Bolsa dá as costas a problemas domésticos e sobe 0,34%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores fechou com mais 0,34% nesta quinta-feira (15), com 120.700,67 pontos. Durante o dia, passou dos 121 mil, algo que acontecia desde 5 de fevereiro deste ano (a última vez que o Ibovespa fechou acima dos 121 mil foi em 18 de janeiro de 2021).

Em Nova York, porém, a coisa foi diferente, com os principais índices renovando recordes e fazendo a festa, graças aos bons indicadores econômicos apresentados nos Estados Unidos, que deram uma sugestão do quanto a economia está se restabelecendo.

Entretanto, há muitos pontos de atenção ainda, seja na política externa, seja na doméstica. O novo atrito EUA e Rússia, com a Ucrânia no meio, eleva a tensão internacional. Além do mais, há problemas agora com a vacina da Pfizer, que demanda, aparentemente, uma terceira dose; e há uma pequena preocupação emanando da economia da Turquia.

No Brasil, o Centrão deu aviso “por alto” para Paulo Guedes, o ministro da Economia, de que ele não é insubstituível. Ainda há CPI em andamento, pandemia no alto platô de mortes, julgamento do Caso Lula e Moro, inflação galopante etc. Mesmo com tanta emoção e um chão lotado de cascas de banana, os agentes do mercado se comportam com tranquilidade.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 120.083,97 pontos (-0,18%); e na máxima, 121.408,72 pontos (+0,92%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 30,447 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (12): +0,97% (118.811,74 pontos)
  • terça-feira (13): +0,41% (119.297,13 pontos)
  • quarta-feira (14): +0,84% (120.294,68 pontos)
  • quinta-feira (15): +0,34% (120.700,67 pontos)
  • semana: +2,58%
  • abril: +3,49%
  • 2021: +1,41%

Dólar

O dólar voltou a cair nesta quinta. A moeda norte-americana desceu 0,75%, valendo R$ 5,6281.

  • segunda-feira (12): +0,84% a R$ 5,7224
  • terça-feira (13): -0,08% a R$ 5,7176
  • quarta-feira (14): -0,82% a R$ 5,6705
  • quinta-feira (15): -0,75% a R$ 5,6281
  • semana : -0,82% a R$ 5,6281

Euro

  • segunda-feira (12): +0,97% a R$ 6,8277
  • terça-feira (13): +0,03% a R$ 6,8296
  • quarta-feira (14): -0,86% a R$ 6,7707
  • quinta-feira (15): -0,66% a R$ 6,7263
  • semana: +0,52% a R$ 6,7263

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +1,90% a R$ 357.439,88
  • Ethereum: +6,48% a R$ 14.049,28
  • Binance: +2,38% a R$ 3.103,86

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações subiram, quando os investidores se depararam com bons dados econômicos dos Estados Unidos.

Para começar, dados de emprego. Os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos vieram bem melhor do que a projeção: ficaram em 576 mil, quando eram aguardados 700 mil reivindicações.

Na semana passada, os pedidos foram 769 mil – revisados dos 744 mil anunciados anteriormente.

Este é o nível mais baixo para reivindicações iniciais desde 14 de março de 2020, quando 256 mil pedidos foram feitos.

As vendas no varejo dos Estados Unidos tiveram forte recuperação em março. Subiram 9,8%, resultado superior aos 5,9% da projeção e ao recuo de 2,7% de fevereiro.

A alta vem como consequência da entrega dos cheques de US$ 1,4 mil do pacote de auxílio à pandemia do presidente local Joe Biden. E também da bem-sucedida campanha de vacinação no país, que permitiu a reabertura do comércio.

Outro dado divulgado hoje, de produção industrial, pelo Federal Reserve (Fed), aponta alta de 1,4% em março, ante recuo de 2,6% em fevereiro. Ainda assim, o resultado veio abaixo da projeção de 2,8%.

Além do mais, os investidores ainda digerem os saborosos balanços do primeiro trimestre de 2021, especialmente dos bancos.

Do lado negativo, com potencial para abalar a confiança mundial na retomada econômica, EUA e Rússia tiveram um capítulo de atrito que há muito não se via.

O governo Biden impôs uma série de novas sanções contra Moscou, devido à suposta interferência nas eleições de 2020, um ataque cibernético contra o governo dos EUA e redes corporativas, anexação ilegal e ocupação da Crimeia e abusos aos direitos humanos.

“Hoje, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA tomou uma ação abrangente contra 16 entidades e 16 indivíduos que tentaram influenciar as eleições presidenciais dos EUA em 2020 na direção da liderança do governo russo”, disse o Tesouro em um comunicado.

Além das amplas sanções emitidas pelo Tesouro, o Departamento de Estado anunciou que expulsará 10 funcionários da missão diplomática da Rússia nos Estados Unidos.

As sanções vêm após o telefonema do presidente Joe Biden esta semana com o líder russo Vladimir Putin. Paralelamente, as forças russas se intensificam perto da fronteira com a Ucrânia.

Relatório de março do diretor de inteligência nacional dos EUA concluiu que Putin autorizou tentativas de interferir nas eleições de 2020 a favor do ex-presidente Donald Trump.

O governo russo nega todas as acusações.

E tem a emergente Turquia. O Comitê de Política Monetária do país optou hoje por manter sua taxa básica de juros inalterada em 19%, em um movimento amplamente antecipado pelos mercados.

Embora não seja surpreendente para os investidores que observam o banco central, o sinal dovish, no entanto, arrisca mais volatilidade para a moeda do país, uma vez que eviscera a probabilidade de taxas mais altas no futuro para conter a inflação de dois dígitos da Turquia.

Problemas também com mais uma vacina. Depois dos EUA suspenderem preventivamente a aplicação da vacina da Janssen (da Johnson & Johnson), por conta de raros coágulos no sangue, mesmo motivo que fez a Dinamarca proibir a vacinação com a da AstraZenca/Universidade de Oxford, agora é a Pfizer que deixa uma pulga atrás da orelha.

O CEO da Pfizer, Albert Bourla, disse que as pessoas “provavelmente” precisarão de uma dose de reforço da vacina contra a Covid-19 dentro de 12 meses, após serem totalmente vacinadas, o que suspeitava-se aconteceria após as duas doses aplicadas.

Bourla disse que é possível que as pessoas precisem ser vacinadas contra o coronavírus anualmente – embora muitos infectologistas já “apostassem” que a vacinação será para sempre a partir de agora, anualmente.

“Um cenário provável é que haja necessidade de uma terceira dose, algo entre seis e 12 meses e, a partir daí, haverá uma revacinação anual, mas tudo isso precisa ser confirmado. E, novamente, as variantes desempenharão um papel fundamental”, disse o CEO.

A vacina da Pfizer é justamente a que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou no Brasil hoje. Ele informou que a farmacêutica vai antecipar, para o primeiro semestre, a entrega de 2 milhões de doses da vacina contra Covid-19 para o Brasil. O governo brasileiro tem um contrato com a farmacêutica para a entrega de 100 milhões de doses até o final do ano.

Com a antecipação, estão garantidos 15,5 milhões de doses da vacina para os meses de abril, maio e junho. No mês passado, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o presidente da Pfizer, Albert Bourla, e pediu a antecipação dos imunizantes.

Nova York

  • S&P: +1,11%
  • Nasdaq: +1,31%
  • Dow Jones: +0,91%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,43%
  • DAX (Alemanha): +0,30%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,63%
  • CAC (França): +0,41%
  • IBEX 35 (Espanha): -0,20%
  • FTSE MIB (Itália): -0,19%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,52%
  • SZSE Component (China): -0,42%
  • China A50 (China): -1,13%
  • DJ Shanghai (China): -0,58%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,39%
  • SET (Tailândia): mercado fechado
  • Nikkei (Japão): +0,07%
  • ASX 200 (Austrália): +0,51%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,38%

Brasil: ambiente político e econômico

A Folha de S. Paulo disse hoje que o aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e um dos líderes do centrão, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), critica a postura de Paulo Guedes, na interlocução com o Congresso, em especial no caso da sanção do Orçamento.

Para Nogueira, Guedes não é “insubstituível”. “Não, de forma nenhuma eu defendo a sua demissão. Há muito tempo não tínhamos um ministro que tivesse uma representatividade tão grande. Agora, ele não é insubstituível. Se ele morrer o país acaba? Não. Ninguém é insubstituível”, afirmou o senador em entrevista à Folha.

Para bom entendedor, qualquer fala do Centrão já basta.

Os dados mostram que as vendas em supermercados registraram alta de 5,18% em fevereiro em comparação com o mesmo mês de 2020, segundo o balanço divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Em janeiro, o crescimento havia sido de 12% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo o vice-presidente Administrativo da Abras, Marcio Milan, o resultado menos favorável em fevereiro do que no primeiro mês do ano foi influenciado por fatores como as próprias características do mês, que tem menos dias, e também a renda das famílias na pandemia da covid-19.

“Esse mês de fevereiro foi mais difícil para todos em função do fim do auxílio emergencial”, disse. O cancelamento do Carnaval foi outro elemento que, de acordo com ele, ajudou a desacelerar o setor.

Já a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, apontou que o setor avançou 3,7% na comparação entre janeiro e fevereiro de 2021. O resultado é bem melhor do que o consenso de 1,5%. Porém, não reflete as novas medidas de distanciamento adotadas em março.

Na comparação com fevereiro de 2020, sem ajuste sazonal, porém, há recuo de 2%. No acumulado de doze meses, a queda é de 8,6%.

Já na análise com ajuste sazonal, o setor supera, pela primeira vez, o nível em que se encontrava antes da pandemia. Em nove meses de altas consecutivas, serviços tem crescimento de 24%. E, com isso, fica 0,9% acima do patamar de fevereiro de 2020.

E teve mais dado de inflação. O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) desacelerou. A alta está em 1,58% em abril, contra 2,99% em março, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV), em dados divulgados hoje. A estimativa do mercado era de alta de 1,38%.

Assim, o índice acumula alta de 9,16% no ano e de 31,74% em 12 meses. O IGP-10 calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.

Por fim, o Brasil terá déficit fiscal primário pelo nono ano consecutivo, segundo proposta enviada pelo Ministério da Economia no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), nesta quinta-feira (15).

Segundo consta no projeto da LDO do Governo Federal, a meta de déficit primário será de até R$ 170,4 bilhões para 2022, indicando que o valor gasto será acima da arrecadação.

O governo do Brasil vem registrando rombos nas contas do governo desde 2014 e, de acordo com o que foi divulgado hoje, a situação não será alterada em breve.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 47 subiram, 4 ficaram estáveis (BBDC4, HAPV3, ITUB4 e ITSA4) e as outras 30 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 108,21 (+1,13%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,09 (-1,99%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 27,64 (0,00%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 25,80 (0,00%)
  • B3 (B3SA3): R$ 54,56 (-0,85%)

Maiores altas

  • Hering (HGTX3): R$ 21,91 (+28,13%)
  • JBS (JBSS3): R$ 34,51 (+3,63%)
  • Braskem (BRKM5): R$ 48,52 (+3,54%)
  • Weg (WEGE3): R$ 78,30 (+2,72%)
  • EzTec (EZTC3): R$ 33,63 (+2,50%)

Maiores baixas

  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 36,26 (-5,08%)
  • PetroRio (PRIO3): R$ 97,60 (-4,13%)
  • IRB Brasil (IRBR3): R$ 6,25 (-2,95%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,09 (-1,99%)
  • SulAmérica (SULA11): R$ 31,96 (-1,96%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,41% (52.047,04 pontos)
  • IBrX 50: +0,38% (20.237,48 pontos)
  • IBrA: +0,43% (4.887,29 pontos)
  • SMLL: +0,52% (2.940,31 pontos)
  • IFIX: +0,10% (2.843,51 pontos)
  • BDRX: +0,62% (13.771,19 pontos)

Commodities

  • Brent (para junho): US$ 66,94 (+0,54%)
  • WTI (para maio): US$ 63,46 (+0,49%)
  • Ouro (junho): US$ 1.766,80 (+1,75%)

Com Wisir Research, BDM e CNBC