Bolsa de valores fecha estável, com menos 0,02%, em dia morno

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores fechou a terça-feira (6) estável, com menos 0,02%, depois de trabalhar no positivo na maior parte do dia. Mas seguindo Nova York, que também fechou no negativo, o Ibovespa reverteu os ganhos terminou como se nem tivesse começado. O índice encerrou o pregão com 117.498,87 pontos.

Foi um dia morno, sem grandes acontecimentos no âmbito político e econômica no Brasil, o que abriu espaço para análise de declarações de autoridades na área, como o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Ambos trataram do problema do Orçamento 2021. Segundo Guedes, tanto o relator do Orçamento, senador Márcio Bittar, quanto os novos presidentes da Câmara (Arthur Lira) e do Senado (Rodrigo Pacheco) não “agiram de má-fé”. Já Campos Neto disse que a aprovação do Orçamento de 2021 pelo Congresso Nacional criou um clima de “incerteza fiscal” no País.

Em nível mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aumentou a expectativa de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) global para este ano.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 117.175,98 pontos (-0,29%); e na máxima, 118.212,60 pontos (+0,59%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 23,875 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (5): +1,97% (117.518,44 pontos)
  • terça-feira (6): -0,02% (117.498,87 pontos)
  • semana: +1,95%
  • abril: +0,74%
  • 2021: -1,28%

Dólar

O dólar despencou nesta terça. A moeda norte-americana desceu 1,41%, valendo R$ 5,5998.

  • segunda-feira (5): -0,62% a R$ 5,6798
  • terça-feira (6): -1,41% a R$ 5,5998
  • semana : -2,03% a R$ 5,5998

Euro

  • segunda-feira (5): -0,36% a R$ 6,6888
  • terça-feira (6): -0,73% a R$ 6,6400
  • semana: -1,09% a R$ 6,6400

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Assim como no Brasil, em Nova York, as ações flutuaram, com investidores retirando seus lucros após uma segunda-feira (5) de recordes no S&P 500 e no Dow Jones, dois dos mais importantes índices em Wall Street.

Além disso, os rendimentos dos títulos continuaram caindo em relação às altas recentes, diminuindo os temores de um aumento da inflação. A taxa de 10 anos caiu 6 pontos base para 1,66% na terça-feira.

Hoje, o governador da Califórnia, o Democrata Gavin Newsom, disse que o estado vai reabrir sua economia até 15 de junho, desde que a vacina contra a Covid-19 e os casos de hospitalização permaneçam estáveis.

Os Estados Unidos estão vendo um esforço maciço de vacinação que, aliado a planos trilionários de estímulo à economia, garante fôlego ao otimismo de que a “normalidade” está bem próxima.

Com isso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) espera uma recuperação econômica mais forte em 2021, mas alerta para “desafios assustadores” devido às diferentes taxas de administração de vacinas em todo o mundo.

A organização disse que espera que a economia mundial cresça 6% em 2021, acima da previsão de 5,5% em janeiro. Olhando mais à frente, o PIB global para 2022 deve aumentar 4,4%, acima de uma estimativa anterior de 4,2%. Para o Brasil, espera-se um crescimento de 3,7% este ano, a despeito do avanço mortal da pandemia no país, com quase 340 mil mortos e podendo chegar a 560 mil no começo de julho.

“Mesmo com a grande incerteza sobre o caminho da pandemia, uma saída para esta crise econômica e de saúde é cada vez mais visível”, disse o economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, no último relatório World Economic Outlook.

A última rodada de estímulos fiscais nos EUA, juntamente com a vacinação em todo o mundo, deixaram o FMI mais confiante sobre a economia global neste ano.

Os investidores ainda estão de olho na crise que encontrou o Credit Suisse. O banco anunciou hoje a debandada de funcionários de alto nível e propôs um corte em seus dividendos, diante do baque que sofreu com o caso Archegos Capital. O banco suíço anunciou que conta total ficou em US$ 4,7 bilhões.

A empresa agora espera um prejuízo antes dos impostos no primeiro trimestre de cerca de 900 milhões de francos suíços (algo em torno de US$ 960,4 milhões), após assumir uma cobrança de 4,4 bilhões de francos suíços como resultado do escândalo.

“A perda significativa em nosso negócio de Prime Services relacionada ao fracasso de um fundo de hedge sediado nos EUA é inaceitável”, disse o CEO Thomas Gottstein em uma atualização comercial.

Segundo lembra a CNBC, na semana passada, o Credit Suisse revelou que esperava pesadas perdas na esteira do colapso do fundo de hedge americano Archegos Capital. O banco foi forçado a se desfazer de uma quantidade significativa de ações para cortar seus laços com o problemático family office.

Na volta do feriado de Páscoa, o mercado europeu foi no caminho contrário da Ásia e fechou no positivo, mais impactado pela alta em Wall Street no dia anterior, superando o problema do Credit Suisse.

Nova York

  • S&P: -0,10%
  • Nasdaq: -0,05%
  • Dow Jones: -0,29%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,62%
  • DAX (Alemanha): +0,70%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +1,28%
  • CAC (França): +0,47%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,66%
  • FTSE MIB (Itália): +0,21%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,04%
  • SZSE Component (China): -0,28%
  • China A50 (China): -0,71%
  • DJ Shanghai (China): -0,09%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +1,97%
  • SET (Tailândia): feriado
  • Nikkei (Japão): -1,30%
  • ASX 200 (Austrália): +0,84%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,20%

Brasil: ambiente político e econômico

O Orçamento 2021 aprovado recentemente pelo Congresso Nacional ainda é foco das atenções políticas de de mercado.

Paulo Guedes, ministro da Economia, disse que viu boa vontade dos envolvidos para que os excessos do Orçamento de 2021 sejam corrigidos antes da aprovação do Congresso.

Segundo o chefe da pasta, tanto o relator do Orçamento, senador Márcio Bittar, quanto os novos presidentes da Câmara (Arthur Lira) e do Senado (Rodrigo Pacheco) não “agiram de má-fé”.

“Alguns excessos que ocorreram precisam ser removidos. Tenho certeza de que não foi nada de má-fé. É natural de um time que não jogou junto ainda. É natural que a soma das partes exceda o que era possível fazer. É da política. Disseram que havia desentendimento, mas estamos de acordo de que precisamos cumprir as exigências jurídica e política”, disse, apaziguando os primeiros atritos com Lira, que afirmou semana passada que Guedes praticava “terrorismo” com as críticas às peça orçamentária aprovada.

É bom, nesse caso, sempre lembrar o óbvio: Executivo e Legislativo falando a mesma língua, sem trombadas, é ótimo para a previsibilidade de mercado. A economia e o país agradecem.

Roberto Campos Neto, presidente do BC, avaliou que a aprovação do Orçamento de 2021 pelo Congresso Nacional criou um clima de “incerteza fiscal” no País.

De acordo com o executivo maior da autarquia, que nesta terça participou de uma videoconferência, a explicação “não foi boa o bastante”, e os efeitos podem prejudicar a economia do País.

“Provavelmente, a explicação para o Orçamento não foi boa o bastante e criou muita incerteza por algo que, na realidade, as pessoas esperavam ver de uma forma mais simples e clara”, pontuou.

“Eu acho que o ministro Paulo Guedes tem explicado o processo. A incerteza ao redor disso criou um prêmio fiscal. Precisamos explicar às pessoas o que vai ser feito, precisamos remover isso. E acho que é relativamente fácil fazer isso”, completou.

Roberto Campos Neto também foi abordado sobre o desejo de diversos setores da sociedade para que em 2021 seja decretado o estado de calamidade pública, repetindo o que ocorreu no País em 2020.

Segundo ele, é preciso ter cautela antes de forçar qualquer decisão nesse sentido, pois os impactos negativos podem ser maiores do que os benefícios.

“Se eu disser que estou entrando em estado de calamidade porque quero gastar R$ 25 bilhões a mais, eu posso garantir que os efeitos econômicos, nos mercados, vindos de distúrbios nas variáveis macroeconômicas, serão maiores do que o efeito econômico positivo de gastar mais”, ponderou.

Guedes concorda. Um eventual acionamento da cláusula de calamidade para enfrentar a pandemia da Covid-19 não é recomendável e reforçaria a instabilidade. Ele comparou a medida à assinatura de um “cheque em branco”.

Na avaliação do ministro, a aprovação pelo Congresso do estado de calamidade pública, que suspenderia regras fiscais e criaria uma espécie de orçamento de guerra (nos moldes do ano passado), não daria um sinal de estabilidade para a economia.

Isso porque os salários dos servidores públicos nos três níveis de governo (federal, estadual e municipal), que seriam a principal contrapartida da cláusula de calamidade, estão congelados até o fim de 2021.

Sobre os dados divulgados hoje, os custos todais do governo federal, impulsionados pela pandemia de Covid-19, totalizaram R$ 2,64 trilhões e aumentaram 16% em 2020 em relação a 2019.

O indicador mede os gastos dos Três Poderes da União e do Ministério Público Federal com mão de obra, funcionamento, insumos, gastos financeiros, desvalorização de patrimônio e repartição de receitas com estados, municípios e organizações da sociedade.

Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal, afirmou que os empréstimos da instituição cresceram exponencialmente nos três primeiros meses de 2021. E que isso significou um aumento na geração de empregos no País.

“A Caixa Econômica emprestou 75% mais nos primeiros três meses de 2021 do que em 2020. Isso significa um milhão a mais de empregos. Nunca a Caixa emprestou tanto, nunca”, disparou, ao lado de Jair Bolsonaro (sem partido), presidente da República, em evento da instituição.

“Seja para a saúde, seja para a habitação, a Caixa está presente na vida da população, em especial da mais humilde. Mais de um milhão de famílias estão sendo beneficiadas porque a Caixa não parou e cresceu em 70% o crédito de um ano atrás”, enalteceu.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 44 subiram e as outras 37 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 102,05 (-1,30%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 24,02 (-0,08%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 25,60 (-1,58%)
  • CSN (CSNA3): R$ 39,17 (+3,62%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 27,13 (-1,17%)

Maiores altas

  • SulAmérica (SULA11): R$ 34,92 (+4,27%)
  • Fleury (FLRY3): R$ 26,92 (+3,90%)
  • CSN (CSNA3): R$ 39,17 (+3,62%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 17,65 (+3,46%)
  • Qualicorp (QUAL3): R$ 29,60 (+3,35%)

Maiores baixas

  • Bradesco (BBDC3): R$ 22,50 (-2,00%)
  • BR Distribuidora (BRDT3): R$ 22,33 (-1,63%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 25,60 (-1,58%)
  • Cosan (CSAN3): R$ 91,07 (-1,51%)
  • Hypera (HYPE3): R$ 32,63 (-1,48%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,10% (50.559,27 pontos)
  • IBrX 50: -0,15% (19.630,78 pontos)
  • IBrA: +0,03% (4.744,36 pontos)
  • SMLL: +1,36% (2.861,56 pontos)
  • IFIX: -0,13% (2.843,98 pontos)
  • BDRX: -1,16% (13.367,15 pontos)

Commodities

  • Brent (para junho): US$ 62,74 (+0,95%)
  • WTI (para maio): US$ 59,33 (+1,16%)
  • Ouro (junho): US$ 1.743,00 (+0,82%)

Com Wisir Research, BDM e CNBC