Bolsa fecha a semana com alta de 4,27%, seguindo ambiente de otimismo

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Divulgação/B3

A bolsa de valores fechou com mais 0,32% nesta sexta-feira (27), fazendo a semana encerrar com alta de 4,27%, a 110.575,47 pontos, o maior patamar desde 21 de fevereiro deste ano.

São Paulo reflete mais o otimismo vindo de Wall Street, que voltou à ativa depois do feriado de ontem nos Estados Unidos. Junto, veio o maior volume de movimentação.

Na mínima desta sexta, o Ibovespa ficou em 110.161,10 pontos (-0,06%); e na máxima foi a 111.603,41 pontos (+1,25%).

BDRs| Aprenda mais sobre essa classe de Ativos

O volume financeiro negociado foi de R$ 27,739 bilhões.

O mês de novembro tem ganhos acumulados de 17,69%. No ano, as perdas acumuladas estão em 4,38%.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

Consulte os melhores diálogos e insights da Money Week.

  • segunda-feira (23): +1,26% (107.378,92 pontos)
  • terça-feira (24): +2,24% (109.786,30 pontos)
  • quarta-feira (25): +0,32% (110.132,53 pontos)
  • quinta-feira (26): +0,09% (110.227,09 pontos)
  • sexta-feira (27): +0,32% (110.575,47 pontos)
  • semana: +4,27% (110.575,47 pontos)

Dólar

O dólar fechou a sexta quase estável, com leve queda. A moeda norte-americana caiu 0,18%, e fechou a semana com baixa de 1,11%.

  • segunda-feira (23): +0,88% a R$ 5,4330
  • terça-feira (24): -1,06% a R$ 5,3753
  • quarta-feira (25): -1,03% a R$ 5,3202
  • quinta-feira (26): +0,28% a R$ 5,3352
  • sexta-feira (27): -0,18% a R$ 5,3256
  • semana: -1,11% a R$ 5,3256

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações subiram na sexta-feira, fechando uma semana histórica, com a diminuição da incerteza política e notícias positivas sobre vacinas.

No início da semana, o índice Dow Jones saltou para uma máxima recorde de todos os tempos, com mais de 30 mil pontos. O Nasdaq fechou hoje em seu mais patamar da história, com as ações de tecnologia ganhando corpo novamente.

“O que estamos testemunhando hoje, esta semana e este mês, é uma continuação do aumento do otimismo”, disse à CNBC Mike Zigmont, chefe de comercialização e pesquisa da Harvest Volatility Management. “O ambiente para ativos de risco está cada vez melhor”, à medida que as notícias positivas sobre uma vacina contra a Covid-19 crescem.

O Índice de Volatilidade Cboe (VIX), o “medidor de medo” preferido de Wall Street, caiu hoje abaixo de 20 pela primeira vez desde o final de fevereiro. Mais tarde, até voltou a subir, mas deu uma ideia da empolgação dos investidores.

Também contribuíram para o sentimento o presidente Donald Trump admitir que deixaria a Casa Branca se o Colégio Eleitoral votar no presidente eleito Joe Biden, o que deve acontecer em 14 de dezembro.

“Certamente eu vou. Certamente eu vou. E você sabe disso”, disse Trump. Ele acrescentou, no entanto, que seria difícil para ele ceder porque “sabemos que houve uma fraude maciça”. Trump não ofereceu nenhuma evidência concreta de fraude eleitoral generalizada, no entanto.

Fica a acusação vazia e uma saída melancólica do presidente de extrema-direita derrotado dia 3 de novembro.

O Dow Jones subiu 0,13%. O S&P 500 cresceu 0,24%. E o Nasdaq Composite avançou 0,92%.

Na Europa, as ações da AstraZeneca subiram hoje, mesmo em dúvidas sobre sua vacina. O chefe da força-tarefa de vacinas da Casa Branca expressou dúvidas sobre os dados do ensaio e a taxa de eficácia do medicamento, e a empresa confirmou que um novo ensaio provavelmente ocorrerá.

Na semana, os principais índices ficaram positivos, bem como na Ásia.

Índices EUA

  • S&P 500: +0,24% (sexta-feira) | +2,27% (semana)
  • Nasdaq: +0,92% (sexta-feira) | +2,96% (semana)
  • Dow Jones: +0,13% (sexta-feira) | +2,21% (semana)

Índices Europa

  • Euro Stoxx 50: +0,48% (sexta-feira) | +1,74% (semana)
  • DAX (Alemanha): +0,37% (sexta-feira) | +1,51% (semana)
  • FTSE 100 (Inglaterra): +0,07% (sexta-feira) | +0,25% (semana)
  • CAC 40 (França): +0,56% (sexta-feira) | +1,86% (semana)
  • IBEX 35 (Espanha): +1,06% (sexta-feira) | +2,67% (semana)
  • FTSE MIB (Itália): +0,68% (sexta-feira) | +2,97% (semana)

Índices Ásia

  • Shanghai (China): +1,14% (sexta-feira) | +0,91% (semana)
  • SZSE Component (China): +0,67% (sexta-feira) | -1,17% (semana)
  • China A50 (China): +1,52% (sexta-feira) | +2,02% (semana)
  • DJ Shanghai (China): +1,03% (sexta-feira) | +0,94% (semana)
  • Hang Seng (Hong Kong): +0,28% (sexta-feira) | +1,68% (semana)
  • Nikkei 225 (Japão): +0,40% (sexta-feira) | +4,38% (semana)
  • KOSPI (Coreia do Sul): +0,29% (sexta-feira) | +3,13% (semana)

Brasil: ambiente político e econômico

Depois dos “atritos” de ontem com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que não está muito assustado com a alta da inflação.

Na sua visão, as expectativas para 2021 estão dentro da normalidade e caminhando próximas às metas estabelecidas há duas semanas: “não é só o Banco Central (BC) que não acha que a inflação um pouco mais longa não está subindo. O mercado também não acha. Então, isso é importante frisar. Não vejo alguma coisa saindo muito acima da meta, nada desse tipo”.

Tanto que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas (FGV) avançou 1,9 ponto em novembro, atingindo 113,1 pontos. É o maior valor desde outubro de 2010 (113,6 pontos).

“O resultado da sondagem de novembro mostra recuperação surpreendente da confiança do setor industrial. Principalmente devido às avaliações muito positivas sobre o momento atual. De maneira geral, a demanda foi considerada como forte e o indicador de estoques bateu novo recorde. Pelo lado das expectativas, houve ajuste, mas a maioria dos segmentos ainda apresenta otimismo. Apesar da queda dos indicadores de produção prevista e emprego previsto, ambos permanecem em nível elevado, sugerindo que tanto a produção como o pessoal ocupado continuariam aumentando nos próximos três meses”, comenta Renata de Mello Franco, economista da FGV.

Além disso, há o avanço do indicador de tendência dos negócios que sinaliza maior otimismo para o início de 2021. De acordo com a economista, ainda não o setor ainda não se recuperou totalmente das perdas de março e abril. O índice mostra que ainda há cautela por parte dos empresários.

E o BC divulgou hoje que o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 11,7 trilhões (160,9% do PIB) em outubro. Foi um aumento de 1,8% no mês e de 16,8% em doze meses.

Conforme o BC, o crédito ampliado a empresas e famílias totalizou R$6,6 trilhões (91,7% do PIB). As elevações foram de 1,2% no mês e de 19,2% em doze meses.

Entretanto, ontem, o governo central anunciou que encerrou outubro com déficit primário de R$ 3,563 bilhões.

De acordo com os dados da série histórica, esse é o pior desempenho registrado para o mês desde 2015. Daquele ano, o mês registrou déficit de R$ 13,189 bilhões.

Contudo, para 2020, o resultado veio bem melhor que o estimado pelo mercado.

Também ontem o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, disse que o plano para conter a dívida pública e alavancar o crescimento da economia em 2021 envolve a aprovação, nas próximas semanas, de reformas paradas na Câmara e no Senado.

Ele negou qualquer divergência entre o Ministério da Economia e o BC e informou que o projeto fiscal existe e está em andamento.

Segundo Funchal, a equipe econômica trabalha para que o Senado aprove, após o segundo turno das eleições municipais, as propostas de emenda à Constituição emergencial (PEC) e do Pacto Federativo.

Bolsa: ações

Das 77 ações negociadas na bolsa, 38 subiram, e as outras 39 caíram em relação ao dia anterior.

A SLC Agrícola (SLCE3) comunicou que assinou um Memorando de Entendimentos não vinculante com a Terra Santa (TESA3), estabelecendo premissas, termos e condições indicativas para uma transação em que a companhia assumiria as operações agrícolas da Terra Santa.

A operação se daria por meio da incorporação de ações da Terra Santa pela SLC Agrícola. Os investidores gostaram. As ações da empresa subiram 8,72%. As da Terra Santa, saltaram 16,64%.

A Suzano (SUZB3) subiu 4,49%, ao anunciar que realizará em 28 de dezembro assembleia geral extraordinária (AGE) para avaliar as incorporações de sociedades controladas. A companhia pretende incorporar as empresas AGFA, Asapir, Paineiras, Ondurman, FACEPA, Fibria e Futuragene. A Suzano é detentora integral do capital social dessas sociedades.

Em decorrência da incorporação, todo o patrimônio líquido de cada uma das empresas passará para a Suzano e as sociedades serão extintas.

A Cosan (CSAN3) comunicou que sua controlada Compass Gás e Energia não foi qualificada para a sequência do processo de compra de 51% do capital social da Gaspetro. As ações caíram, 2,77%.

Já a Notre Dame Intermédica (GNDI3) estuda oferta de ações e a notícia não caiu muito bem. O que caiu foi o preço do ativo, 1,39%.

O Itaú Unibanco (ITUB4) aprovou ontem o futuro de seu investimento na corretora XP, com a realização da segregação em uma nova sociedade, a Newco. A operação ocorrerá “mediante cisão de empresas do conglomerado Itaú Unibanco com a versão da parcela cindida representativa de 41,05% do capital da XP para a Newco”. As ações fecharam com alta de 0,77%.

A Vale (VALE3) ganhou 2,44% com a notícia de que recebeu a licença para retorno e ampliação das operações em Serra Leste, na cidade de Curionópolis (PA), paralisadas desde janeiro de 2019, depois de ter atingido o limite da área até então licenciada para a extração do minério de ferro.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 78,44 (+2,44%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 28,96 (+0,77%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 25,50 (-1,24%)
  • Via Varejo (VVAR3): R$ 18,49 (-3,75%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 24,19 (-0,25%)

Maiores altas

  • EzTec (EZTC3): R$ 42,76 (+6,00%)
  • Suzano (SUZB3): R$ 55,53 (+3,99%)
  • Klabin (KLBN11): R$ 24,83 (+3,67%)
  • Bradespar (BRAP4): R$ 59,79 (+3,60%)
  • Cyrela (CYRE3): R$ 27,33 (+3,52%)

Maiores baixas

  • Cogna (COGN3): R$ 4,89 (-3,93%)
  • Via Varejo (VVAR3): R$ 18,49 (-3,75%)
  • IRB Brasil (IRBR3): R$ 6,82 (-3,54%)
  • Cosan (CSAN3): R$ 82,20 (-2,69%)
  • Cielo (CIEL3): R$ 3,76 (-2,59%)

Maiores altas da semana

  • Usiminas (USIM5): R$ 13,76 (+22,42%)
  • CSN (CSNA3): R$ 24,01 (+20,11%)
  • PetroRio (PRIO3): R$ 51,75 (+19,76%)
  • Bradespar (BRAP4): R$ 59,79 (+17,14%)
  • Vale (VALE3): R$ 78,44 (+14,61%)

Maiores baixas da semana

  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 69,45 (-4,86%)
  • Carrefour (CRFB3): R$ 19,41 (-4,81%)
  • Cogna (COGN3): R$ 4,89 (-4,49%)
  • Weg (WEGE3): R$ 77,00 (-3,75%)
  • Raia Drogasil (RADL3): R$ 25,68 (-3,64%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,28% (sexta-feira) | +4,20% (semana) (46.866,48 pontos)
  • IBrX 50: +0,31% (sexta-feira) | +4,59% (semana) (18.160,21 pontos)
  • IBrA: +0,30% (sexta-feira) | +4,20% (semana) (4.376,98 pontos)
  • SMLL: +0,15% (sexta-feira) | +4,76% (semana) (2.664,26 pontos)
  • IFIX: +0,40% (sexta-feira) | +0,55% (semana) (2.811,53 pontos)
  • BDRX: +0,32% (sexta-feira) | +1,95% (semana) (11.429,78 pontos)

Commodities

O petróleo fechou a sexta-feira em direções opostas nas duas referências. O Brent subiu 0,79%, enquanto o WTI caiu 0,39%. A preocupação com a baixa da demanda, por conta da pandemia, deu a tônica.

  • Brent (para janeiro): US$ 48,18 (+0,79%)
  • WTI (para janeiro): US$ 45,53 (-0,39%)

O ouro caiu 1,24% nesta sexta.

  • Ouro (dezembro): US$ 1.783,10 (-1,24%)

Com Wisir Research

Precisa de orientação para investir no mercado acionário? A  EQI Investimentos pode ajudar. Basta preencher o formulário abaixo que um assessor entrará em contato.