0,24%.

Enquanto indicadores de Índia, Rússia e China crescem em ritmo constante, no Brasil “os números mostram uma desaceleração do crescimento”, destacou a OCDE.

China, EUA, Japão, zona do euro, Rússia, todos podem já vislumbrar crescimentos. A diferença dessas regiões do planeta para o Brasil? Ninguém jogou contra a lógica e fez pouco da pandemia.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), defendeu o aumento do fluxo de vacinas para o Brasil em conversa com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres. Lira e Guterres discutiram a gravidade da situação sanitária no País.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também participou da reunião.

“Conversei hoje, ao telefone, com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, para explicar sobre a grave situação sanitária em que se encontra o País. Falei da necessidade de aumentarmos o fluxo de entrega de vacinas ao País”, disse Lira por meio de suas redes sociais.

Na sequência, segundo noticia a CNN, o Fórum de Governadores também será recebido pela ONU para tratar do tema.

Na próxima sexta-feira (16), Amina Mohamed, secretária-geral adjunta da ONU, irá se encontrar com o governador Wellington Dias (PT), do Piauí, responsável pela articulação por vacinas no grupo que reúne os chefes dos Executivos estaduais.

“O pedido é para que a ONU coordene uma ‘ajuda humanitária’ para o Brasil, sob o argumento de que o país, com a pandemia de Covid-19 descontrolada, representa ‘graves riscos para o mundo’, diante da geração de novas variantes da doença no país”, diz a matéria.

A entidade mundial não confirma “prioridade”, mesmo na situação do país.

O colunista do Portal UOL, Tales Faria, informou que “nas conversas com líderes partidários, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, acenou que não poderá determinar explicitamente a ampliação do escopo da CPI da Covid para investigar estados e municípios, além do governo federal, mas que, na prática, isso poderá ocorrer sempre que se localizar ‘fatos correlatos’ às apurações envolvendo desvios de verbas da União”. É uma derrota para o governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

A ideia é apensar à CPI original, pedida pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o requerimento do senador Eduardo Girão (Podemos-CE),aliado de Bolsonaro, que pede a investigação de estados e municípios.

E tem o “problema MDB”. O relator da CPI deverá ser partido, que “não abre mão da relatoria e tem três pesos-pesados da legenda como membros da comissão: o líder Eduardo Braga (AM), os ex-presidentes da Casa Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA), este último como suplente. Todos são considerados pelo governo como oposicionistas”, ressalta Faria.

Ter o MDB no campo oposto nunca foi algo bom.

Outro problema: o governo federal afirmou, repetidas vezes, que não tinha a intenção de driblar o teto de gastos, mas parece que isso será necessário para a aprovação do Orçamento de 2021.

Segundo dados obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) está sendo preparada para destravar os novos programas de combate à crise causada pela Covid-19.

De acordo com a publicação, a PEC permitirá um gasto de até R$ 18 bilhões em obras patrocinadas por parlamentares fora do teto de gastos e de outras regras fiscais. Por trás do movimento, ele mesmo: Paulo Guedes, o ministro da Economia.

A equipe do ministro Paulo Guedes, um dos principais defensores do respeito ao teto de gastos, foi procurada e assegurou que “nada está definido” sobre o assunto.

Na questão dos dados, pelo segundo mês consecutivo, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda registrou, em março, alta da taxa para todas as faixas de renda.

As famílias mais atingidas no mês foram as de renda média (rendimentos entre R$ 4.127,41 e R$ 8.254,83) e média alta (entre R$ 8.254,83 e R$ 16.509,66). No primeiro grupo a inflação de fevereiro para março passou de 0,98% para 1,09%; no segundo grupo, foi de 0,97% para 1,08%. Os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) foram divulgados nesta terça-feira (13)

Assim como ocorreu em fevereiro, o segmento de Transportes foi o que mais contribuiu para a alta da inflação em todas as faixas de renda, no mês de março.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 49 subiram, 2 ficaram estáveis (BBAS3 e PETR3) e as outras 30 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 103,58 (+0,17%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,97 (+0,33%)
  • PetroRio (PRIO3): R$ 100,50 (+3,70%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 27,29 (-0,04%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 25,50 (-0,86%)

Maiores altas

  • Lojas Americanas (LAME4): R$ 24,07 (+9,31%)
  • B2W (BTOW3): R$ 68,98 (+8,97%)
  • Cogna (COGN3): R$ 4,33 (+5,87%)
  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 39,11 (+5,70%)
  • Yduqs (YDUQ3): R$ 32,67 (+4,38%)

Maiores baixas

  • Eneva (ENEV3): R$ 16,78 (-7,09%)
  • MRV (MRVE3): R$ 17,99 (-2,76%)
  • Cielo (CIEL3): R$ 3,75 (-2,09%)
  • Marfrig (MRFG3): R$ 17,86 (-2,08%)
  • Ecorodovias (ECOR3): R$ 11,47 (-1,97%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,39% (51.320,10 pontos)
  • IBrX 50: +0,45% (19.915,70 pontos)
  • IBrA: +0,33% (4.818,94 pontos)
  • SMLL: +0,02% (2.922,11 pontos)
  • IFIX: -0,06% (2.843,37 pontos)
  • BDRX: +0,61% (13.943,93 pontos)

Commodities

  • Brent (para junho): US$ 63,67 (+0,62%)
  • WTI (para maio): US$ 60,18 (+0,80%)
  • Ouro (junho): US$ 1.747,60 (+0,85%)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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