Bolsa começa setembro subindo 0,52%, em dia de muitos dados econômicos

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores começou setembro em alta, com mais 0,52% nesta quarta-feira (1º), indo a 119.395,60 pontos. O Ibovespa foi basicamente influenciado pelo movimento dos principais índices de Nova York, que ganharam fôlego no começo da sessão, embora o otimismo tenha definhado na reta final.

No Brasil, a alta das tarifas de energia, por conta da crise hídrica, fez os papéis das empresas do setor segurar os ganhos do Ibovespa, apesar dos pesares.

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Dentre os pesares, há os vários os dados que os investidores tiveram que analisar, digerir e lidar hoje.

Foi divulgada, por exemplo, a prévia do payroll (folha de pagamentos oficial norte-americana, que será divulgada na sexta, dia 3), com resultado abaixo da expectativa. O PMI (índice dos gerente de compras) Industrial dos Estados Unidos também caiu, bem como o PMI Industrial da China e da zona do euro.

No Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2021 recuou, quase uma estabilidade. Mas há também a crise hídrica afiando as garras e o Orçamento 2022 sem muito sentido apresentado pelo governo federal.

Apesar de tudo isso, os agentes de mercado se mostraram otimistas neste primeiro dia do mês e compraram mais do que venderam.

Dessa forma, o Ibovespa apresentou na mínima 118.067,04 pontos (-0,60%); e na máxima, 119.941,95 pontos (+0,98%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 29,600 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (30): -0,78% (119.739,96 pontos)
  • terça-feira (31): -0,80% (118.781,03 pontos)
  • quarta-feira (1º): +0,52% (119.395,60 pontos)
  • semana: -1,06%
  • setembro: +0,52%
  • 2021: +0,31%

Juros

  • D1F22: +0,06 p.p. para 6,79%
  • D1F23: +0,06 p.p. para 8,53%
  • D1F24: +0,04 p.p. para 9,22%
  • D1F25: +0,04 p.p. para 9,57%
  • D1F26: +0,06 p.p. para 9,79%
  • D1F27: +0,06 p.p. para 9,98%
  • D1F28: +0,01 p.p. para 10,07%
  • D1F29: +0,04 p.p. para 10,26%
  • D1F30: +0,01 p.p. para 10,35%
  • D1F31: +0,06 p.p. para 10,43%

Dólar

O dólar começou setembro subindo. A moeda norte-americana ganhou 0,20% e passou a valer R$ 5,1824.

  • segunda-feira (30): -0,12% a R$ 5,1893
  • terça-feira (31): -0,34% a R$ 5,1719
  • quarta-feira (1º): +0,20% a R$ 5,1824
  • semana: -0,26%

Euro

  • segunda-feira (30): -0,34% a R$ 6,1145
  • terça-feira (31): -0,57% a R$ 6,0797
  • quarta-feira (1º): +1,00% a R$ 6,1403
  • semana: +0,19%

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +3,91% a R$ 250.408,71
  • Ethereum: +11,28% a R$ 19.341,46
  • Tether: +1,81% a R$ 5,19
  • Cardano: +4,34% a R$ 14,75
  • Binance: +5,78% a R$ 2.515,91

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Os índices em Nova York foram impactados pelos muitos dados liberados hoje, mundo afora, especialmente o PMI Industrial.

Nos Estados Unidos, hoje foi divulgada a pesquisa ADP/Moody’s, considerada uma prévia do payroll. A diferença é que a ADP não contabiliza os cargos públicos.

Foram criadas em agosto 374 mil vagas, ante 326 mil de julho. A previsão era pela geração de 613 mil postos de trabalho.

Segundo Nela Richardson, economista-chefe da ADP, houve queda no número de novas contratações, após expressivo crescimento do emprego a partir do primeiro semestre do ano.

“Apesar da desaceleração, os ganhos de empregos estão próximos de 4 milhões este ano, mas ainda 7 milhões de empregos abaixo dos níveis pré-Covid”, afirma.

“Com tanta pressão sobre a melhoria futura do mercado de trabalho vinda do Fed (Federal Reserve), isso poderia enviar um sinal de que o crescimento do emprego está estagnado”, disse Mike Loewengart, diretor-gerente de estratégia de investimento da E-Trade, à CNBC. “Isso é provavelmente uma coisa boa para os mercados, pois significa que a política de estímulos federais continua”.

“Embora este mercado em alta tenha rido de quase todos os sinais de preocupação em 2021, não vamos esquecer que setembro é historicamente o pior mês do ano para as ações”, lembrou à CNBC Ryan Detrick, estrategista-chefe de mercado financeiro da LPL. “Mesmo no ano passado, em face de uma grande recuperação das baixas de março de 2020, vimos uma correção de quase 10% em meados de setembro”.

O PMI industrial dos EUA caiu para 61,1 pontos em agosto. O dado, divulgado pela IHS Markit, ficou levemente abaixo da projeção de mercado, que era de 61,2 pontos. No mês anterior foi registrado 63,4 pontos.

No entanto, de acordo com o relatório, os dados sinalizaram uma melhoria do setor manufatureiro dos EUA. Embora ligeiramente mais suave do que a leitura de julho, a expansão foi sustentada por fortes aumentos da produção e novos pedidos.

Apesar das expectativas de produção tenham se fortalecido, as empresas ainda lutam para preencher as vagas. Isto porque há uma dificuldade em encontrar os candidatos mais adequados para as vagas existentes.

Outros PMIs também foram divulgados.

Na China, o indicador surpreendeu negativamente, ao cair de 50,3 para 49,2 pontos.

Vale lembrar que, para o PMI, leituras abaixo de 50 indicam retração da atividade. Foi a primeira piora nas condições de negócios desde abril de 2020 e o nível mais baixo em um ano e meio.

Segundo o relatório, a variante delta do coronavírus provocou, a partir do final de julho, um “golpe” para a atividade industrial, sendo que tanto oferta quanto demanda encolheram.

Ontem, o PMI de serviços foi de 53,3 para 47,5. E o composto, que une indústria e serviços, foi de 52,4 para 48,9 pontos.

Na zona do euro, o PMI industrial foi de 62,8 para 61,4 pontos. A projeção era por 61,5. No Reino Unido, leitura positiva: de 60,4 para 60,3 de julho para agosto, quando a projeção era 60,1.

Na Europa, a principal queixa das empresas é ainda a falta de suprimentos.

Nova York

  • S&P 500: +0,03%
  • Nasdaq: +0,33%
  • Dow Jones: -0,14%

Europa

  • Euro Stoxx 50 (Europa): +0,74%
  • DAX (Alemanha): -0,07%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,42%
  • CAC (França): +1,18%
  • IBEX 35 (Espanha): +1,64%
  • FTSE MIB (Itália): +0,66%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,65%
  • SZSE Component (China): -0,10%
  • China A50 (China): +2,45%
  • DJ Shanghai (China): +0,83%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,58%
  • SET (Tailândia): -0,26%
  • Nikkei (Japão): +1,29%
  • ASX 200 (Austrália): -0,10%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,24%

Brasil: ambiente político e econômico

O PIB brasileiro recuou 0,1% no segundo trimestre, na comparação com o trimestre anterior. O resultado veio abaixo da projeção do mercado, que era por crescimento de 0,2%. Ante o segundo trimestre de 2020, no entanto, o crescimento é de 12,4%.

Os serviços avançaram 0,7%, com a retomada pós-vacinação. Já agropecuária e indústria recuaram (2,8% e 0,2%, respectivamente).

Mesmo com a queda no PIB, o ministro da Economia, Paulo Guedes, reafirmou hoje que a economia “voltou em V”, recuperando-se da recessão provocada pela pandemia de Covid-19.

Para o ministro, o recuo demonstra que a economia ficou “praticamente de lado”, ou seja, praticamente estável. Disse quase como uma comemoração.

“Não podemos nos deixar abater. Conversa derrotista, que Brasil não vai crescer, vai parar… Isso só depende de nós. Brasil voltou em V porque não nos deixamos abater. Podemos crescer bastante no ano que vem”, afirmou o ministro.

Segundo a divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado do PIB indica estabilidade e vem depois de três trimestres positivos seguidos de crescimento da economia. Em valores correntes, o PIB, que é soma dos bens e serviços finais produzidos no país, chegou a R$ 2,1 trilhões.

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou que o mercado financeiro deve revisar a projeção do PIB um pouco mais para baixo.

A declaração foi realizada na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.

“Com o número de hoje, a gente acha que pode ser revisado um pouquinho para baixo, vamos observar”, afirmou sobre a projeção mais recente do PIB feita Boletim Focus, de alta de 5,22% para a economia neste ano.

O presidente do BC argumentou que a economia brasileira está em recuperação no formato em “V”, cenário em que a produção diminui e cresce em grandes proporções. Desta forma, o governo avaliou um crescimento na casa de 5,22%, porém essa projeção deve ser reavaliada.

Além do boletim Focus, a projeção da Goldman Sachs, uma das principais corretoras do mundo, também apresentou queda. De acordo com o documento, o recuo foi de 5,4% para 4,9%.

Apesar de registrar um recuo do PIB no segundo trimestre, o Ministério da Economia ainda tem uma posição otimista para o crescimento do Brasil em 2021. O secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, vinculado à pasta acima, relatou que o governo continua com uma perspectiva de crescimento acima de 5%.

Em entrevista concedida à agência de notícias Reuters, Sachsida avalia que a ampla vacinação contra a Covid-19 é um pilar de sustentabilidade para o crescimento de 5%.

Oficialmente, o Ministério da Economia prevê alta de 5,3% para o PIB neste ano.

O IHS Markit divulgou também o PMI Industrial do Brasil. De acordo com os resultados, o crescimento da atividade industrial brasileira perdeu força em agosto. Isso ocorre diante dos custos elevados de matérias-primas e da depreciação do real, bem como da menor expansão da produção.

A queda do PMI da indústria a 53,6 em agosto, de 56,7 em julho, quando chegou a uma máxima em cinco meses, mostrou que houve desaceleração do desempenho da indústria no Brasil.

Outro tema que rouba a atenção do mercado é a inflação, que será ainda mais impactada depois de o governo federal anunciar a criação de uma taxa extra na conta de luz, em decorrência da crise hídrica.

Batizada de “bandeira escassez hídrica”, ela vigora a partir de hoje e elevará o valor da taxa adicional cobrada nas conta de luz de R$ 9,49 a cada 100 quilowatts-hora para R$ 14,20. Até 30 de abril, a conta ficará 6,78% mais cara para consumidores residenciais e pequenas indústrias.

A nova bandeira é 49,63% mais cara do que a bandeira vermelha nível 2, até então em vigor. E, pelas projeções, deve aproximar o IPCA de 8% até dezembro – bem distante do teto da meta de 5,25%.

Ainda no campo dos dados, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-S), da FGV, da quarta quadrissemana de agosto recuou para 0,71%, ante 0,75% da leitura anterior. A alta é de 8,95% nos últimos 12 meses.

Três das oito classes de despesa componentes do índice registraram decréscimo, com destaque para Habitação (0,99% para 0,59%), com o item tarifa de eletricidade residencial, cuja taxa passou de 2,79% para 0,93%.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 21 subiram, 1 ficou estável (ENBR3) e 62 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 98,85 (+0,17%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 27,04 (-0,55%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 31,06 (+0,42%)
  • B3 (B3SA3): R$ 14,43 (+2,56%)
  • JBS (JBSS3): R$ 31,17 (+0,00%)

Maiores altas

  • Marfrig (MRFG3): R$ 21,49 (+4,88%)
  • Americanas (AMER3): R$ 43,06 (+4,11%)
  • Eneva (ENEV3): R$ 16,30 (+4,02%)
  • Copel (CPLE6): R$ 7,10 (+3,80%)
  • Qualicorp (QUAL3): R$ 22,13 (+3,56%)

Maiores baixas

  • Cielo (CIEL3): R$ 2,78 (-3,14%)
  • PetroRio (PRIO3): R$ 18,63 (-2,82%)
  • Sul América (SULA11): R$ 28,57 (-2,66%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 17,00 (-2,66%)
  • Embraer (EMBR3): R$ 22,93 (-2,09%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,90% (50.920,04 pontos)
  • IBrX 50: -0,94% (19.807,75 pontos)
  • IBrA: -1,07% (4.804,55 pontos)
  • SMLL: -1,30% (2.849,13 pontos)
  • IFIX: +0,32% (2.749,84 pontos)
  • BDRX: -0,64% (13.720,79 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (novembro)/barril

  • segunda-feira (30): +0,87% (US$ 73,33)
  • terça-feira (31): -0,83% (US$ 71,63)
  • quarta-feira (1º): -0,06% (US$ 71,59)
  • semana: +0,81%

Petróleo WTI (outubro)/barril

  • segunda-feira (30): +0,49% (US$ 69,08)
  • terça-feira (31): -1,03% (US$ 68,50)
  • quarta-feira (1º): +0,13% (US$ 68,59)
  • semana: -0,41%

Ouro (dezembro)/onça-troy

  • segunda-feira (30): -0,49% (US$ 1.810,55)
  • terça-feira (31): +0,32% (US$ 1.818,00)
  • quarta-feira (1º): -0,18% (US$ 1.814,75)
  • semana: -0,17%

Prata (dezembro)/onça-troy

  • segunda-feira (30): -0,41% (US$ 24,01)
  • terça-feira (31): -0,12% (US$ 23,98)
  • quarta-feira (1º): +0,67% (US$ 24,17)
  • semana: +0,14%

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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