Bolsa perde 4,80% em setembro, no 2º mês seguido de queda

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Divulgação/B3

A bolsa de valores fechou o mês de setembro com baixa de 4,80%, no segundo mês seguido de baixa. A sessão desta quarta-feira (30) tentou minimizar: subiu 1,09%, indo a 94.603,38 e recuperando um pouco do tombo acumulados nos dias anteriores. Dessa vez, ajudaram os dados sobre emprego no Brasil e a alta em Nova York.

Entretanto, o terreno ainda anda muito instável, com o ambiente político interno e econômico global, especialmente com as indefinições sobre a pandemia.

Na mínima desta quarta, o Ibovespa ficou em 93.584,12 pontos (+0,004%); e na máxima foi a 95.340,12 pontos (+1,88%).

O volume financeiro negociado hoje foi de R$ 23,689 bilhões.

No ano, as perdas acumuladas estão em 18,20%.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (28): -2,41% (94.666,37 pontos)
  • terça-feira (29): -1,15% (93.580,35 pontos)
  • quarta-feira (30): +1,09% (94.603,38 pontos)
  • semana: -2,47% (94.603,38 pontos)
  • fechamento setembro: -4,80% (94.603,38 pontos)

Dólar

O dólar recuou um pouco nesta quarta. A moeda norte-americana perdeu 0,37%.

  • segunda-feira (28): +1,44% a R$ 5,6353
  • terça-feira (29): +0,07% a R$ 5,6393
  • quarta-feira (30): -0,37% a R$ 5,6185
  • semana: +1,14% a R$ 5,6185
  • fechamento setembro: +2,20% a R$ 5,6185

Bolsa em Nova York

Nova York repercutiu positivamente a fala do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, que prometeu uma definição sobre o novo pacote de estímulos contr a pandemia.

“Vamos fazer mais uma tentativa para valer e temos esperança que possamos fazer algo”, disse em conferência.

O pronunciamento amenizou o impacto negativo que o debate presidencial de ontem causou sobre os mercados na abertura do dia.

Apesar disso, o acordo não veio durante o dia. Em reunião com a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, Mnuchin não trouxe boas notícias.

Não houve nenhuma outra indicação de que os congressistas estariam dispostos a um acordo. As discussões continuam.

Mesmo assim houve ganho, mas um ganho curto, reduzido pelas preocupações recorrentes de setembro, como o avanço do coronavírus na Europa e em Nova York, com o presidente Donald Trump já colocando em dúvida o resultado das eleições, com o embate das Big Techs e tudo o mais.

O Dow Jones subiu 1,20%.

O S&P 500 ganhou 0,83%, e o Nasdaq Composite avançou 0,74%.

No acumulado do mês de setembro, os três principais índices recuaram, nas primeiras perdas mensais desde março.

  • S&P 500: -0,83% | -3,92% (fechamento setembro)
  • Nasdaq: -0,74% | -5,16% (fechamento setembro)
  • Dow Jones: -1,20% | -2,28% (fechamento setembro)

Bolsa: ações

Das 77 ações negociadas na bolsa, 53 avançaram e as outras 24 caíram em relação ao dia anterior.

A Raia Drogasil (RADL3) foi uma das puxaram as altas neste último dia de setembro. Ganhou 6,79%, após um retumbante anúncio de que planeja abrir 240 novas lojas em 2021 e 2022, mantendo o mesmo número de inaugurações brutas previstas para 2020.

O Credit Suisse recomendou a compra de ações da CSN (CSNA3). Aliado à alta do preço do minério de ferro, fez a siderúrgica nacional subir 7,70%.

Mas não só ela. A Usiminas (USIM5) saltou 1,83%. A Gerdau (GGBR4) ganhou 2,92%. E a Vale (VALE3), que tem maior peso no índice, mais 1,30%.

Petrobras teve bom ganho hoje. Com mais 1,55% nas preferenciais (PETR4), após anunciar que assinará contratos de compartilhamento das infraestruturas de escoamento e processamento de gás natural, em conjunto com Petrogal Brasil, Repsol Sinopec Brasil e Shell Brasil, sócios nos gasodutos offshore do pré-sal da Bacia de Santos.

De acordo com a estatal, o ato será um marco na construção de um mercado de gás natural mais competitivo.

Teve mais a impulsionar a estatal. O próprio preço do produto internacionalmente subiu e há o julgamento da ação sobre a venda de refinarias da Petrobras sem licitação ou aval do Congresso Nacional.

As ordinárias subiram 0,82%.

Já a Camil (CAML3) anunciou ontem que aprovou a emissão de debêntures no valor de R$ 350 milhões. O prazo de vencimento, informa a empresa, será de cinco anos. Os papéis ficaram praticamente estáveis, com mais 0,08%.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 59,11 (+1,30%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 19,61 (+1,55%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 89,20 (+1,97%)
  • Via Varejo (VVAR3): R$ 17,35 (+2,24%)
  • CSN (CSNA3): R$ 16,50 (+7,70%)

Maiores altas

  • CSN (CSNA3): R$ 16,50 (+7,70%)
  • Raia Drogasil (RADL3): R$ 23,42 (+6,79%)
  • Qualicorp (QUAL3): R$ 33,99 (+5,13%)
  • Minerva (BEEF3): R$ 11,74 (+4,63%)
  • Metalúrgica Gerdau (GOAU4): R$ 9,40 (+3,75%)

Maiores baixas

  • Suzano (SUZB3): R$ 45,55 (-3,23%)
  • Ultrapar (UGPA3): R$ 19,27 (-2,23%)
  • Equatorial (EQTL3): R$ 21,18 (-1,99%)
  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 69,74 (-1,25%)
  • Klabin (KLBN11): R$ 23,80 (-1,12%)

Maiores altas de setembro

  • Localiza (RENT3): R$ 56,67 (+17,50%)
  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 69,74 (+9,81%)
  • Azul (AZUL4): R$ 24,38 (+9,77%)
  • Gerdau (GGBR4): R$ 20,80 (+8,96%)
  • Qualicorp (QUAL3): R$ 33,99 (+8,80%)

Maiores baixas de setembro

  • B2W (BTOW3): R$ 89,98 (-19,73%)
  • Cosan (CSAN3): R$ 68,33 (-17,92%)
  • PetroRio (PRIO3): R$ 34,89 (-16,71%)
  • Rumo (RAIL3): R$ 19,06 (-15,66%)
  • Via Varejo (VVAR3): R$ 17,35 (-15,37%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +1,07% (quarta-feira) | -4,58% (40.195,60 pontos) (fechamento setembro)
  • IBrX 50: +1,13% (quarta-feira) | -4,62% (15.471,32 pontos) (fechamento setembro)
  • IBrA: +1,09% (quarta-feira) | -4,77% (3.755,54 pontos) (fechamento setembro)
  • SMLL: +1,38% (quarta-feira) | -5,44% (2.303,17 pontos) (fechamento setembro)
  • IFIX: +0,38% (quarta-feira) | +0,46% (2.794,88 pontos) (fechamento setembro)

Brasil: ambiente político e econômico

Enquanto o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), assinou acordo com a Sinavac para fornecer 46 milhões de doses da Coronavac, a vacina feita na China, com eficiência ainda não comprovada, há esperança de que a vacinação aos profissionais da saúde comece em 15 de dezembro.

Mas nada garante.

Os olhos ficaram voltados mesmo para um dos indicadores mais importantes da economia: o desemprego.

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 13,8% no trimestre de maio a julho de 2020.

O percentual representa o maior da série histórica, iniciada em 2012. Os números são do IBGE, que divulgou hoje os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

Em relação ao trimestre anterior, a alta é de 1,2 ponto percentual. De fevereiro a abril tinha sido de 12,6%.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2019 (11,8%) a taxa ficou dois pontos acima. A população desocupada chegou a 13,1 milhões de pessoas. É um aumento de 4,5% ou 561 mil pessoas a mais em relação ao mesmo período de 2019.

Apesar disso, o mercado de trabalho no Brasil criou 249 mil vagas de emprego com carteira assinada em agosto.

Embora no ano o saldo ainda seja negativo em 849 mil, o governo comemorou.

Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), apresentados hoje mostram que o país teve 1,239 milhão de contratações formais e 990 mil desligamentos em agosto.

Com relação aos precatórios que sustentariam o novo programa de transferência de renda do governo federal, o Renda Cidadã, e que derrubaram a bolsa brasileira esta semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse: “precisamos de um programa social bem financiado, por receita permanente. O Renda Brasil (agora conhecido por Renda Cidadã) não pode ser financiado com puxadinho e ajuste”.

Guedes falou também que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estaria de acordo com “partidos de esquerda” para barrar privatizações do governo.

Maia respondeu apenas que “Paulo Guedes está desequilibrado”.

Joe Biden e as florestas brasileiras

Citado ontem por Joe Biden no debate presidencial nos Estados Unidos, em relação à devastação que está ocorrendo no meio ambiente brasileiro, o Brasil reagiu de maneira pouco sutil.

“As florestas tropicais do Brasil estão sendo destruídas, e mais carbono é absorvido naquelas florestas tropicais do que nos Estados Unidos. Eu iria me juntar para garantir que países juntos tenham um pacote de US$ 20 bilhões: ‘está aqui um pacote de US$ 20 bilhões para vocês pararem de desmantelar a floresta’. Se não fizerem isso, vão ter consequências severas”, disse.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), declaradamente torcendo por Donald Trump, foi ao Twitter para dizer que “o que alguns ainda não entenderam é que o Brasil mudou. Hoje, seu Presidente, diferentemente da esquerda, não mais aceita subornos, criminosas demarcações ou infundadas ameaças. NOSSA SOBERANIA É INEGOCIÁVEL”.

Se dizer quais são, disse que seu governo “está realizando ações sem precedentes para proteger a Amazônia”.

Bolsonaro arrumou dois problemas: e se Biden vencer, terá feito o caminho inverso, de se afastar diplomaticamente dos Estados Unidos; e colocou mais uma preocupação nos investidores globais que hoje estão bastante preocupados com a situação ambiental brasileira.

Exterior

O horror! Assim pode ser classificado o debate entre os postulantes à Casa Branca Donald Trump, candidato à reeleição, e Joe Biden, desafiante Democrata.

Um show de baixarias e impropérios, sem contaúdo, sem troca de ideias e projetos.

O debate foi marcado por uma troca de acusações pessoais, interrupções e discussões acaloradas. Trump praticamente não deu espaço para Biden, que em certo momento chegou a mandar o adversário calar a boca. O moderador Chris Wallace teve que repreender o presidente várias vezes. Biden chamou Trump de idiota, palhaço e “o pior presidente da história”.

Se há norte-americanos indecisos, não foi ali que eles tomaram partido.

Enquanto isso, a leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre nos Estados Unidos veio pouco melhor do que o mercado projetava. Apontou queda de 31,4%, ante recuo de 31,7% divulgados na segunda prévia. A primeira leitura apontava um tombo de 32,9%.

Ainda assim, o resultado é o mais baixo já registrado desde os anos 1940.

Novos casos de Covid-19 estão aumentando em mais de 7 mil por dia no Reino Unido.

Mesmo assim, o primeiro-ministro Boris Johnson enfrenta crescente oposição às medidas de restrição que anunciou semana passada.

Não se sabe ainda se é uma “minoria barulhenta”, mas o governo está encurralado. Johnson está implorando para as pessoas seguirem as restrições.

““Sei que algumas pessoas vão pensar que devemos desistir e deixar o vírus seguir seu curso, apesar da enorme perda de vidas que isso potencialmente acarretaria”, disse.

O mundo chegou hoje a 34 milhões de casos confirmados. Há exatas duas semanas, eram 30 milhões. São 1,016 milhão de mortos.

Commodities

O petróleo avançou nesta quarta, após forte queda de ontem. No Brent, subiu 1,78%, e no WTI, 2,37.

Em setembro, o Brent recuou 7,86%. Já o WTI perdeu 6,35%.

  • Brent (para dezembro): US$ 42,30 (+1,78%)
  • WTI (para novembro): US$ 40,22 (+2,37%)

O ouro caiu 0,40% nesta quarta, perdendo a faixa dos US$ 1.900.

Em setembro, o metal perdeu 4,19%.

Entretanto, até aqui no ano, ganha 22,23%.

  • Ouro (dezembro): US$ 1.895,50 (-0,40%)

Com Wisir Research