Tag along: entenda o que é e como funciona esse mecanismo de proteção

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
1

Crédito: Pixabay

O acionista de empresas negociadas em bolsa de valores possui direitos que vão além do recebimento de dividendos, um deles é o tag along.

Mas, você sabe o que é isso?

Tag along é um mecanismo criado para proteção do acionista minoritário, que em tradução livre, significa “ir junto”.

EmpreendedorismoTécnicas para Renda Fixa. Tendências. Privatizações. Estratégias para proteção de investimentos.

Tudo isso hoje na MoneyWeek

Ou seja, essa proteção possibilita o acionista minoritário realizar o desinvestimento de sua participação se o controle da companhia mudar de mãos.

Logo, o tag along aproxima os interesses dos minoritários aos do bloco controlador, garantindo equilíbrio de forças.

Entendendo o tag along

A legislação brasileira determina o valor de 80% de tag along para as ações ordinárias (ON).

Assim, caso um novo controlador assuma o comando da empresa, o mesmo deverá realizar uma oferta de 80% do valor pago pelas ações adquiridas ao.

Já as ações preferencias não contam com essa proteção. Por isso, normalmente, são mais descontadas do que as ordinárias (ON).

Veja o exemplo abaixo de como é calculado o tag along:

O sócio controlador vendeu cada ação por R$ 10,00.

Dessa forma, o novo controlador é obrigado por lei a oferecer, no mínimo, R$ 8,00 para os detentores de ações ordinárias (ON).

O procedimento é realizado por meio de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA).

Importante lembrar, que a venda por parte dos acionistas é facultativa, ou seja, fica a critério do sócio a decisão de vender ou não as ações.

Como descobrir se ação investida tem tag along?

Para isso, o investidor pode acessar o site da B3 ou entrar em contato com setor relações com investidores (RI) da companhia.

Mas, se você é trader, que realiza operações no curtíssimo prazo, não precisa se preocupar esse tipo de proteção.  Pois, o tag along é mais indicado para investidores de longo prazo, sujeitos a mudanças no meio do caminho.

Drag along

Diferentemente do tag along que tem como objetivo proteger os minoritários, o drag along visa favorecer os sócios majoritários em caso de processos de compra da empresa.

Ou seja, é uma cláusula que obriga os acionistas minoritários a venderem suas ações se o grupo controlador decidir alienar a maioria do capital social para um investidor. Nesse caso, a venda não se trate de apenas uma parte mas da companhia em sua totalidade.

Assim, a venda das ações deve ser feita sob o mesmo preço e condições equivalentes.

Dessa forma, tag along e o drag along são mecanismos que visam a proteção dos interesses dos acionistas minoritários e majoritários em caso de compra da empresa.

Proteção pode ser ainda maior

A legislação das SAs garante 80% do preço pago aos controladores para os acionistas detentores de ações ordinárias. Mas, dependendo do segmento de listagem da B3, a proteção pode chegar até 100% e se estender aos papeis preferenciais (PN).

Este é o caso de empresas listadas Novo Mercado, Nível II e Bovespa Mais. Isso porque Nível II tanto ações ordinárias quanto preferenciais contam com tag along de 100%.

E os segmentos Novo Mercado e Bovespa Mais permitem emissão apenas de ações ordinárias com 100% de tag along.

Sem dúvidas, esse mecanismo de proteção é muito interessante para o acionista minoritário.

Alguns especialistas em investimentos chegam até a defender investimentos apenas em ações ordinárias, tendo em vista o maior grau de segurança desse tipo de ação.

Apesar de ser um importante crivo ao analisar ações, não deve ser considerado isoladamente na hora de investir.