Bolsa de valores fecha a semana com ganho acumulado de 2,93%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores fechou a terceira semana seguida no positivo, com mais 2,93%, a melhor performance desde a primeira semana de março (quando ganhou 4,70%). Nesta sexta-feira (16), o Ibovespa ficou com 121.113,93 pontos, melhor patamar desde 18 de janeiro de 2021. A alta do dia foi de 0,34%.

Há uma certa tranquilidade no mercado financeiro com relação às política econômicas, na análise que o Congresso Nacional praticamente rifou o Executivo federal e passou a orientar as direções, com os presidentes do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), se reunindo com agentes do mercado e empresários para tranquilizá-los sobre a questão fiscal.

Mesmo sem uma definição sobre o Orçamento 2021, cuja data final é dia 22, quinta-feira que vem, e mesmo com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que vai investigar os possíveis crimes do governo federal no trato da pandemia, devendo começar dia 27 de abril, nada parece abalar os negócios, se os negócios simplesmente tirarem o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) do foco. Enquanto isso, o ex-presidente Lula (PT-SP) volta definitivamente para o jogo em 2022 e a disputa eleitoral se antecipa bastante.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 120.198,90 pontos (-0,42%); e na máxima, 121.333,36 pontos (+0,52%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 29,973 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (12): +0,97% (118.811,74 pontos)
  • terça-feira (13): +0,41% (119.297,13 pontos)
  • quarta-feira (14): +0,84% (120.294,68 pontos)
  • quinta-feira (15): +0,34% (120.700,67 pontos)
  • sexta-feira (16): +0,34% (121.113,93 pontos)
  • semana: +2,93%
  • abril: +3,84%
  • 2021: +1,73%

Dólar

O dólar fechou em queda a semana quase toda negativa. A moeda norte-americana desceu 0,77%, valendo R$ 5,5847.

  • segunda-feira (12): +0,84% a R$ 5,7224
  • terça-feira (13): -0,08% a R$ 5,7176
  • quarta-feira (14): -0,82% a R$ 5,6705
  • quinta-feira (15): -0,75% a R$ 5,6281
  • sexta-feira (16): -0,77% a R$ 5,5847
  • semana : -1,59% a R$ 5,5847

Euro

  • segunda-feira (12): +0,97% a R$ 6,8277
  • terça-feira (13): +0,03% a R$ 6,8296
  • quarta-feira (14): -0,86% a R$ 6,7707
  • quinta-feira (15): -0,75% a R$ 6,7198
  • sexta-feira (16): -0,35% a R$ 6,6960
  • semana: -0,98% a R$ 6,6960

Criptomoedas*

  • Bitcoin: -2,12% a R$ 346.548,84
  • Ethereum: -0,47% a R$ 13.715,47
  • Binance: -5,94% a R$ 2.883,73

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações dos EUA subiram novamente, em meio a fortes balanços apresentados nesses início de temporada do primeiro trimestre de 2021.

O sentimento do investidor foi impulsionado também por uma série de dados econômicos esta semana, que apontaram para uma recuperação no consumo e mercado de trabalho.

A Universidade de Michigan divulgou hoje que seu índice preliminar de confiança do consumidor subiu para a maior alta em um ano de 86,5 na primeira metade deste mês, de 84,9 em março.

O Federal Reserve afirma que a economia dos EUA está pronta para decolar, mas ainda não há razão para começar a apertar a política fiscal e monetária.

Dados divulgados na quinta-feira mostraram que as vendas no varejo aumentaram 9,8% em março, à medida que estímulos adicionais aumentaram os gastos do consumidor, superando a estimativa do Dow Jones de um ganho de 6,1%. Enquanto isso, o Departamento de Trabalho relatou 576.000 pedidos de seguro-desemprego pela primeira vez na semana encerrada em 10 de abril, atingindo o nível mais baixo desde março de 2020.

A “normalidade” (ou o que se via até o final de 2019) ainda pode estar longe, mas os Estados Unidos, ao menos, estão caminhando em direção a ela.

Como observou a CNBC, as ações na Europa receberam uma boa transferência da Ásia-Pacífico, onde os investidores reagiram à divulgação de dados econômicos chineses. O Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2021 bateu um recorde de 18,3% no gigante asiático, enquanto as vendas no varejo de março superaram as projeções.

A inflação na zona do euro subiu em março, confirmou o Eurostat hoje, com os preços ao consumidor em todo o bloco subindo 0,9% no comparativo mensal, impulsionados principalmente por serviços e energia.

No campo diplomático, o atrito é menor do que se imagina. As novas sanções dos EUA à Rússia são basicamente “simbólicas” e terão impacto mínimo nos mercados e nas perspectivas macroeconômicas, sugeriram economistas, em artigo da CNBC.

O governo Biden anunciou ontem (15) uma série de novas sanções contra Moscou por conta da interferência nas eleições de 2020, além de um ataque cibernético ao governo dos EUA e redes corporativas, anexação ilegal e ocupação da Crimeia, da Ucrânia, e abusos aos direitos humanos.

As sanções foram 16 entidades e 16 indivíduos acusados ​​de tentar influenciar as eleições de 2020, juntamente com cinco indivíduos e três entidades ligadas à anexação da Crimeia, e expulsaram 10 diplomatas russos dos EUA.

Washington também impôs sanções à dívida soberana russa recém-emitida, o que causou uma leve venda do rublo russo e de títulos soberanos na quinta-feira.

A medida impede que as instituições financeiras dos EUA participem no mercado primário de dívidas denominadas em rublos e não rublos após 14 de junho.

No entanto, os economistas não preveem quaisquer consequências tangíveis das sanções, que são vistas como “irrelevantes”, segundo Agathe Demarais, diretora de previsão global da The Economist Intelligence Unit: “sanções a indivíduos e empresas russas são irrelevantes, visto que essas pessoas e empresas não têm laços com os EUA e provavelmente nenhuma intenção de usar o dólar americano ou de ter contas bancárias nos EUA”.

Nova York (sexta-feira)

  • S&P: +0,36%
  • Nasdaq: +0,10%
  • Dow Jones: +0,48%

Nova York (semana)

  • S&P: +1,11%
  • Nasdaq: +1,09%
  • Dow Jones: +1,18%

Europa (sexta-feira)

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,99%
  • DAX (Alemanha): +1,34%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,52%
  • CAC (França): +0,85%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,49%
  • FTSE MIB (Itália): +0,88%

Europa (semana)

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +1,36%
  • DAX (Alemanha): +1,48%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +1,50%
  • CAC (França): +1,91%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,56%
  • FTSE MIB (Itália): +1,29%

Ásia e Oceania (sexta-feira)

  • Shanghai (China): +0,81%
  • SZSE Component (China): +0,30%
  • China A50 (China): +0,58%
  • DJ Shanghai (China): +0,72%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,85%
  • SET (Tailândia): +0,51%
  • Nikkei (Japão): +0,14%
  • ASX 200 (Austrália): +0,07%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,13%

Ásia e Oceania (semana)

  • Shanghai (China): -0,70%
  • SZSE Component (China): -0,67%
  • China A50 (China): -1,40%
  • DJ Shanghai (China): -1,03%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,94%
  • SET (Tailândia): -1,11%
  • Nikkei (Japão): -0,28%
  • ASX 200 (Austrália): +0,98%
  • Kospi (Coreia do Sul): +2,13%

Brasil: ambiente político e econômico

Por 8 votos a 3, a maioria do Supremo Tribunal Federal (STF) votou por acompanhar a decisão do ministro Edson Fachin, que no última dia 8 de março anulou as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato.

A decisão da maioria do STF derruba as restrições na Justiça Eleitoral e mantém Lula elegível e apto a disputar a corrida presidencial de 2022.

Os ministros julgaram recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a decisão individual do ministro Fachin, que anulou as condenações relacionadas aos casos do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. As condenações foram proferidas pelo ex-juiz Sérgio Moro e pela juíza Gabriela Hardt.

Para anular as condenações de Lula, Fachin alegou que a 13ª Vara Federal, em Curitiba, não tinha competência legal para efetuar o julgamento das acusações.

Lula, agora, não só está apto a concorrer em 2022 à presidência, se assim o desejar, como recente pesquisa coloca o ex-presidente com 18 pontos percentuais de vantagem sobre o atual – que fora da margem de erro não ganha de nenhum adversário pesquisado, segundo o instituto PoderData, do Poder 360.

Depois de, direta ou indiretamente, o governo federal agir na troca de comando das três maiores empresas estatais do país, o risco de haver interferências políticas nestas empresas disparou.

A proximidade com a eleição presidencial de 2022 piora ainda mais o cenário e o receio de que o comando das companhias seja ocupado tendo como critério interesses políticos e não a capacidade técnica dos profissionais é crescente.

As gestoras já anteveem problemas e abandonam exposição em Petrobras (PETR3 PETR4), Eletrobras (ELET3 ELET6) e Banco do Brasil (BBAS3) principalmente, além das demais estatais.

Já Pacheco prorrogou por 60 dias a MP que define condições de privatização da Eletrobras. O ato foi publicado no Diário Oficial da União desta quinta-feira (15).

A MP determina que a privatização será pela venda de novas ações no mercado. Esse ato faz com que o percentual acionário da União caia para menos de 50%.

Essa capitalização pode ser acompanhada em conjunto da oferta pública secundária de ações de propriedade da União. Ou também por empresa controlada pela União, direta ou indiretamente. O valor total previsto pelo governo em R$ 50 bilhões.

A celeuma criada em torno do Orçamento 2021 pode fazer com que o governo recrie o antigo Ministério do Planejamento, atualmente sob a aba da pasta Economia.

De acordo com informações do blogue da Ana Flor, do portal G1, a ideia é que o antigo ministério, que existiu até 2018, tire das mãos do time comandado por Paulo Guedes os temas orçamentários.

Bolsonaro teria ouvido, em reunião recente no Planalto, que a centralização de tarefas na área econômica não foi uma ideia muito boa.

De acordo com o blog, a confusão em torno da aprovação do Orçamento 2021 dividiu o governo entre a área fiscal e a política.

Enquanto os integrantes da ala fiscal focam em reduzir o endividamento, o outro time tenta buscar meios para ampliar projetos e emendas dentro do Congresso, mas por meio do Orçamento.

Bolsonaro vem afirmando, segundo interlocutores, que confia no ministro da Economia, Paulo Guedes, não pedirá sua saída, mas pode avaliar uma separação da área orçamentária em um novo ministério.

O presidente tem até o dia 22 de abril para sancionar, com vetos ou não, o texto do Orçamento 2021, aprovado pelo Congresso há um mês. Há um rombo no Teto de Gastos, de mais de R$ 35 bilhões, em emendas parlamentares, que precisam ser ajustados.

Investimentos de estatais e obras de conservação e recuperação de rodovias poderão ser executadas em 2022, mesmo que haja atraso na aprovação do Orçamento. A novidade consta do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) do próximo ano, enviado pelo governo ao Congresso Nacional.

Tradicionalmente, o Orçamento obedece à regra do duodécimo caso inicie um ano sem ser sancionado. Cada despesa discricionária (não obrigatória) fica limitada a 1/12 da verba prevista para este ano a cada mês de atraso.

Investimentos em execução ficam liberados, desde que sejam executados com restos a pagar (verbas de anos anteriores). Os pagamentos obrigatórios, como benefícios sociais e salários, não são afetados.

Gastos como financiamento estudantil, defesa civil, eleições e aplicação mínima em saúde também ficam liberados caso o Orçamento atrase. O Executivo, no entanto, tem a liberdade de restringir ainda mais os gastos não obrigatórios nessas situações.

Em 2021, os gastos correntes estão limitados a 1/18 a cada mês de atraso na sanção – corte de um terço em relação ao valor originalmente previsto.

No campo dos dados, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) variou 0,74% e acumula alta de 7,09% nos últimos 12 meses. A última leitura havia sido de 1% e a alta menos intensa do preço da gasolina contribuiu para a desaceleração.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 54 subiram, 1 ficou estável (CIEL3) e as outras 26 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 108,67 (+0,43%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 22,95 (-0,61%)
  • Lojas Renner (LREN3): R$ 46,90 (+11,91%)
  • Petrobras (PETR3): R$ 22,65 (-1,18%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 26,10 (+1,16%)

Maiores altas

  • Lojas Renner (LREN3): R$ 46,90 (+11,91%)
  • Hering (HGTX3): R$ 23,37 (+6,66%)
  • Eletrobras (ELET6): R$ 36,33 (+5,15%)
  • Eletrobras (ELET3): R$ 35,55 (+3,95%)
  • Braskem (BRKM5): R$ 49,98 (+3,01%)

Maiores baixas

  • Natura (NTCO3): R$ 50,16 (-5,07%)
  • Minerva (BEEF3): R$ 10,72 (-4,29%)
  • JBS (JBSS3): R$ 33,41 (-3,19%)
  • BRF (BRFS3): R$ 23,59 (-2,92%)
  • Klabin (KLBN11): R$ 29,45 (-2,00%)

Maiores altas da semana

  • Hering (HGTX3): R$ 23,37 (+38,78%)
  • Braskem (BRKM5): R$ 49,98 (+15,24%)
  • Lojas Renner (LREN3): R$ 46,90 (+13,01%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 21,57 (+12,34%)
  • CSN (CSNA3): R$ 48,00 (+11,39%)

Maiores baixas da semana

  • SulAmérica (SULA11): R$ 32,28 (-4,89%)
  • Azul (AZUL4): R$ 37,81 (-3,91%)
  • Ecorodovias (ECOR3): R$ 11,34 (-3,57%)
  • Eneva (ENEV3): R$ 16,66 (-3,48%)
  • Cielo (CIEL3): R$ 3,68 (-3,41%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,39% (sexta-feira) | +3,12% (semana) (52.249,06 pontos)
  • IBrX 50: +0,26% (sexta-feira) | +3,21% (semana) (20.290,40 pontos)
  • IBrA: +0,43% (sexta-feira) | +3,18% (semana) (4.908,46 pontos)
  • SMLL: +0,87% (sexta-feira) | +2,16% (semana) (2.965,79 pontos)
  • IFIX: +0,14% (sexta-feira) | -0,07% (semana) (2.847,43 pontos)
  • BDRX: -0,55% (sexta-feira) | -0,17% (semana) (13.695,19 pontos)

Commodities

  • Brent (para junho): US$ 66,77 (-0,25%)
  • WTI (para maio): US$ 63,19 (-0,50%)
  • Ouro (junho): US$ 1.780,20 (+0,76%)

Com Wisir Research, BDM e CNBC