Bolsa de valores resiste à política nacional e fecha o dia com mais 0,11%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores fechou a quarta-feira (7) mais uma vez perto da estabilidade, com mais 0,11%, durante uma constante gangorra na maior parte do dia. O movimento foi o mesmo visto em Wall Street, que também fechou misto, perto do zero. O índice encerrou o pregão com 117.623,58 pontos.

O Ibovespa chegou a operar no negativo na parte da manhã, mas à tarde voltou-se ao positivo com mais força, com a boa nova do IRB Brasil (IRBR3), depois do ressegurador informar encerramento de fiscalização especial do órgão regulador, a Superintendência de Seguros Privados (Susep); e com o bom avanço da Vale (VALE3), que bateu nova máxima histórica.

Mas no Brasil nada é sem emoção e no final da tarde o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu mais uma amostra de inconsequência ao afirmar que “é inadmissível o presidente anterior da Petrobras (PETR3 PETR4) aumentar o preço do gás em 39%… podemos mudar essa política de preços na Petrobras”. Para ele, a população não pode viver em meio a uma “sanha arrecadatória”.

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Na virada de fevereiro para março, a Petrobras se viu em meio a uma crise, com a ingerência de Bolsonaro na companhia. Ele indicou um novo presidente para a petrolífera, o general Joaquim Silva e Luna, para o lugar de Roberto Castello Branco. A Assembleia Geral Extraordinária para confirmação está marcada para 12 de abril.

No final, o índice brasileiro acabou resistindo no positivo.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 116.747,95 pontos (-0,64%); e na máxima, 118.303,28 pontos (+0,68%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 28,710 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (5): +1,97% (117.518,44 pontos)
  • terça-feira (6): -0,02% (117.498,87 pontos)
  • quarta-feira (7): +0,11% (117.623,58 pontos)
  • semana: +2,06%
  • abril: +0,85%
  • 2021: -1,17%

Dólar

O dólar ganhou fôlego nesta quarta. A moeda norte-americana subiu 0,78%, valendo R$ 5,6434.

  • segunda-feira (5): -0,62% a R$ 5,6798
  • terça-feira (6): -1,41% a R$ 5,5998
  • quarta-feira (7): +0,78% a R$ 5,6434
  • semana : -1,25% a R$ 5,6434

Euro

  • segunda-feira (5): -0,36% a R$ 6,6888
  • terça-feira (6): -0,75% a R$ 6,6386
  • quarta-feira (7): +0,66% a R$ 6,6823
  • semana: -0,45% a R$ 6,6823

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Ata da última reunião do Federal Reserve (Fed) mostrou o compromisso do banco central com uma política acomodatícia a fim de apoiar uma recuperação econômica total.

Funcionários do Fed indicaram que o ritmo de compras de ativos permanecerá o mesmo por algum tempo, enquanto o banco central persegue seus objetivos econômicos.

“Os participantes observaram que provavelmente levará algum tempo até que progressos substanciais em direção às metas de emprego máximo e estabilidade de preços do Comitê sejam realizados e que, de acordo com a orientação baseada em resultados, as compras de ativos continuarão pelo menos no ritmo atual até então”, dizia a ata da reunião.

Os formuladores de políticas esperam que a economia se recuperasse substancialmente em 2021 em meio à reabertura econômica e acreditam que um crescimento mais forte do que a média nos anos seguintes continuará a facilitar a recuperação do mercado de trabalho.

“O crescimento real do PIB foi projetado para ser substancial este ano e a taxa de desemprego deve cair acentuadamente”, disse a ata.

O Departamento do Tesouro dos EUA, comandado por Janet Yellen, detalhou hoje como será o plano que pode injetar até US$ 2,5 trilhões na economia.

De acordo com a nota divulgada, o plano desenvolvido pelo presidente Joe Biden, que prevê novas tributações às empresas, podem gerar receitas de US$ 2 milhões em investimentos na infraestrutura do País, mas chegar a até US$ 2,5 tri nos próximos 15 anos.

Um dos pontos do plano da Secretaria do Tesouro dos EUA é o de aumentar o imposto corporativo da alíquota atual, de 21%, para 28%. Além disso, estão previstas a criação de um imposto mínimo global, a implementação de um piso de 15% para o IR de grandes corporações e uma melhor supervisão no pagamento de impostos.

“O impacto principal seria nos lucros das empresas de petróleo e gás. Pesquisa sugere pouco impacto sobre os preços da gasolina ou da energia para os consumidores dos EUA e pouco impacto sobre a nossa segurança energética”, pontuou a secretaria, em nota.

Na Europa, as bolsas recuaram, com exceção do londrino FTSE 100.

Segundo a CNBC, o índice de exportação pesada foi impulsionado pelo enfraquecimento da libra em relação ao dólar e pelo otimismo sobre o rápido progresso da distribuição de vacinas em todo o Reino Unido.

Apesar disso, tem a questão o imunizante da AstraZeneca. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla original) concluiu que existe uma possível ligação entre a vacina desenvolvida pela AstraZeneca e Universidade de Oxford e raros problemas de coagulação do sangue em adultos que receberam a injeção. Já foram relatados 222 casos no universo de 34 milhões vacinados.

Em relação aos dados, o índice final do gerente de compras composto da zona do euro (PMI) da IHS Markit mostrou que a atividade empresarial no bloco voltou a se recuperar em março, apesar da reintrodução de restrições em vários países.

O PMI composto, que combina manufatura e serviços e é visto como um indicador útil da saúde econômica, ficou em 53,2, acima dos 48,8 em fevereiro e acima da estimativa instantânea de 52,5. Acima de 50 pontos indica crescimento. Abaixo, contração.

Nova York

  • S&P: +0,15%
  • Nasdaq: -0,07%
  • Dow Jones: +0,05%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -0,34%
  • DAX (Alemanha): -0,24%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,91%
  • CAC (França): -0,01%
  • IBEX 35 (Espanha): -0,43%
  • FTSE MIB (Itália): -0,08%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,10%
  • SZSE Component (China): -0,74%
  • China A50 (China): -1,62%
  • DJ Shanghai (China): -0,30%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -1,24%
  • SET (Tailândia): -1,46%
  • Nikkei (Japão): +0,12%
  • ASX 200 (Austrália): +0,61%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,33%

Brasil: ambiente político e econômico

No Brasil, também há espera, mas para ver se Executivo e Legislativo se entendem com relação ao Orçamento 2021. A compreensão no mundo financeiro e político é que há mais pontos de convergência do que atritos, mas os atritos fazem mais barulhos. Foi o que aconteceu hoje, com o relator do Orçamento classificando as atitudes do Ministério da Economia, de Paulo Guedes, de “deslealdade”.

“O que o Ministério da Economia está fazendo agora comigo posso classificar, no mínimo, como deslealdade”, disse o relator do texto do Orçamento 2021, Marcio Bittar (MDB-AC).

Ele foi responsabilizado pelo governo por cortes de cerca de R$ 30 bilhões em despesas obrigatórias da Previdência, do auxílio-doença e do seguro-desemprego na peça aprovada em março pelo Congresso Nacional e que agora aguarda sanção da Presidência da República.

Bittar se defende dizendo que “nada foi feito sem conhecimento ou consentimento do Ministério da Economia”.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), já acusou a pasta de Guedes de fazer “terrorismo” nas críticas ao texto aprovado.

Isso porque os parlamentares inflaram o Orçamento 2021 com mais de R$ 30 bi em emendas para obras em seus currais eleitorais, e a contrapartida são esses cortes em despesas obrigatórias, do tipo depois-a-gente-resolve.

Mas há problema maior – ou deveria haver, aos olhos das autoridades que deveriam comandar o país.

Nesta terça-feira (6), o Conselho Nacional de Secretárias Estaduais de Saúde (Conass) divulgou um número assustador: 4.195 pessoas morreram no Brasil por conta da Covid-19, no relatório do dia.

O número pode ter sido atingido graças ao acúmulo de sexta (feriado), sábado e domingo, quando as secretarias estaduais normalmente imputam menos dados em seus balanços por terem menos gente trabalhando, mas não se pode descartar o aumento real de mortes. Na Semana Santa, com um dia útil a menos, o Brasil atingiu sua pior média semanal cheia (de domingo a sábado, no caso, de 28 de março a 3 de abril), com 2.806 mortos diários. Os mais de 4 mil de ontem entram na conta da semana de 4 a 10 de abril.

Enquanto o presidente Bolsonaro segue contra as medidas de restrição de circulação e isolamento social e o mercado está de olho em quanto o Orçamento 2021 vai estourar o Teto de Gastos, as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) de 90% das capitais do país estão com lotação máxima e mais gente deve continuar morrendo.

Ao mesmo tempo, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do projeto que permite à iniciativa privada comprar vacinas para a imunização gratuita de seus empregados.

O substitutivo aprovado, da deputada Celina Leão (PP-DF), prevê que essas compras, se feitas junto a laboratórios que já venderam vacinas ao governo federal, poderão ocorrer apenas depois do cumprimento integral do contrato e da entrega dos imunizantes ao Ministério da Saúde.

Os deputados começam a analisar agora os destaques apresentados ao texto na tentativa de fazer mudanças. O projeto é de autoria do deputado Hildo Rocha (MDB-MA).

O projeto é criticado por muita gente, por ter potencial para criar um “apartheid de vacinas”, onde ricos poderão se vacinar e pobres e desempregados ficariam sem imunização. O Brasil seria o único país do mundo a tirar do poder público a exclusividade de negociar vacinas, na contramão do entendimento lógico.

Ainda se questiona se grandes empresas como a Pfizer, por exemplo, sujaria seu nome e reputação vendendo para qualquer agente que não seja o público, diante da escassez global de vacinas.

No campo dos dados, a demanda por bens industriais no Brasil caiu 1,2% em fevereiro, na comparação com o mês anterior. Também foi registrada queda de 0,7% na importação de bens industriais e de 1,6% na produção interna destinada ao mercado nacional.

Os dados são do Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais, levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A nova edição da pesquisa foi divulgada hoje (6).

Os saques da Caderneta de Poupança em março bateram um recorde para o mês nos últimos quatro anos, segundo o Banco Central.

De acordo com a instituição, a saída líquida de R$ 3,524 bilhões entre os dias 1º e 31 do mês passado foi a maior registrada desde 2017, quando R$ 4,996 bilhões deixaram a aplicação.

O valor foi alcançado porque os saques somaram R$ 321,174 bilhões, enquanto os depósitos ficaram em R$ 317,650 bilhões no período.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 32 subiram, 1 ficou estável (CPLE6) e as outras 48 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 104,56 (+2,46%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 24,00 (-0,08%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 25,32 (-1,09%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 26,89 (-0,88%)
  • Banco do Brasil (BBAS3): R$ 29,36 (-0,64%)

Maiores altas

  • Braskem (BRKM5): R$ 44,67 (+5,95%)
  • Minerva (BEEF3): R$ 10,61 (+4,22%)
  • Hapvida (HAPV3): R$ 15,22 (+3,89%)
  • Tim (TIMS3): R$ 12,59 (+2,86%)
  • Notre Dame Intermédica (GNDI3): R$ 83,85 (+2,58%)

Maiores baixas

  • Hering (HGTX3): R$ 16,48 (-3,34%)
  • Rumo (RAIL3): R$ 20,25 (-3,25%)
  • B2W (BTOW3): R$ 61,27 (-2,96%)
  • Energisa (ENGI11): R$ 43,58 (-2,27%)
  • Lojas Americanas (LAME4): R$ 22,19 (-2,25%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,30% (50.711,48 pontos)
  • IBrX 50: +0,33% (19.695,36 pontos)
  • IBrA: +0,32% (4.759,41 pontos)
  • SMLL: -0,13% (2.857,77 pontos)
  • IFIX: -0,02% (2.843,30 pontos)
  • BDRX: +0,72% (13.464,03 pontos)

Commodities

  • Brent (para junho): US$ 63,16 (+0,67%)
  • WTI (para maio): US$ 59,77 (+0,74%)
  • Ouro (junho): US$ 1.740,60 (+0,14%)

Com Wisir Research, BDM e CNBC