Bolsa consegue se recuperar e ganha 0,30%, apesar do aceno do Copom

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores operou nesta quinta-feira (6) como se estivesse numa montanha-russa, subindo e descendo e dando sustos aqui e acolá. A sessão encerrou-se com alta de 0,30%, com 119.920,61 pontos, um ganho conquistado nos minutos finais. O Ibovespa ficou no sentido contrário dos principais índices em Nova York, que fecharam no azul – inclusive o Nasdaq, que vinha de três quedas seguidas.

No Brasil, ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu que irá aumentar a taxa Selic de 2,75% ao ano para 3,50%, como já previsto e digerido previamente pelo mercado. A decisão foi por unanimidade, também posição esperada pelos agentes do mercado.

A questão é a sinalização de que na reunião de junho poderá haver novo aumento, igualmente de 0,75 pontos percentuais, fazendo a Selic ir a 4,25%. Isso impactou diretamente no câmbio, que respondeu.

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Destaque para a Ambev (ABEV3), que, sgundo o BTG Pactual (BPAC11), teve um período “quase perfeito” no primeiro trimestre do ano.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 119.071,04 pontos (-0,41%); e na máxima, 119.966,42 pontos (+0,34%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 32,005 bilhões.

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Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (3): +0,27% (119.209,48 pontos)
  • terça-feira (4): -1,26% (117.712,00 pontos)
  • quarta-feira (5): +1,57% (119.564,44 pontos)
  • quinta-feira (6): +0,30% (119.920,61 pontos)
  • semana: +0,86%
  • maio: +0,86%
  • 2021: +0,77%

Dólar

O dólar despencou nesta quinta. A moeda norte-americana caiu 1,62%, valendo R$ 5,2779.

  • segunda-feira (3): -0,24% a R$ 5,4188
  • terça-feira (4): +0,22% a R$ 5,4307
  • quarta-feira (5): -1,21% a R$ 5,3648
  • quinta-feira (6): -1,62% a R$ 5,2779
  • semana : -2,85% a R$ 5,2779

Euro

  • segunda-feira (3): +0,34% a R$ 6,5602
  • terça-feira (4): -0,28% a R$ 6,5416
  • quarta-feira (5): -1,72% a R$ 6,4291
  • quinta-feira (6): -1,04% a R$ 6,3625
  • semana: -2,70% a R$ 6,3625

Criptomoedas*

  • Bitcoin: -2,14% a R$ 295.322,8
  • Ethereum: -0,27% a R$ 18.282,35
  • Binance: -3,16% a R$ 3.305,44

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações dos EUA subiram, empolgadas pelo relatório de empregos, que deu o peso do ritmo da recuperação do mercado de trabalho.

Os novos pedidos por seguro-desemprego nos EUA totalizaram 498 mil na semana, ante 590 mil da semana passada (revisados dos 553 mil anunciados anteriormente).

Esta é a primeira vez, desde o início da pandemia, que os pedidos ficam abaixo de 500 mil na semana.

O resultado foi divulgado hoje pelo Departamento de Trabalho. E veio melhor do que o aguardado pelo mercado, que eram 540 mil reivindicações. A queda significa que menos pessoas estão sem trabalho nos EUA. Informação que tende a ser reforçada na sexta-feira (7), com a divulgação do payroll, a folha de pagamentos não-agrícola oficial do país.

A média móvel dos pedidos de seguro-desemprego feitos nas últimas quatro semanas caiu em 61 mil, ficando em 560 mil pedidos.

O número total de pessoas que estavam recebendo seguro-desemprego do governo norte-americano na semana encerrada em 24 de abril subiu em 37 mil, para 3,69 milhões.

“A leitura de hoje é outra prova de que estamos um passo mais perto de uma recuperação econômica total, mais cedo do que alguns poderiam ter esperado”, disse à CNBC Mike Loewengart, diretor-gerente de estratégia de investimento da E-Trade Financial.

O Nasdaq Composite passou o dia inteiro registrando sua quarta sessão negativa consecutiva, com sua mais longa seqüência diária de perdas desde outubro. Mas virou na reta final e ficou no azul. Os investidores olham para empresas mais tradicionais, ligadas à abertura econômica.

No Velho Continente, o Banco da Inglaterra (BOE) manteve sua taxa de juros e programa de flexibilização quantitativa inalterados, enquanto observa que a recuperação econômica do Reino Unido está se acelerando. O BOE elevou sua perspectiva de crescimento em 2021 para 7,25%, um pouco acima das expectativas dos analistas.

Em uma entrevista com Joumanna Bercetche da CNBC, o governador do BOE, Andrew Bailey, disse que espera que a inflação seja “um pouco instável” este ano, mas insistiu que há poucos motivos para pânico no médio prazo.

Já o PMI (índice de gerentes de compras) composto final do Reino Unido mostrou que a atividade empresarial em abril ultrapassou uma estimativa inicial de 60,7, ante 56,4 em março. A atividade do setor de serviços cresceu acentuadamente para 61,0 de 56,3 em março.

As vendas no varejo na zona do euro também superaram as expectativas em março, subindo 2,7% no mês a mês, superando as previsões de uma pesquisa da Reuters com economistas de um aumento de 1,5%.

Os investidores no Reino Unido também assistirão às eleições locais em todo o país nas próximas 48 horas, juntamente com uma eleição crucial para o Parlamento escocês, que pode aumentar a perspectiva de outro referendo sobre a independência escocesa da Coroa.

Na Ásia, os principais índices voltaram do longo feriado.

Nova York

  • S&P: +0,82%
  • Nasdaq: +0,37%
  • Dow Jones: +0,93%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -0,08%
  • DAX (Alemanha): +0,17%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,52%
  • CAC (França): +0,28%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,16%
  • FTSE MIB (Itália): +0,13%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,16%
  • SZSE Component (China): -1,58%
  • China A50 (China): -1,33%
  • DJ Shanghai (China): -0,27%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,54%
  • SET (Tailândia): +1,46%
  • Nikkei (Japão): +1,80%
  • ASX 200 (Austrália): -0,48%
  • Kospi (Coreia do Sul): +1,00%

Brasil: ambiente político e econômico

O Copom decidiu ontem (5) aumentar a taxa Selic de 2,75% ao ano para 3,50%. A decisão foi por unanimidade. A elevação da taxa pode continuar: o Copom diz que prevê novo aumento de 75 pontos-base para a Selic na próxima reunião.

“O Comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude. O Copom ressalta que essa visão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, diz o texto do comunicado.

Neste momento, prossegue o Copom, o cenário básico indica ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica.

O comitê enfatiza, entretanto, que não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação.

Para 2021, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,25% e o superior é 5,25%.

“As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 5,0%, 3,6% e 3,25%, respectivamente”, ressalta o Copom.

Os agentes de mercado não viram surpresa alguma no anúncio do Copom.

Depois de aumentar os juros pela primeira vez em seis anos na última reunião, em março, era esperado que o Copom repetisse a dose na terceira reunião do ano para definir a Selic. Com a alta da inflação nos últimos meses, a previsão das instituições financeiras era de que a Selic deveria subir.

“As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se no topo do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação”, explica o Copom no comunicado desta quarta.

“O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022”, prossegue o Copom.

“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de estabilização de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, lembra o comunicado.

Nesta quarta-feira, o BC também informou que o Índice de Commodities da instituição (IC-Br) subiu 1,21% em abril ante março.

O indicador passou de 328,22 pontos para 332,20 pontos.

Para efeito de comparação, o BC também divulga em seu documento o indicador internacional de commodities, o CRB, que avançou 2,42% na mesma relação mensal.

Já a demanda por bens industriais na economia brasileira teve queda de 1,2% em março, na comparação com fevereiro, segundo indicador divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O Indicador Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais é atualizado mensalmente e mede o consumo de bens industrializados no Brasil, sejam eles produzidos pela indústria local ou importados.

Segundo a pesquisa, tanto a produção nacional quanto as importações caíram em março. A produção interna de bens industriais destinada ao mercado nacional teve queda de 3,9%. Já o volume de bens industriais importados caiu 0,4%.

Do lado do Ministério da Agricultura foram liberados 12% a mais em crédito imobiliário para essa safra em relação a anterior, em um total de R$ 201,43 bilhões.

De acordo com a nota divulgada hoje, nesse montante constam as aquisições de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e as operações com agroindústrias.

Juntas, elas totalizaram R$ 10,84 bilhões entre julho de 2020 e fevereiro deste ano. A categoria de maior crescimento entre as contratações foi a de investimento, que somou R$ 59,56 bilhões.

O ministério informou ainda que, pela primeira vez nesta safra, a comercialização aumentou o montante contratado (R$ 18,35 bilhões), enquanto a industrialização atingiu R$ 10,22 bilhões.

Por fim, os depósitos em Cadernetas de Poupança no mês de abril aumentaram. Segundo o Banco Central, superaram os saques pela primeira vez no ano.

O BC informou que os depósitos fecharam o período em um total de R$ 267 bilhões, enquanto as retiradas da aplicação somaram R$ 263,2 bilhões.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 33 subiram e as outras 51 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 115,05 (+3,92%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,50 (-1,38%)
  • Ambev (ABEV3): R$ 16,18 (+8,88%)
  • B3 (B3SA3): R$ 50,80 (-1,36%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 23,96 (+0,50%)

Maiores altas

  • Ambev (ABEV3): R$ 16,18 (+8,88%)
  • Metalúrgica Gerdau (GOAU4): R$ 16,25 (+5,18%)
  • Sabesp (SBSP3): R$ 40,98 (+4,92%)
  • Gerdau (GGBR4): R$ 36,02 (+4,56%)
  • Bradespar (BRAP4): R$ 73,90 (+4,32%)

Maiores baixas

  • Ultrapar (UGPA3): R$ 20,28 (-6,84%)
  • Locaweb (LWSA3): R$ 25,48 (-5,56%)
  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 36,00 (-4,71%)
  • Banco Inter (BIDI11): R$ 209,24 (-4,46%)
  • B2W (BTOW3): R$ 63,00 (-3,67%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,66% (52.122,92 pontos)
  • IBrX 50: +0,93% (20.325,49 pontos)
  • IBrA: +0,61% (4.904,93 pontos)
  • SMLL: -0,51% (2.930,91 pontos)
  • IFIX: +0,01% (2.855,28 pontos)
  • BDRX: -0,62% (12.850,75 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (julho)/barril

  • segunda-feira (3): +1,20% (US$ 67,56)
  • terça-feira (4): +1,95% (US$ 68,88)
  • quarta-feira (5): +0,11% (US$ 68,96)
  • quinta-feira (6): -1,26% (US$ 68,09)
  • semana: +2,00% (US$ 68,09)

Petróleo WTI (junho)/barril

  • segunda-feira (3): +1,43% (US$ 64,49)
  • terça-feira (4): +1,86% (US$ 65,69)
  • quarta-feira (5): -0,09% (US$ 65,63)
  • quinta-feira (6): -1,40% (US$ 64,71)
  • semana: +1,80% (US$ 64,71)

Ouro (junho)/onça-troy

  • segunda-feira (3): +1,36% (US$ 1.791,80)
  • terça-feira (4): -0,88% (US$ 1.776,10)
  • quarta-feira (5): +0,46% (US$ 1.784,30)
  • quinta-feira (6): +1,76% (US$ 1.815,70)
  • semana: +2,69% (US$ 1.815,70)

Prata (julho)/onça-troy

  • segunda-feira (3): +4,39% (US$ 27,01)
  • terça-feira (4): -0,45% (US$ 26,56)
  • quarta-feira (5): -0,06% (US$ 26,54)
  • quinta-feira (6): +3,40% (US$ 27,43)
  • semana: +7,28% (US$ 27,43)

Com Wisir Research, BDM e CNBC