Bolsa perde a terceira semana seguida, com menos 0,07%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/Facebook

A bolsa de valores fechou a semana com queda de 0,07%, depois de passar a maior parte dela no terreno positivo. Com a perda de 1,81% na sexta-feira (18), o Ibovespa chega à terceira semana seguida negativa. O índice acabou em 98.289,71 pontos, ainda menos do que sexta passada.

O problema esteve em na Europa e em Nova York, com os mercados também negativos, mas não só. Os operadores estão preocupados com a questão fiscal, com a inflação e com a pressão sobre os juros futuros. O cenário doméstico não parece proporcionar muito otimismo.

Na mínima desta sexta, o Ibovespa ficou em 98.044,81 pontos (-2,05%); e na máxima foi a 100.101,91 pontos (+0,004%).

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

O volume financeiro negociado foi de R$ 27,805 bilhões.

No mês a queda está em 1,09%. No ano, as perdas acumuladas estão em 15,01%.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (14): +1,94% (100.274,52 pontos)
  • terça-feira (15): +0,02% (100.297,91 pontos)
  • quarta-feira (16): -0,62% (99.675,68 pontos)
  • quinta-feira (17): +0,42% (100.097,83 pontos)
  • sexta-feira (18): -1,81% (98.289,71 pontos)
  • semana: -0,07% (98.289,71 pontos)

Call de fechamento

Dólar

O dólar fechou a semana com alta de 0,87%.

Nesta sexta, a moeda norte-americana subiu mais 2,79%, indo a R$ 5,3776.

As incertezas sobre a economia global, com indicativos de uma segunda onda da Covid-19 na Europa, que pode se estender para o resto do mundo e tornar ainda mais lenta a recuperação nos EUA, derrubaram hoje os mercados, contagiando os ativos domésticos.

  • segunda-feira (14): -1,09% a R$ 5,2755
  • terça-feira (15): +0,26% a R$ 5,2890
  • quarta-feira (16): -0,96% a R$ 5,2384
  • quinta-feira (17): -0,13% a R$ 5,2314
  • sexta-feira (18): +2,79% a R$ 5,3776
  • semana: +0,87% a R$ 5,3776

Brasil

Os agentes do mercado operaram nesta sexta-feira com inequívoco mau humor, diante das incertezas internas, seja na questão da pandemia, cuja curva de infectados e mortos aponta novamente para uma subida, seja na questão fiscal e nas dúvidas se o Banco Central (BC) conseguirá manter os juros no pé em que está hoje.

Com bem lembrou a Reuters, na semana passada, o Tesouro Nacional fez o maior leilão de prefixados da história, em termos de risco, uma megaoperação de 44,5 milhões de títulos públicos, sem colocação integral.

Contribui também o pessimismo em Nova York, com mais um dia e uma semana péssimos.

Enquanto o Tesouro precisa refinanciar a dívida pública, com o aumento considerável de gastos (necessários) diante da pandemia, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) envereda ainda mais no populismo, de olho numa eleição daqui a dois anos.

O presidente ainda mandou avisar que Banco do Brasil (BBAS3), Caixa e Casa da Moeda não serão privatizados.

“Eu já falei que Banco do Brasil e Caixa Econômica, no meu governo, não se cogita a sua privatização. Assim como queriam privatizar a Casa da Moeda. Aí eu interferi. Exerci um direito meu, não é interferência, é um direito meu”, afirmou.

A sexta-feira melancólica para o mercado foi coroada ainda a alta de mais um índice de inflação.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que ajusta os aluguéis, subiu para 4,57% na segunda prévia de setembro. Na primeira prévia, a alta foi de 4,41%. Em julho, a leitura foi de 2,34%.

Parecia que ninguém queria ver: inflação baixa (e deflação) nos primeiros meses de pandemia era basicamente fruto da falta de atividade econômica. Mas alguns operadores acreditavam no “monstro domado”. Bastou a reabertura descontrolada praticada pelos governantes brasileiros (nos três níveis da administração pública), algo que os agentes do mercados pediam, para o consumo voltar e a inflação voltar as caras.

Não podia ser diferente, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou hoje o Índice Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de setembro com a alta histórica de 14,4%. O índice subiu para 91,6 pontos, chegando perto da zona de otimismo (acima dos 100).

De acordo com a CNC, esse é o terceiro mês consecutivo de crescimento e o maior desde seu início, em abril de 2011. Por outro lado, houve uma queda de 23,1% no comparativo anual.

Exterior

A CNBC apropriadamente chamou o que a Europa está passando no momento de “fadiga pandêmica”.

As pessoas não aguentam mais viver com restrições e isso levou ao ressurgimento do coronavírus no continente, onde os picos de novos casos foram renovados na França e na Espanha.

A infecção está subindo em exatamente 73 países monitorados.

A Inglaterra discute um novo lockdown – embora o governo negue. Israel entrou em novo lockdown. A Organização Mundial da Saúde (OMS), meses atrás, já havia alertado que esse abre-e-fecha seria prática usual enquanto a vacina não chegasse.

A vacina tem avançado, mas a ciência é adequadamente mais lenta do que os desejos de investidores e das pessoas fora do mercado.

“Existem algumas tendências preocupantes que estamos começando a ver”, disse a Dra. Maria Van Kerkhove, chefe da unidade de doenças emergentes e zoonoses da OMS. “O que é realmente preocupante para nós é que não estamos apenas vendo um aumento no número de casos, mas estamos vendo um aumento nas hospitalizações. Estamos vendo um aumento nas UTI”.

Nos Estados Unidos piora o fato de Republicanos e Democratas não terem entrado num acordo sobre mais auxílio à economia. É o mínimo que se esperava.

Nancy Pelosi, democrata e presidente da Câmara dos Representantes, disse que “podemos ter de gastar mais do que os US$ 2,2 trilhões”.

Mas às portas da eleição, o entendimento ficou difícil.

Nova pesquisa nacional NPR / PBS / Marist College coloca Joe Biden com 52%, contra 42% de Donald Trump, o atual ocupante da Casa Branca.

As pessoas já estão votando pelo correio. Embora o voto não seja obrigatório, até aqui a participação dos eleitores tem sido grande.

Bolsa em Nova York

As ações caíram hoje e puxaram para baixo os índices mais importantes na New York Stock Exchange (NYSE), com os investidores continuando a se desfazer de ações em alta de empresas de tecnologia.

O Dow Jones caiu 0,88%. O S&P 500 desceu outros 1,12% e o Nasdaq Composite perdeu 1,07%.

O S&P 500 também atingiu seu nível mais baixo este mês, depois de atingir o maior nível histórico em 2 de setembro.

As Big Techs caíram mais uma vez na semana. Facebook, Amazon, Alphabet, Netflix, Apple e Microsoft perderam, no mês, mais de 11%. Estamos ainda no dia 18. Não é de se espantar que os mais nervosos estão vendendo.

  • S&P 500: -1,12% (sexta-feira) | -0,64% (semana)
  • Nasdaq: -1,07% (sexta-feira) | -0,56% (semana)
  • Dow Jones: -0,88% (sexta-feira) | -0,03% (semana)

Bolsa: ações

Das 77 ações negociadas na bolsa, apenas 3 subiram e todas as outras 74 caíram em relação ao dia anterior.

Com quase todas as ações do Ibovespa fechando no negativo, destaca-se a Raia Drogasil (RADL3), com mais 1,29%. Aparentemente os investidores gostaram da ideia do desdobramento da totalidade das ações.

O desdobramento se dará na proporção de 5 ações ordinárias para cada ação da mesma espécie.

De acordo com a companhia, a alteração não modifica o valor do capital social, que se mantém em R$ 2,5 bilhões, mas fará o papel que é o mais caro do índice, em torno de R$ 114,00, ser mais acessível.

A varejista Magazine Luiza (MGLU3) também irá propor o desdobramento de suas ações na razão de 1 para 4. A proposta ainda irá para apreciação em Assembleia Geral Extraordinária.

Conforme a Magazine Luiza, a finalidade da operação tem como principal objetivo “conferir melhor patamar para a cotação das ações a fim de torná-las mais acessível aos investidores”. As ações ganharam 0,07% hoje.

A Hapvida (HAPV3) assinou contrato para aquisição da Plamheg Plano de Assistência Médica e Hospitalar de Goiás, por meio de sua subsidiária integral Hapvida Assistência Médica Ltda. O valor da aquisição foi de R$ 23 milhões, que poderá ser alterado até a conclusão da operação.

Os papéis da empresa desceram 2,12% hoje.

Já a Petrobras (PETR3 PETR4) confirmou que desligará cerca de 11 mil funcionários de seu quadro até o início do ano que vem.

Segundo a estatal, estes empregados já aceitaram os planos de demissão e acertarão suas saídas da empresa entre o fim de 2020 e o início de 2021. Hoje, nem mesmo a recuperação do preço do petróleo elevou PETR4, que perdeu 2,26%.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 61,66 (-0,68%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 21,65 (-2,26%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 87,16 (+0,07%)
  • Via Varejo (VVAR3): R$ 17,43 (-3,60%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 20,08 (-2,38%)

Maiores altas

  • Suzano (SUZB3): R$ 50,05 (+2,10%)
  • Raia Drogasil (RADL3): R$ 115,47 (+1,29%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 87,16 (+0,07%)

Maiores baixas

  • Cielo (CIEL3): R$ 4,26 (-6,58%)
  • Lojas Renner (LREN3): R$ 42,24 (-4,97%)
  • BTG Pactual (BPAC11): R$ 75,76 (-4,97%)
  • IRB Brasil (IRBR3): R$ 5,62 (-4,91%)
  • Gol (GOLL4): R$ 20,10 (-4,78%)

Maiores altas da semana

  • Suzano (SUZB3): R$ 50,05 (+2,10%)
  • Ultrapar (UGPA3): R$ 22,95 (+6,45%)
  • Ambev (ABEV3): R$ 12,79 (+6,23%)
  • Azul (AZUL4): R$ 28,20 (+6,09%)
  • Flaury (FLRY3): R$ 29,32 (+5,58%)

Maiores baixas da semana

  • IRB Brasil (IRBR3): R$ 5,62 (-6,96%)
  • MRV (MRVE3): R$ 16,27 (-5,95%)
  • Eletrobras (ELET6): R$ 33,50 (-5,87%)
  • Eletrobras (ELET3): R$ 32,39 (-5,84%)
  • Cielo (CIEL3): R$ 4,26 (-4,05%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -1,74% (sexta-feira) | +0,01% (41.698,27 pontos)
  • IBrX 50: -1,77% (sexta-feira) | 0,00% (16.045,19 pontos)
  • IBrA: -1,76% (sexta-feira) | -0,001% (3.898,90 pontos)
  • SMLL: -1,94% (sexta-feira) | +0,71% (2.402,89 pontos)
  • IFIX: -0,08% (sexta-feira) | +0,22% (2.797,82 pontos)

Commodities

O petróleo fechou em baixa de 0,83% No Brent, enquanto no WTI caiu 0,24%.

Os embates dentro da OPEP+ seguem, agora com a Arábia Saudita pressionando os demais membros a manterem seus cortes de produção como no acordo firmado durante a pandemia.

Na semana, o Brent ganhou 7,79%. E o WTI, 9,52%. Ambas as referências tiveram boas recuperações.

  • Brent (para novembro): US$ 42,94 (-0,83%)
  • WTI (para outubro): US$ 40,87 (-0,24%)

O ouro subiu 0,41% nesta sexta, fechando a semana com um leve ganho de 0,51%. Semana passada, o ganho havia sido de 0,38%.

  • Ouro (dezembro): US$ 1.957,85 (+0,41%)

Com Wisir Research