Bolsa de valores perde 0,82% na contramão das altas em Wall Street

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores recuou 0,82% nesta quinta-feira (28), ajustando a alta de ontem e fechou com 120.065,75 pontos, a despeito da alta folgada dos índices mais importantes em Nova York.

Wall Street assimilou a previsível decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de ontem, de manter a política econômica como está e focou também nos dados econômicos divulgados.

Simule seus investimentos com um especialista e confira as melhores opções de acordo com seu perfil

No Brasil, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aprovou o primeiro calendário de convocações de testemunhas, com o governo federal acuado. Os interrogatórios começam no dia 4 de abril, próxima terça-feira.

Na questão da pandemia, o Brasil chegou hoje à contagem de 400 mil mortos em território nacional, projetando 500 mil (segundo pesquisadores norte-americanos) e até mesmo 600 mil óbitos ainda em 2021.

Há ainda, segundo lembra o BDM, “grande expectativa no mercado para a sessão desta tarde no STF (Supremo Tribunal Federal), que deve decidir se mantém a retirada do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, em uma questão que representa alto impacto tanto para a União como para as companhias abertas”.

A B3 (B3SA3) divulgou terceira e última prévia do Ibovespa, que vale entre maio e agosto, e não trouxe alterações em relação às duas prévias divulgadas anteriormente. Com isso, ficam confirmadas as entradas de Locaweb (LWSA3) e Banco Inter (BIDI11)) e nenhuma exclusão. O Ibovespa passa a contar com 84 ações a partir de maio.

Hoje marcou também a estreia das ações da Caixa Seguridade (CXSE3).

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 119.702,87 pontos (-1,12%); e na máxima, 121.497,86 pontos (+0,37%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 31,590 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (26): +0,05% (120.594,61 pontos)
  • terça-feira (27): -1,00% (119.388,37 pontos)
  • quarta-feira (28): +1,39% (121.052,52 pontos)
  • quinta-feira (29): -0,82% (120.065,75 pontos)
  • semana: -0,39%
  • abril: +2,94%
  • 2021: +0,88%

Dólar

O dólar caiu mais uma vez nesta quinta. A moeda norte-americana recuou 0,42%, valendo R$ 5,3360.

  • segunda-feira (26): -0,88% a R$ 5,4487
  • terça-feira (27): +0,23% a R$ 5,4612
  • quarta-feira (28): -1,82% a R$ 5,3616
  • quinta-feira (29): -0,42% a R$ 5,3360
  • semana : -2,89% a R$ 5,3360

Euro

  • segunda-feira (26): -0,86% a R$ 6,5672
  • terça-feira (27): +0,38% a R$ 6,5919
  • quarta-feira (28): -1,65% a R$ 6,4834
  • quinta-feira (29): -0,26% a R$ 6,4667
  • semana: -2,12% a R$ 6,4667

Criptomoedas*

  • Bitcoin: -6,53% a R$ 279.907,83
  • Ethereum: -1,96% a R$ 14.346,09
  • Binance: +1,77% a R$ 3.069,01

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

O discurso dos 100 dias de governo de Joe Biden no Congresso norte-americano ontem, defendendo medidas para reaquecer a economia e distribuir renda que podem chegar a US$ 6 trilhões, enterrou de vez a austeridade nada eficiente do seu antecessor Donald Trump.

São US$ 6 trilhões, divididos em US$ 1,9 tri para combate à pandemia (já aprovado e em andamento), US$ 2,3 tri para injetar em infraestrutura e energia (pelos próximos oito anos, mas ainda em discussão no Congresso, com dificuldades de avançar) e US$ 1,8 tri para a educação e distribuição de renda (ideia lançada ontem, em discurso de 100 dias de governo de Biden no Congresso).

Se tudo fora a cabo será o maior aporte de dinheiro de um governo na economia em toda a história.

E enterrou de vez a Era Trump: “os EUA estão emergindo de novo. Escolhendo a esperança em vez do medo. A verdade acima das mentiras. A luz sobre as trevas. Após 100 dias de recuperação e renovação, os EUA estão prontos para decolar. Estamos trabalhando novamente. Sonhando novamente. Descobrindo novamente. Liderando o mundo novamente”.

Não só um recado para Trump, mas para todos aqueles líderes que o seguem como exemplo, o que inclui Jair Bolsonaro (sem partido), o isolado internacionalmente presidente brasileiro.

Sem citar o chefe da nação brasileira, Biden listou uma série de desejos como presidente que contrariam as ideias de Bolsonaro: eliminar o racismo estrutural (mais um sonho do que um projeto); salários iguais para homens e mulheres em cargos semelhantes, algo que o presidente do Brasil é contra; mais impostos para os ricos (“é hora de as corporações americanas e o 1% mais rico dos americanos pagarem sua parte justa”); fortalecer o sindicalismo; aumentar o salário mínimo (algo que Bolsonaro também evita); melhorar o combate contra o aquecimento global; trabalhar por igualdade de gênero e respeito à diferenças (ressaltou à comunidade LGBTQ que “este presidente apoia todos vocês”); e especialmente mais dinheiro para a educação.

Sobre o aumento de imposto, declarou: “muitas empresas sonegam impostos por meio de paraísos fiscais, da Suíça às Bermudas e às Ilhas Cayman, e se beneficiam de brechas e deduções fiscais que permitem o offshoring de empregos e a transferência de lucros para o exterior. Isso não está certo”.

Biden, entretanto, deve encontrar enormes dificuldades para aprovar essa dinheirama toda para uso de suas políticas. Apesar dos Democratas terem maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, o placar é apertado e ele teria que convencer muitos dos seus próprios partidários.

O novo plano do presidente Joe Biden para impulsionar a rede de segurança social não expandirá a cobertura do Medicare. Esse fato pode irritar os democratas que pensavam justamente em expandir o programa de saúde para mais americanos.

A primeira prévia do Produto Interno Bruto (PIB) americano do primeiro trimestre de 2021 teve leitura de 6,4%, acima da projeção de 6,1% do mercado.

Ele também veio acima do quarto trimestre de 2020, quando a alta foi de 4,3%. Um ano atrás, no primeiro trimestre de 2020, início da crise do coronavírus, houve recuo do PIB de 5%.

O resultado divulgado hoje pelo Bureau of Economic Analysis, do Departamento do Comércio, indica retomada do crescimento, após o PIB ter alcançado números recordes (tanto de queda quanto de recuperação) em 2020, por conta da pandemia. Vale lembrar que, no terceiro trimestre do ano passado, o PIB dos EUA aumentou 33,4%, depois de um tombo de 31,4%.

As justificativas para o resultado deste trimestre são a bem-sucedida campanha de vacinação, que está viabilizando a reabertura do país, e o pacote de auxílio à pandemia de US$ 1,9 trilhão.

Esse é um dos argumentos para os opositores de Biden barrarem os trilhões que ele ainda pretende gastar: a economia já está se recuperando, a vacinação está ampla o suficiente para prever uma derrocada da pandemia em solo norte-americano, então precisa de mais dinheiro? O debate vai longe.

Assim, as ações em Wall Street cresceram hoje, também impulsionadas por bons balanços divulgados por Alphabet, Facebook e Microsoft.

Na Europa, os dados mostram que o bom humor econômico da zona do euro aumentou em abril, com a pesquisa mensal da Comissão Europeia mostrando otimismo subindo para 110,3 pontos em comparação com 100,9 em março.

A inflação dos preços ao consumidor na Alemanha cresceu para 2,1% em abril, excedendo a meta do Banco Central Europeu de “perto, mas abaixo de 2%” pelo segundo mês consecutivo. A leitura fez com que os rendimentos dos títulos alemães aumentassem.

Nova York

  • S&P: +0,68%
  • Nasdaq: -0,28%
  • Dow Jones: +0,71%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -0,45%
  • DAX (Alemanha): -0,90%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,03%
  • CAC (França): -0,07%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,27%
  • FTSE MIB (Itália): -0,74%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,52%
  • SZSE Component (China): +0,46%
  • China A50 (China): +1,12%
  • DJ Shanghai (China): +0,71%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +1,01%
  • SET (Tailândia): +0,87%
  • Nikkei (Japão): +0,21%
  • ASX 200 (Austrália): +0,25%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,23%

Brasil: ambiente político e econômico

Começou quente a CPI da pandemia. Numa reunião marcada por embates entre aliados do governo e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), a CPI da Pandemia confirmou a convocação do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e de três ex-titulares da pasta na gestão do presidente Jair Bolsonaro: Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello. As informações são da Agência Senado. 

“As oitivas já têm data agendada”, diz a Agência. “Os dois primeiros a falar aos parlamentares serão Mandetta, na terça-feira (4), a partir das 10h, e Teich, à tarde. O dia seguinte (quarta, dia 5) será dedicado ao general Eduardo Pazuello, que esteve por mais tempo no comando do ministério desde que a pandemia começou. Na quinta-feira (6), será a vez de Marcelo Queiroga.

Também foi aprovado requerimento para convocações do diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, que falará após Queiroga. Todos vão comparecer ao Senado na condição de testemunhas.

Se só as participações de Mandetta, Teich e Pazuello já podem desandar o mingau do governo, os senadores planejam mais para as próximas semanas e há até mesmo a possibilidade de chamar os filhos do presidente para falar.

Da marca de 100 mil mortos (8 de agosto) até a de 200 mil (7 de janeiro) foram quase 5 meses (quase 150 dias). De 200 mil para 300 mil mortos (24 de março), necessitou-se de menos calendário: 73 dias. E agora, para 400 mil mortos, marca alcançada hoje (dia 29 de abril), apenas um mês e cinco dias.

A projeção para as 500 mil mortes, se o quadro não se alterar, é para o começo de junho, perto do dia 5.

O Brasil é o segundo pior em número absoluto de óbitos. Os Estados Unidos são o primeiro, com 590 mil. A Índia, cuja situação está aterrorizando o mundo, passou de 200 mil mortos essa semana, mas deve chegar a 300 mil até o meio de maio. No mundo todo, oficialmente (sem a subnotificação), são 3,2 milhões de mortos.

Na questão dos dados, o Brasil deve ter o pior desempenho econômico entre as dez maiores economias mundiais, considerando o critério da PPC (paridade de poder de compra), que reflete as diferenças de custo de vida entre os países, de acordo com estudo feito a pedido da Folha de S. Paulo pelo FGV Ibre.

Se for considerado o tamanho das economias mundiais com base no PPC, o País deve permanecer em 2021 na 8ª posição pelo terceiro ano seguido. Em 2018, foi o sétimo colocado.

No ano passado, o Brasil conseguiu diminuir a distância para a maioria dos países que estão à sua frente, exceto em relação à China e Indonésia, que tiveram desempenho econômico melhor.

A leitura final do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de abril apontou alta de 1,51%, acima da projeção de 1,45%. Houve recuo em relação a março, quando a alta foi de 2,94%. Mas, ainda assim, o índice acumula alta de 9,89% no ano e de 32,02% em 12 meses.

O IGP-M é o indicador atualmente utilizado para reajuste do aluguel, mas, devido à forte alta, muito vinculado ao preço das commodities, vem sendo substituído nas negociações pelo IPCA. A FGV já admite, inclusive, que estuda substituir o indicador do aluguel.

As vendas reais da indústria paulista caíram 1,3% em março frente a fevereiro, sem efeitos sazonais, conforme aponta o Levantamento de Conjuntura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo com Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp).

Com esse resultado, explica a entidade, as vendas reais da indústria de transformação do estado encerram o 1º trimestre de 2021 com queda de 0,7% em relação ao último trimestre de 2020.

Assim, o Índice de Confiança da Indústria, calculado pela FGV, recuou 0,7 ponto em abril, indo de 104,2 para 103,5 pontos. Este é o menor nível desde agosto de 2020 (quando atingiu 98,7 pontos).

Para efeito de comparação, no pior momento da crise, em abril de 2020, o índice registrava 58,2 pontos. Segundo Claudia Perdigão, responsável pela pesquisa, a queda no indicador decorre do agravamento da situação atual.

A Secretaria do Tesouro Nacional revelou que as contas do governo fecharam março com o melhor resultado desde 2014, ano em que o saldo positivo foi de R$ 4,256 bilhões.

O superávit primário, que ocorre quando as receitas são maiores do que as despesas, foi de R$ 2,101 bilhões no último mês.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 38 subiram, 1 ficou estável (USIM5) e as outras 42 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 111,95 (+0,03%)
  • Lojas Americanas (LAME4): R$ 21,46 (-5,17%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,62 (+3,64%)
  • JBS (JBSS3): R$ 31,62 (-6,14%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 27,32 (-3,15%)

Maiores altas

  • B2W (BTOW3): R$ 68,33 (+7,69%)
  • Ecorodovias (ECOR3): R$ 12,18 (+4,55%)
  • Sabesp (SBSP3): R$ 42,80 (+4,36%)
  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 39,05 (+3,91%)
  • Hering (HGTX3): R$ 28,05 (+2,67%)

Maiores baixas

  • Lojas Americanas (LAME4): R$ 21,46 (-5,17%)
  • Embraer (EMBR3): R$ 15,10 (-4,31%)
  • Santander (SANB11): R$ 39,03 (-3,87%)
  • Bradesco (BBDC3): R$ 20,75 (-3,40%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 27,32 (-3,15%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,70% (52.005,57 pontos)
  • IBrX 50: -0,81% (20.208,18 pontos)
  • IBrA: -0,60% (4.899,47 pontos)
  • SMLL: +0,02% (2.949,95 pontos)
  • IFIX: +0,23% (2.849,01 pontos)
  • BDRX: +0,07% (13.101,73 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (junho)/barril

  • segunda-feira (26): -0,69% (US$ 65,65)
  • terça-feira (27): +1,29% (US$ 65,87)
  • quarta-feira (28): +1,72% (US$ 67,27)
  • quinta-feira (29): +1,90% (US$ 68,05)
  • semana: +4,22% (US$ 68,05)

Petróleo WTI (junho)/barril

  • segunda-feira (26): -0,37% (US$ 61,91)
  • terça-feira (27): +1,66% (US$ 62,94)
  • quarta-feira (28): +1,46% (US$ 63,86)
  • quinta-feira (29): +1,80% (US$ 65,01)
  • semana: +4,55% (US$ 65,01)

Ouro (junho)/onça-troy

  • segunda-feira (26): +0,13% (US$ 1.780,10)
  • terça-feira (27): -0,20% (US$ 1.776,50)
  • quarta-feira (28): -0,27% (US$ 1.773,90)
  • quinta-feira (29): -0,31% (US$ 1.768,30)
  • semana: -0,65% (US$ 1.768,30)

Prata (maio)/onça-troy

  • segunda-feira (26): +0,82% (US$ 26,24)
  • terça-feira (27): +0,77% (US$ 26,38)
  • quarta-feira (28): -1,23% (US$ 26,08)
  • quinta-feira (29): +1,29% (US$ 26,40)
  • semana: +1,59% (US$ 26,40)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

Cases da Bolsa

Aprenda análise fundamentalista de ações na prática, com maiores cases já criados na B3