Bolsa tem primeira alta em seis semanas, com mais 3,69%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Reprodução / B3

A bolsa de valores fechou a semana com alta de 3,69%, após cinco semanas seguidas de baixa. Nesta sexta-feira (9), o índice caiu 0,45%, ficando com 97.483,31 pontos.

Apesar de Nova York ter se empolgado (levemente) com o anúncio do presidente norte-americano Donald Trump de que mais dinheiro viria para movimentar a economia, deixando positivos os três principais índices locais, em São Paulo, o Ibovespa flutuou demais, alternando entre o negativo e o positivo.

Há um tanto de realização de lucro, há tanto de incerteza, depois que o relator da PEC Emergencial, Márcio Bittar (MDB-AC), deixou a apresentação da proposta do Renda Cidadã para depois das eleições municipais, há um tanto do “mistério” sobre o desmembramento do Ministério da Economia.

Monitore completamente sua Carteira

Na mínima desta sexta, o Ibovespa ficou em 97.161,37 pontos (-0,77%); e na máxima foi a 98.641,91 pontos (+0,74%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 27,730 bilhões.

No mês a alta está em 3,04%. No ano, as perdas acumuladas estão em 15,70%.

Faça o Rebalanceamento de sua Carteira para outubro

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (5): +2,21% (96.089,19 pontos)
  • terça-feira (6): -0,49% (95.615,03 pontos)
  • quarta-feira (7): -0,09% (95.526,26 pontos)
  • quinta-feira (8): +2,51% (97.919,73 pontos)
  • sexta-feira (9): -0,45% (97.483,31 pontos)
  • semana: +3,69% (97.483,31 pontos)

Call de fechamento

Dólar

O dólar fechou a sexta em baixa. A moeda norte-americana recuou 1,11%, indo a R$ 5,5264, e fechou a semana com menos 2,55%.

  • segunda-feira (5): -1,82% a R$ 5,5673
  • terça-feira (6): +0,50% a R$ 5,5952
  • quarta-feira (7): +0,53% a R$ 5,6250
  • quinta-feira (8): -0,65% a R$ 5,5886
  • sexta-feira (9): -1,11% a R$ 5264
  • semana: -2,55% a R$ 5264

Bolsa em Nova York

Donald Trump está em modo “full campanha”. Nem bem “se curou da Covid-19” (entre aspas, porque os médicos não deram alta ao paciente), e ele já quer cair na estrada para convencer os eleitores a o reelegerem.

A novidade é que ele agora aumentou a oferta de estímulo à economia para US$ 1,8 trilhão, só porque quer uma quantia maior do que a dos Democratas.

O plano marcaria um pequeno aumento em relação aos US$ 1,6 trilhão que a Casa Branca havia proposto anteriormente. Os Democratas da Câmara aprovaram um projeto de lei de US$ 2,2 trilhões no início deste mês, e os lados têm lutado para encontrar um consenso entre esses números.

“Eu gostaria de ver um pacote de estímulo maior francamente do que os democratas ou republicanos estão oferecendo”, disse numa entrevista. Mas sua proposta, curiosamente, é US$ 400 bilhões mais modesta do que a do partido opositor.

Do outro lado, os investidores sorriem porque números assim mais próximos podem indicar (mas nunca é uma certeza) que ambos os lados estão com menos arestas para aparar.

A presidente da Câmara dos Representantes, a Democrata Nancy Pelosi, na semana passada, já se disse “otimista” sobre um acordo.

Mas a coisa não anda. E o mundo fica meio de sobreaviso.

Trump deu provocou mais uma faísca pelo Twitter:

twitter.com/realDonaldTrump/status/1314593632733847552

Os ações subiram hoje, com esse cenário mais propenso a um acerto e a mais dinheiro em circulação.

O Dow Jones ganhou 0,57%. O S&P 500 subiu 0,88%. E o Nasdaq Composite foi negociado a mais 1,39%.

Assim, por mais uma semana, os três principais índices terminaram o período com boa alta.

A sensação que fica, entretanto, é que há ganhos reprimidos diante de tantas negociações e incertezas.

  • S&P 500: +0,88% (sexta-feira) | +3,85% (semana)
  • Nasdaq: +1,39% (sexta-feira) | +4,56% (semana)
  • Dow Jones: +0,57% (sexta-feira) | +3,27% (semana)

Brasil: ambiente político e econômico

Não há nada que não esteja ruim que não possa piorar, diz o ditado, certamente escrito por alguém bastante pessimista – ou por alguém que conhece muito bem Brasília.

Paulo Guedes teve que vir a público ontem para dizer que a ideia de desmembrar o Ministério da Economia é “conversa fiada”.

“Isso não existe”, teve que afirmar, um tanto quanto desconfortável, assim que chegou à Câmara dos Deputados, onde iria tratar da reforma administrativa.

A informação de que o governo estuda uma reestruturação do superministério de Guedes em 2021 foi revelada pelo site Poder360. “Essa possibilidade vem sendo discutida desde o início da aliança do Centrão com o presidente Jair Bolsonaro”, diz o site.

A divisão será feita por etapas. Na primeira, devem ser desmembradas as áreas de Previdência e Trabalho.

Ao contrário das declarações do ministro, “o Poder360 apurou que o ministro Paulo Guedes não vê a mudança como dramática. O motivo: ambas as áreas já tiveram reformas. A trabalhista, no governo Temer, e a previdenciária, na gestão Bolsonaro”.

A operação iria contra a própria promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que nunca foi cumprida, de diminuir a estrutura federal para 15 pastas. E também contra a promessa de cortes de despesas.

Ontem, o senador Márcio Bittar (MDB-AC) afirmou que é “melhor” esperar o término das eleições municipais para apresentar a proposta do Renda Cidadã, o novo e já polêmico programa de transferência de renda que o governo federal.

Isso colocaria a proposta no apertado calendário de dezembro.

O senador é o relator da PEC Emergencial, que deve criar o Renda Cidadã, e da PEC do Pacto Federativo, ambas em discussão no Congresso Nacional.

Do jeito que os políticos andam metendo os pés pelas mãos, os investidores talvez achem melhor um pouco de descanso mesmo.

E tem a inflação.

Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,64%, ficando 0,40 ponto percentual acima do observado em agosto, de 0,24%.

A projeção da mediana do mercado era de de 0,54%.

De acordo com dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), esse é o maior resultado para um mês de setembro desde 2003 (0,78%).

De janeiro a setembro, o IPCA acumula alta de 1,34%, enquanto em 12 meses acumulados soma 3,14%, acima dos 2,44% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

A bolsa chegou a reagir a esse avanço inesperado dos preços. Mas outros fatores políticos e internacionais chegaram a mexer mais com o índice nacional.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) variou 1,97% no primeiro decêndio de outubro, divulgou a Fundação Getulio Vargas (FGV).

No primeiro decêndio de setembro, este índice havia registrado taxa de 4,41%. Com esse resultado, a taxa em 12 meses passou de 18,01% para 19,45%.

Bolsa: ações

Das 77 ações negociadas na bolsa, apenas 19 subiram, 1 ficou estável e todas as outras 57 caíram em relação ao dia anterior.

A Gol (GOLL4) informou ontem que sua oferta aumentou para 270 voos por dia, ao longo do mês de setembro, o que representou um crescimento de 42% em relação à média de 190 voos diários de agosto.

De acordo com a companhia, em dias de pico operou 360 voos por dia para responder ao aumento mensal de 36% na demanda por transporte aéreo. As vendas brutas consolidadas da companhia neste mês superaram R$ 800 milhões e a taxa média de ocupação foi de 80%.

O ativo decolou 3,24%.

A Camil (CAML3) reportou ontem um lucro líquido de R$ 138,6 milhões no segundo trimestre de 2020. Isso representa um aumento de 245,6% na comparação com igual período do ano passado.

Tal anúncio temperou os ganhos das ações no começo da sessão, mas depois tudo desandou e virou para perda de 2,30%.

A novela Linx (LINX3) e Totvs (TOTS3) continua. A Linx anunciou hoje que analisará a nova proposta realizada pela Totvs e destacou também a lisura e independência de seu comitê na análise da proposta anterior.

O comunicado veio após a Totvs criticar o processo da Linx e prorrogar a validade da sua proposta de combinação de negócios com a mesma até 17 de novembro de 2020. A proposta foi apresentada inicialmente em 14 de agosto de 2020.

Hoja LINX3 subiu 1,57% e TOTS3 desceu 1,60%. Há uma leve impressão de que a Totvs já tenha perdido essa batalha.

Mais uma vez, a Petrobras foi impactada pelos preços internacionais. Nem mesmo o reajuste médio de 4% no preço da gasolina em suas refinarias, aprovado hoje, salvou as ordinárias (PETR3), que caíram 3,30%, e as preferenciais (PETR4), que recuaram 3,13%.

De novo, IRB Brasil (IRBR3) desafiando analistas e investidores. Após a alta de mais de 20% ontem, hoje a queda foi de 7,24%. Há uma enorme incógnita em torno dos papéis.

A MRV (MRVE3), com mais 8,51%, e Even (EVEN3), com mais 6,17%, refletiram o bom resultado das construtoras e incorporadoras no terceiro trimestre. As vendas líquidas da Even, por exemplo, foram de R$ 480 milhões, volume 84% superior ao mesmo período de 2019 e 59% maior do que o trimestre anterior.

Mais negociadas

  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 98,15 (+6,84%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 20,74 (+0,44%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 19,80 (-3,33%)
  • Vale (VALE3): R$ 61,60 (+0,51%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 24,00 (-0,29%)

Maiores altas

  • MRV (MRVE3): R$ 18,24 (+8,51%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 98,15 (+6,84%)
  • Cyrela (CYRE3): R$ 26,23 (+4,59%)
  • CVC (CVCB3): R$ 15,57 (+4,22%)
  • Gol (GOLL4): R$ 19,11 (+3,24%)

Maiores baixas

  • IRB Brasil (IRBR3): R$ 7,18 (-7,24%)
  • JBS (JBSS3): R$ 19,30 (-4,08%)
  • Petrobras (PETR3): R$ 19,91 (-3,30%)
  • Marfrig (MRFG3): R$ 14,20 (-3,27%)
  • Cosan (CSAN3): R$ 66,24 (-3,16%)

Maiores altas da semana

  • Weg (WEGE3): R$ 76,90 (+14,69%)
  • Cyrela (CYRE3): R$ 26,23 (+11,90%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 98,15 (+11,47%)
  • Santander (SANB11): R$ 31,50 (+10,92%)
  • MRV (MRVE3): R$ 18,24 (+10,75%)

Maiores baixas da semana

  • IRB Brasil (IRBR3): R$ 7,18 (-11,25%)
  • Cielo (CIEL3): R$ 3,71 (-5,60%)
  • Marfrig (MRFG3): R$ 14,20 (-4,95%)
  • Rumo (RAIL3): R$ 18,02 (-4,91%)
  • Lojas Americanas (LAME4): R$ 27,20 (-4,86%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,36% (sexta-feira) | +3,69% (semana) (41.434,43 pontos)
  • IBrX 50: -0,40% (sexta-feira) | +3,93% (semana) (15.971,91 pontos)
  • IBrA: -0,31% (sexta-feira) | +3,63% (semana) (3.874,55 pontos)
  • SMLL: +0,28% (sexta-feira) | +2,64% (semana) (2.388,91 pontos)
  • IFIX: +0,11% (sexta-feira) | +0,46% (semana) (2.807,77 pontos)

Exterior: combate à pandemia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) segue sublinhando que o mantra “testar, testar e testar” é a melhor forma de construir políticas públicas de combate à pandemia.

No Brasil, é uma ideia deixada de lado há algum tempo. Os estados testam cada vez menos. Mas no Japão e Coreia, por exemplo, está sendo eficiente a máxima.

O mesmo se dá na Europa, que o aumento no número de casos foi identificado com a recorrência da testagem, mesmo no momento em que a pandemia parecia ter sido freada.

Agora, o diretor-geral da OMS, o etíope Tedros Adhanom, afirmou que espera 2 bilhões de vacinas contra a covid-19 distribuídas globalmente pelo projeto Covax até o fim de 2021, iniciativa que conta atualmente com 171 países, segundo informa Wisir.

Em entrevista coletiva, ele afirmou que a “melhor maneira de garantir a efetividade da vacina é fazê-la disponível a todos países”.

Adhanom elogiou a iniciativa da Moderna, que anunciou que não vai cobrar direitos de patente pelo seu imunizante durante a pandemia.

Commodities

O petróleo fechou a sexta-feira em queda nas duas referências. O Brent caiu 1,13%. O WTI, 1,43%. Mas foi uma semana boa para a commodity. O Brent fechou o período com forte alta de 9,09%. Já o WTI avanou 9,55%.

O que contribuiu para a queda de hoje foi o fim da greve de petroleiros na Noruega. O corte na produção atingiria 966 mil barris de óleo equivalente por dia (boed) até 14 de outubro, o que seria ótimo, diante dos quadros da pandemia.

  • Brent (para dezembro): US$ 42,85 (-1,13%)
  • WTI (para novembro): US$ 40,60 (-1,43%)

O ouro subiu 1,64% nesta sexta, fechando a semana com alta de 0,97% (semana passada, havia sido uma alta de 2,22%).

  • Ouro (dezembro): US$ 1.926,20 (+1,64%)

Com Wisir Research