Bolsa de valores ganha 0,84% e volta a fechar acima dos 120 mil pontos

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores avançou 0,84% nesta quarta-feira (14) e ultrapassou os 120 mil pontos, patamar que não atingia desde 17 de fevereiro (quando fechou com 120.355,79). O Ibovespa acabou o dia com 120.294,68 pontos.

Os investidores esbanjam bom humor, a despeito, mais um dia, dos problemas em Brasília e dos hospitais país afora – além dos efeitos colaterais das vacinas pelo mundo.

Nem mesmo a confirmação do Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), por 10 a 1, de determinar a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), no Senado Federal, para investigar os malfeitos federais na pandemia, desbancou o bom clima. O governo federal que lute para se defender dos erros cometidos e cuja conta já ultrapassa 360 mil mortos de Covid-19.

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Além disso, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, deixou em aberto o próximo aumento da Selic, a taxa básica de juros da economia nacional, mas o provável 0,75% que acredita-se será acrescido aos atuais 2,75% ao ano (levando a taxa a 3,5%), já está precificado.

E ainda teve a temporada de balanços nos Estados Unidos, que começou surpreendendo positivamente o mercado.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 119.297,53 pontos (+0,0001%); e na máxima, 120.871,45 pontos (+1,32%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 61,169 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (12): +0,97% (118.811,74 pontos)
  • terça-feira (13): +0,41% (119.297,13 pontos)
  • quarta-feira (14): +0,84% (120.294,68 pontos)
  • semana: +2,22%
  • abril: +3,14%
  • 2021: +1,08%

Dólar

O dólar caiu nesta quarta. A moeda norte-americana ficou com menos 0,82%, valendo R$ 5,6705.

  • segunda-feira (12): +0,84% a R$ 5,7224
  • terça-feira (13): -0,08% a R$ 5,7176
  • quarta-feira (14): -0,82% a R$ 5,6705
  • semana : -0,07% a R$ 5,6705

Euro

  • segunda-feira (12): +0,97% a R$ 6,8277
  • terça-feira (13): +0,03% a R$ 6,8296
  • quarta-feira (14): -0,67% a R$ 6,7838
  • semana: +0,33% a R$ 6,7838

Criptomoedas*

  • Bitcoin: -1,15% a R$ 353.220,31
  • Ethereum: +2,36% a R$ 13.276,51
  • Binance: -3,47% a R$ 3.051,86

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As bolsas dos EUA caíram, com as ações de tecnologia vendidas, enquanto os investidores digeriam o primeiro lote de balanços corporativos, que em grande parte superou as expectativas.

Ainda teve a aguardada estreia da Coinbase, casa de investimentos em criptomoedas, que flutuou bastante, fazendo o bitcoin, o principal ativo virtual, chegar ao seu recorde (para depois amargar uma cotação negativa nas últimas 24 horas). Segundo a CNBC, Os investidores em criptomoedas estavam saudando a estreia da empresa no mercado de ações como um marco importante para a indústria, após anos de ceticismo de Wall Street e reguladores.

Mas o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, chamou as criptomoedas de “veículos para especulação”. Ainda existem algumas barreiras a serem ultrapassadas.

Powell ainda disse que o banco central reduzirá suas compras de títulos provavelmente bem antes de aumentar as taxas de juros.

“Alcançaremos o momento em que reduziremos as compras de ativos quando tivermos feito um progresso substancial em direção às nossas metas em dezembro passado”, disse Powell ao Clube Econômico de Washington. “Isso seria muito provavelmente antes, muito antes, do momento em que consideraríamos o aumento das taxas de juros. Não votamos nessa ordem, mas esse é o sentido da orientação”.

E começou a temporada de balanços. Fortes ganhos dos bancos ajudaram a sustentar o bom humor. O JP Morgan (JPMC34), Goldman Sachs (GSGI34) e Wells Fargo (WFCO34) puxaram a fila de balanços de Nova York e surpreenderam positivamente o mercado.

As três instituições financeiras reportaram resultados acima do consenso de mercado, com grande destaque para o Goldman Sachs.

O Goldman Sachs reportou lucro líquido de US$ 6,84 bilhões no primeiro trimestre, equivalente a US$ 18,60 por ação, bem acima das expectativas. O lucro líquido esperado era de US$ 10,22 por ação.

A receita do Goldman Sachs foi de US$ 17,7 bilhões no primeiro trimestre, ante projeção de US$ 12,56 bilhões.

No âmbito da pandemia, a vacinação encontrou um problema ontem, com a Food and Drug Administration, agência de drogas e medicamentos dos EUA, pedindo uma pausa preventiva no uso da vacina da Janssen (farmacêutica da Johnson & Johnson), depois que seis pessoas no país desenvolveram um distúrbio raro envolvendo coágulos sanguíneos.

É o mesmo efeito colateral que fez a Dinamarca abandonar definitivamente o uso da vacina da AstraZeneca/Universidade de Oxford. Há um mês, o país escandinavo havia suspendido o uso temporariamente da vacina, por problemas com coágulos. Outros países seguiram a medida e também suspenderam – mas já voltaram a aplicar as doses: Itália, Noruega, França e Alemanha.

O Stoxx 600 pan-europeu encerrou a sessão com alta de 0,2%, com as ações de viagens e lazer ganhando 1,3%, enquanto os serviços públicos caíram cerca de 0,7%.

As ações na Europa receberam algum azul dos mercados da Ásia-Pacífico, onde as ações chinesas de tecnologia listadas em Hong Kong saltaram 12 grandes empresas sinalizarem conformidade com as leis antitruste.

Nos Estados Unidos, as ações subiram para níveis recordes com os investidores digerindo resultados melhores do que o esperado dos principais bancos dos EUA, incluindo Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Wells Fargo.

Com relação aos dados, o setor industrial da zona do euro caiu 1% em fevereiro em relação ao mês anterior. Economistas consultados pela Reuters esperavam um declínio mensal de 1,1%.

Nova York

  • S&P: -0,41%
  • Nasdaq: -0,99%
  • Dow Jones: +0,16%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,23%
  • DAX (Alemanha): -0,17%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,71%
  • CAC (França): +0,40%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,74%
  • FTSE MIB (Itália): -0,10%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,60%
  • SZSE Component (China): +1,55%
  • China A50 (China): +0,51%
  • DJ Shanghai (China): +0,61%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +1,40%
  • SET (Tailândia): mercado fechado
  • Nikkei (Japão): -0,44%
  • ASX 200 (Austrália): +0,66%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,42%

Brasil: ambiente político e econômico

Paulo Guedes, Ministro da Economia, afirmou que toda a confusão envolvendo a nova PEC (Proposta de Emenda à Constituição) e o estouro do teto aconteceu por uma “variante que escapou do laboratório”.

O termo usado pelo economista foi para ilustrar a proposta de tirar R$ 18 bilhões em emendas para obras do teto de gastos.

Guedes afirmou que o envio ao Congresso depende de um texto final e um “combo” que incluiria uma mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e um projeto de lei (PLN) para resolver o impasse do Orçamento de 2021.

“Tem dois orçamentos. Não adianta fazer confusão e querer pular de um para o outro”, informou ao jornal paulista Estadão uma fonte próxima ao ministério.

O time de Guedes não concorda com uma proposta que pede a retirada dos R$ 18 bilhões do teto para obras sem ligação com o combate à pandemia.

Segundo o Ministério, tudo que for orçamento de gastos que envolvem a doença, como auxílio emergencial, vacinas, programa de redução de jornada e salário ou suspender contratos de trabalhadores, fica fora do teto de gastos e, por conta disso, a PEC é vista como essencial para dar segurança jurídica à retomada dos programas.

E foi até fácil. O Pleno do STF deu vitória por 10 a 1 ao entendimento de que o Senado Federal tem que iniciar a CPI da pandemia.

O meio político tinha o resultado como favas contadas e os bastidores já começaram a ferver desde ontem (13), com o governo tentando minar as vagas dos chamados senadores independentes e buscando a relatoria e a presidência da Comissão. Não será um movimento fácil.

Os senadores bolsonaristas tentam também tirar o foco do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e levar para os governadores, especialmente os do espectro ideológico da esquerda, como Rui Costa (PT-BA), Flávio Dino (PCdoB-MA) e Camilo Santana (PT-CE). Renan Calheiros Filho (MDB-AL) não é exatamente um político identificado com a esquerda, mas seu pai, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), é o mais forte candidato à relatoria da Comissão, e seu filho pode ser usado para atacá-lo.

O Senado deu nesta terça (13) o primeiro passo para a instalação e andamento da CPI. Na sessão de ontem, o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), leu o requerimento de criação da CPI.

A comissão vai investigar ações e omissões do governo federal durante pandemia, além de apurar e fiscalizar recursos da União repassados a Estados e municípios.

Agora, os partidos indicam os membros integrantes da comissão. Ela será composta por 11 senadores titulares e sete suplentes. O prazo de duração da CPI será de 90 dias para conclusão das investigações.

E a Selic? No mês passado, o BC aumentou em 0,75 ponto percentual a taxa de juros, maior elevação em uma década. E um novo aumento nesse patamar deve vir agora em maio, o que levaria a Selic para 3,5%. Mas, segundo o presidente do BC, Roberto Campos Neto “nada está escrito em pedra” e o país pode enfrentar condições muito diferentes de agora em diante.

“Não achamos que isso é o cenário mais provável, mas temos cenários alternativos e temos sido transparentes quanto a isso”, disse ele em entrevista à TV Bloomberg.

Hoje a inflação anual está em alta de 6,10%, bem acima da meta de 3,75% estabelecida para 2021.

Assim, a Selic ainda está abaixo do que muitos investidores acreditam ser necessário para manter a inflação sob controle, especialmente após uma nova rodada de auxílio emergencial. No mercado há quem acredite que o BC deve levar a taxa básica de juros para mais de 6% até o final deste ano.

Apesar do cenário político conturbado e o agravamento da pandemia de Covid-19 no país, analistas esperam uma valorização adicional do Ibovespa neste ano.

A mediana das estimativas coletadas pelo jornal Valor Econômico com 12 instituições financeiras para o principal índice da bolsa brasileira ficou em 130 mil pontos em dezembro, valorização de 9% em relação à marca atual de 119 mil pontos. As projeções variam de 128 mil a 140 mil pontos.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 40 subiram, 1 ficou estável (ECOR3) e as outras 40 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 107,00 (+3,30%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 24,35 (+1,59%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 27,64 (+1,28%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 25,80 (+1,18%)
  • CSN (CSNA3): R$ 46,51 (+3,17%)

Maiores altas

  • Marfrig (MRFG3): R$ 18,85 (+5,54%)
  • CVC (CVCB3): R$ 21,43 (+5,36%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 20,81 (+4,21%)
  • Minerva (BEEF3): R$ 11,02 (+3,86%)
  • Vale (VALE3): R$ 107,00 (+3,30%)

Maiores baixas

  • Cogna (COGN3): R$ 4,13 (+4,62%)
  • SulAmérica (SULA11): R$ 32,60 (-3,44%)
  • Iguatemi (IGTA3): R$ 36,82 (-3,18%)
  • Lojas Americanas (LAME4): R$ 23,31 (-3,16%)
  • Eneva (ENEV3): R$ 16,31 (-2,80%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +1,00% (51.835,75 pontos)
  • IBrX 50: +1,23% (20.160,78 pontos)
  • IBrA: +0,98% (4.866,23 pontos)
  • SMLL: +0,10% (2.925,05 pontos)
  • IFIX: -0,10% (2.840,54 pontos)
  • BDRX: -1,85% (13.686,09 pontos)

Commodities

  • Brent (para junho): US$ 66,58 (+4,57%)
  • WTI (para maio): US$ 63,15 (+4,94%)
  • Ouro (junho): US$ 1.736,30 (-0,64%)

Com Wisir Research, BDM e CNBC