Bolsa consegue subir e recuperar 0,81%; tensão política ainda é foco

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores se recuperou um pouco nesta terça-feira (20), ao ganhar 0,81% e fechar com 125.401,36 pontos, após a queda brutal da maioria dos índices mundiais, especialmente os de Nova York, que também se recuperaram hoje, ficando solidamente no positivo.

A cautela dos investidores vista ontem, com a derrocada de muitos dos principais mercados mundiais, continuou hoje, mas a procura por pechinchas e novas posições ajudou a ajustar o ambiente.

O avanço da variante delta do coronavírus, surgida na Índia, ainda é um problema no radar de todos, não só dos investidores, mas é uma preocupação que não deve ser mandatória por muito tempo.

No cenário político nacional, seguiu elevado o atrito entre o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e o presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), por conta do fundo partidário. Mesmo com o recesso legislativo, os poderes seguem se bicando, sem necessidade de estarem se bicando e isso estressa e gera incertezas.

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Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 123.630,60 pontos (-2,10%); e na máxima, 125.630,87 pontos (+0,99%).

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O volume financeiro negociado foi de R$ 25,100 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (19): -0,61% (124.394,57 pontos)
  • terça-feira (20): +0,81% (125.401,36 pontos)
  • semana: +0,21%
  • julho: -1,10%
  • 2021: +5,36%

Juros

  • D1F22: -0,01 p.p. para 5,76%
  • D1F23: -0,03 p.p. para 7,12%
  • D1F24: -0,04 p.p. para 7,75%
  • D1F25: -0,02 p.p. para 8,09%
  • D1F26: +0,01 p.p. para 8,32%
  • D1F27: +0,01 p.p. para 8,55%
  • D1F28: -0,01 p.p. para 8,70%
  • D1F29: +0,03 p.p. para 8,86%
  • D1F30: -0,03 p.p. para 8,99%
  • D1F31: +0,01 p.p. para 9,08%

Dólar

O dólar teve uma leve queda nesta terça. A moeda norte-americana perdeu 0,37% e passou a valer R$ 5,2311.

  • segunda-feira (19): +2,64% a R$ 5,2506
  • terça-feira (20): -0,37% a R$ 5,2311
  • semana: +2,27%

Euro

  • segunda-feira (19): +2,62% a R$ 6,1962
  • terça-feira (20): -0,62% a R$ 6,1576
  • semana: +2,00% a R$ 6,1576

Criptomoedas*

  • Bitcoin: -1,10% a R$ 156.011,40
  • Ethereum: +0,52% a R$ 9.405,54
  • Tether: +1,88% a R$ 5,23
  • Cardano: -1,74% a R$ 5,67
  • Binance: -2,77% a R$ 1.411,68

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Os investidores voltaram a comprar e recuperaram um pedaço das perdas desonrosas do dia anterior, em Nova York. Os principais índices em Wall Street ficaram no positivo, nesta terça-feira.

A recuperação ganhou força de forma constante durante a sessão, à medida que uma recuperação nos rendimentos do Tesouro acalmava algumas preocupações de que a aceleração da Covid-19 abalaria a recuperação econômica. À medida que os Treasuries de 10 anos se recuperava acima de 1,20%, a corrida para ações aumentou.

Os novos casos de Covid-19 pularam nos EUA à medida que a variante delta, originada na Índia, se espalha, principalmente entre os não vacinados. Os EUA estão com uma média de cerca de 26.000 casos diários nos últimos sete dias, mais do que o dobro da média de um mês atrás, de acordo com dados do CDC.

O petróleo contribuiu também, com uma leve e aliviante recuperação, depois do tombo incendiário de ontem. Mas oscilações ainda deverão ser vistas no horizonte curto.

Enquanto o mundo desmorona, Jeff Bezos, o CEO-que-não-é-mais-CEO da Amazon (AMZO34), vai ao espaço, com sua Blue Origin. E volta em segurança.

Na Europa, os índices também fecharam no positivo, sem dados econômicos no radar, enquanto os mercados da Ásia e Pacífico ficam na maioria no negativo, preocupados com o avanço sem dó da variante delta entre seus centros urbanos ultra habitados, Indonésia e Malásia à frente.

No Reino Unido, a variante delta também faz seus estragos, com quase 47 mil novos casos diários, o que ainda não se refletiu em mortes, graças à vacinação bastante avançada por lá, e muito menos em novas restrições de circulação de pessoas, o maior temor do mundo financeiro.

Nova York

  • S&P: +1,52%
  • Nasdaq: +1,57%
  • Dow Jones: +1,62%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,71%
  • DAX (Alemanha): +0,55%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,54%
  • CAC (França): +0,81%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,68%
  • FTSE MIB (Itália): +0,59%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,07%
  • SZSE Component (China): +0,12%
  • China A50 (China): -0,40%
  • DJ Shanghai (China): -0,09%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,89%
  • SET (Tailândia): -1,10%
  • Nikkei (Japão): -0,96%
  • ASX 200 (Austrália): -0,46%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,35%

Brasil: ambiente político e econômico

A preocupação com a delta finca raízes em todo o mundo, com raras exceções, como o Brasil, que segue como sua economia sem restrições, como se nada tivesse acontecendo, e como se a variante já não estivesse circulando à vontade por aqui. As autoridades estaduais e municipais parecem apostar uma corrida de velocidade: o que é mais rápida, a capacidade de circulação da variante ou a capacidade dos governos de vacinar a população?

São incertezas que afetam os negócios.

Sem dados econômicos e com o Congresso Nacional em seu inexplicável recesso de meio de ano, as notícias políticas tomam de assalto o noticiário.

Depois de Bolsonaro classificar o presidente em exercício da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), como “insignificante”, veio a resposta.

No Twitter, Ramos partiu para o contra-ataque: “Atenção! Depois de toda a fanfarronice, o presidente Bolsonaro está armando um acordão pra dobrar o valor do fundo e passar pra 4 bilhões! A verdade sempre aparece!”, referindo-se ao fundo eleitoral de quase R$ 6 bilhões aprovado junto com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que teve voto a favor da trupe parlamentar bolsonarista, incluindo dos filhos do presidente da República.

Hoje, para acalmar a claque furiosa, Bolsonaro disse que iria vetar o fundão. Mas Ramos não comprou a resposta: “Presidente Bolsonaro. Acordão de 4 bilhões, não! Vete total! Cumpra sua palavra! E não espere o último dia do prazo não! Vete hoje e devolva pro Congresso porque aí o voto é obrigatoriamente nominal!”.

Marcelo Ramos agora se declara oposição ao governo federal. E provocou o líder da nação: “Recebi, dos autores, cópia do superpedido de impeachment do presidente Bolsonaro. São 21 imputações de crime de responsabilidade e algumas delas, numa primeira leitura, parecem bem consistentes”.

Apesar disso, Ramos não quer atropelar o presidente de fato da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Segundo o próprio Ramos, o direito é de Lira tomar a decisão de dar andamento ou não aos pedidos de impeachment.

Mas o atrito entre Bolsonaro e Ramos dá uma ideia da instabilidade que o piso institucional tem no momento.

Ainda pregando para convertidos e marretando os pilares da democracia brasileira, com uma mão Bolsonaro segue insistindo em fraudes nas urnas eletrônicas.

Mesmo com o próprio PSDB, nas figuras do deputado Aécio Neves (MG) e Aloysio Nunes (SP), que compuseram a chapa derrotada em 2014, afirmando que não houve fraude naquele pleito, Bolsonaro insiste que Dilma Rousseff (PT-MG) não ganhou a eleição. Tais questionamentos criam mais instabilidades.

Com a outra mão, afaga os desvalidos prometendo lançar um Bolsa-Família com o mínimo de R$ 300, sem dizer de onde sairá o dinheiro, como e quando.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 58 subiram e 26 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Petrobras (PETR4): R$ 26,59 (+1,33%)
  • Vale (VALE3): R$ 113,10 (+0,84%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 24,38 (+1,54%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 29,28 (+1,31%)
  • JBS (JBSS3): R$ 30,61 (+6,69%)

Maiores altas

  • JBS (JBSS3): R$ 30,61 (+6,69%)
  • Embraer (EMBR3): R$ 18,32 (+5,90%)
  • Lojas Americanas (LAME4): R$ 8,33 (+5,44%)
  • Marfrig (MRFG3): R$ 19,67 (+4,24%)
  • Gol (GOLL4): R$ 21,53 (+3,51%)

Maiores baixas

  • Hapvida (HAPV3): R$ 14,75 (-3,02%)
  • Notre Dame Intermédica (GNDI3): R$ 81,92 (-2,36%)
  • MRV (MRVE3): R$ 15,76 (-1,99%)
  • EzTec (EZTC3): R$ 29,16 (-1,88%)
  • Hypera (HYPE3): R$ 34,50 (-1,15%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,80% (54.324,61 pontos)
  • IBrX 50: +0,90% (21.104,46 pontos)
  • IBrA: +0,76% (5.113,96 pontos)
  • SMLL: +0,97% (3.093,80 pontos)
  • IFIX: +0,12% (2.839,66 pontos)
  • BDRX: +1,30% (13.368,86 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (setembro)/barril

  • segunda-feira (19): -6,75% (US$ 68,62)
  • terça-feira (20): +1,06% (US$ 69,35)
  • semana: -5,69% (US$ 69,35)

Petróleo WTI (setembro)/barril

  • segunda-feira (19): -7,28% (US$ 66,35)
  • terça-feira (20): +1,28% (US$ 67,20)
  • semana: -6,00% (US$ 67,20)

Ouro (agosto)/onça-troy

  • segunda-feira (19): -0,37% (US$ 1.809,20)
  • terça-feira (20): -0,02% (US$ 1.808,65)
  • semana: -0,39% (US$ 1.808,65)

Prata (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (19): -2,64% (US$ 25,12)
  • terça-feira (20): -0,74% (US$ 24,96)
  • semana: -3,38% (US$ 24,96)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo.