Ação ordinária e ação preferencial: qual a diferença?

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

Crédito: Reprodução / Pixabay

Você sabia que na bolsa de valores existem vários tipos de ações? As mais comuns são as ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN). Hoje vamos explicar qual é a diferença entre estes dois tipos.

Primeiramente, esta distinção entre ON e PN é uma característica do mercado de capitais brasileiro. Na maioria dos países do mundo, não existem estas duas classes de ações.

Criada na década de 70, a ação PN dá vantagem ao acionista na hora de receber dividendos. No entanto, o investidor que detém ações PN não tem direito a votar nas assembleias.

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Assim como aconteceu em outras partes do mundo, as ações preferenciais devem cair em desuso no Brasil.

Mas por enquanto, elas são uma boa opção para investidores de curto prazo, ou aqueles que investem de olho nos dividendos. Confira todos os detalhes sobre este tema:

O que é uma ação ON? 

Os compradores das ações ordinárias nominativas (ON) têm direito de voto nas assembleias da empresa.

Assembleias são reuniões em que os acionistas tomam decisões sobre os rumos da empresa. Por exemplo, podem decidir sobre investimentos, mudanças na diretoria e sobre a compra e venda de outros negócios.

Além disso, o nome das ações ordinárias sempre terminam com o número 3. Por exemplo, as ações ON da Marfrig têm o ticker MRFG3.

Poder de voto

É importante notar que o pequeno investidor terá o direito de voto bem limitado nas assembleias, proporcional ao número de ações ON que detém.

Quanto mais ações ordinárias o investidor possuir, maior será o seu poder de voto nas assembleias da empresa.

Proteção

As ações ON são protegidas pela Lei das Sociedades Anônimas com o tag along de pelo menos 80%, podendo chegar a 100%. Ou seja, em caso de venda, o pequeno investidor deve receber pelo menos 80% do valor da cotação de mercado.

Melhor governança

A maioria das novas empresas da B3 possuem apenas ações ON. Isso ocorre porque existe uma cobrança do mercado por maior poder de decisão dos acionistas nas companhias. As empresas que entram no Novo Mercado, nível mais alto de governança corporativa da B3, podem ter somente ações ON.

De acordo com Elias Wiggers, assessor de investimentos da EQI, as empresas do Novo Mercado são em geral melhores avaliadas pelos investidores e recebem também graus de risco menores nas avaliações das agências de classificação de risco.

Isso ocorre devido à maior adesão de preceitos da governança corporativa adotadas pelas empresas que aderem a esse segmento na bolsa.

A Vale, por exemplo, tinha no passado ações ON e PN, mas desde 2017 possui apenas ações ordinárias. A Petrobras deve seguir o mesmo caminho. “É uma evolução do mercado que isso aconteça”, explica.

O que é uma ação PN?

As ações PN não dão direito de voto ao acionista. Desta forma, os detentores de ações PN podem votar apenas em algumas situações específicas.

Por exemplo, quando a empresa tem prejuízo frequentes e deixa de pagar dividendos por três anos seguidos.

Vale destacar que algumas empresas também dão direito de tag along para as ações PN. Isso está detalhado no estatuto de cada companhia.

Dividendos

A vantagem das ações PN é que elas dão preferência no recebimento de dividendos. Justamente por isso, é comum que as ações PN tenham preço mais elevado que a ação ON da mesma empresa.

Além disso, em caso de falência da empresa, existe prioridade no reembolso de capital.

As ações PN levam o número 4 no final do nome. Por exemplo, PETR4. Vale destacar que as ações PN podem ter várias classes, a depender da empresa.

Liquidez

Em geral, ações PN possuem mais liquidez do que as ON. Diante desse cenário, muitos investidores consideram que esse tipo de ação é melhor para o pequeno investidor, pois são mais fáceis de ser negociadas. Em outras palavras, é mais fácil o investidor vender este tipo de papel.

“Para quem está olhando para o curto prazo, certamente a PN é melhor”, explica o especialista da EQI. Da mesma forma, a PN é mais indicada para quem está investindo de olho em dividendos.

As PN também podem compensar mais para os investidores que têm pouco capital investido. Isso porque, mesmo com uma ação ON e direito a voto, ele não terá poder de fogo nas assembleias.

Já para quem tem foco de longo prazo, a ação ON é uma boa pedida, de acordo com o especialista. Isso devido à garantia de tag along e envolvimento nas decisões da empresa.

História das PN

As ações preferenciais foram criadas no Brasil em 1977, na edição original da Lei das S.A. Segundo o advogado e professor Roberto di Cillo, naquela época o governo brasileiro queria atrair investidores para o mercado de capitais.

Para isso, o governo se inspirou em leis norte-americanas nos anos 1930 e criou as ações preferenciais.

A ideia era atrair investidores que estivessem interessados em receber dividendos mais garantidos. Em contrapartida, os titulares de ações ordinárias ficariam para um segundo plano.

“O objetivo era oferecer uma vantagem de distribuição preferencial de dividendos que não estava disponível para quem participava votando do capital das empresas”, explica.

Com o passar dos anos, o mercado norte-americano abandonou as ações preferenciais, embora o modelo ainda seja comum no Brasil.

Resumindo

Confira agora as principais diferenças entre ações ordinárias e preferenciais.

Direito de voto na assembleia garantido:

Obrigatório na ON e opcional na PN

Tag Along no caso de venda da empresa:

Obrigatório na ON e opcional na PN

Preferência no recebimento de dividendos:

Apenas na PN

Liquidez:

Normalmente maior na PN do que na ON.

E se a empresa tem os dois tipos?

Você pode estar se perguntando como escolher entre a ON e a PN quando a empresa tem os dois tipos de ações.

Neste caso, o primeiro passo é avaliar qual das duas tem mais liquidez. Ou seja, qual é mais fácil de negociar.

Caso as duas tenham liquidez, o investidor deve comparar o preço e o dividendo pago. Caso a PN pague um dividendo 15% maior, por exemplo, então seu preço deve ser 15% superior ao da ação ON, explica Wiggers, da EQI.

Se a diferença de preço for menor que 15%, vale a pena comprar a PN. Se a diferença for superior a 15%, é preferível comprar a ação ON.

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