Bolsa cai 1,26%, acompanhando NY; ITUB4 e BIDI11 despencam

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores recuou 1,26% nesta terça-feira (4), fechando em 117.712,00 pontos. O Ibovespa acompanhou o o humor vendedor emanado de Wall Street, cujos principais índices reverteram a alta de ontem e fecharam no vermelho – o Dow Jones ainda se recuperou e conseguiu uma estabilidade.

Isso porque Janet Yellen, secretária do Tesouro dos EUA, disse que os juros podem subir para “evitar que um sobreaquecimento da economia” aconteça no país.

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No Brasil, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia começou com o testemunho do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) atacando o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), especialmente sobre a insistência de uso da cloroquina. Mas no mercado, tal testemunho causou nada muito diferente do que indiferença.

O ponto de atenção estava na outra casa legislativa. Na Câmara dos Deputados, os parlamentares avançam com a reforma tributária, mas até o fechamento deste texto, sem um texto do relator Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

Nem mesmo o bom lucro aferido pelo Itaú Unibanco (ITUB4) conseguiu mudar a tendência na Bolsa. O lucro líquido divulgado pelo banco no primeiro trimestre de 2021 foi de 7% a 10% acima da expectativa do BTG Pactual (BPAC11), mas a receita ainda permanece fraca, diz análise divulgada hoje. O Banco Inter (BIDI11) também despencou.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 117.630,62 pontos (-1,32%); e na máxima, 119.293,42 pontos (+0,07%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 32,018 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (3): +0,27% (119.209,48 pontos)
  • terça-feira (4): -1,26% (117.712,00 pontos)
  • semana: -0,99%
  • maio: -0,99%
  • 2021: -1,10%

Dólar

O dólar recupera um pouco a perda de ontem. A moeda norte-americana subiu 0,22%, valendo R$ 5,4307.

  • segunda-feira (3): -0,24% a R$ 5,4188
  • terça-feira (4): +0,22% a R$ 5,4307
  • semana : -0,02% a R$ 5,4307

Euro

  • segunda-feira (3): +0,26% a R$ 6,5558
  • terça-feira (4): -0,17% a R$ 6,5229
  • semana: +0,09% a R$ 6,5229

Criptomoedas*

  • Bitcoin: -5,00% a R$ 296.341,28
  • Ethereum: +3,82% a R$ 18.597,16
  • Binance: -6,14% a R$ 3.437,42

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Os índices em Nova York ficaram no negativo e as razões para a pressão de baixa variaram. Os estrategistas citaram uma mistura de preocupações sobre o aumento da inflação, temores de que o Federal Reserve possa ter de reduzir o estímulo monetário e o potencial para aumentos de impostos nos próximos meses.

A secretário do Tesouro Janet Yellen ajudou, dizendo que as taxas de juros podem ter que subir um pouco para evitar o superaquecimento da economia.

O Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) manteve as taxas de juros próximas de zero em sua última reunião, mas o cenário poderá ter que mudar eventualmente nos Estados Unidos.

Quem revelou isso foi Yellen, durante evento promovido pela The Atlantic, hoje.

De acordo com a integrante do governo Joe Biden, a alta poderá ser necessária para “evitar que um sobreaquecimento da economia” aconteça no país.

“Mesmo que os gastos adicionais sejam relativamente pequenos para o tamanho da economia, isso poderia causar alguns aumentos muito modestos nas taxas de juros”, disse Yellen, que também é ex-presidente do Fed.

A economia dos EUA está melhor, mas “ainda não fora de perigo”, de acordo com o chair do Federal Reserve, Jerome Powell. O comentário, feito na segunda (3) se baseia numa amostra de um estudo do banco central. O documento aponta o golpe desproporcional sofrido por pais e trabalhadores com menor escolaridade durante a crise causada pelo coronavírus.

“A economia está reabrindo, o que traz atividade econômica mais forte e criação de empregos”, disse Powell. O discurso foi preparado para uma conferência da National Community Reinvestment Coalition.

“Essa é a perspectiva de alto nível – vamos chamá-la de visão de 30.000 pés – e desse ponto de vista vemos melhorias”. Powell ressaltou, entretanto, ser preciso olhar o que está acontecendo com os cidadãos comuns.

Warren Buffett, CEO da Berkshire Hathaway, disse durante a reunião anual de sua empresa no fim de semana que está presenciando uma “inflação muito substancial” e suas empresas estão aumentando os preços.

“Passamos por um período de duas a três semanas em que notícias realmente boas tiveram pouca ou nenhuma reação nos mercados”, escreveu Art Hogan, estrategista-chefe de mercado da National Securities, reproduzido pela CNBC.

“Há preocupações de que a explosão econômica dos anos 20 demore mais do que apenas neste verão, já que as pessoas vão ficando mais confortáveis ​​para sair de casa”, acrescentou. “As ações parecem caras em uma base de trailing, mas não de um ponto de vista prospectivo”.

Com o mercado em altas históricas, os investidores estão divididos entre avançar para ações como varejistas ou continuar a apostar nas Big Techs, que acaba de anunciar lucros de grande sucesso.

Na Europa, os investidores seguem de olho na situação da pandemia na Índia. Há poucos sinais de desaceleração. A Organização Mundial da Saúde disse na semana passada que um em cada três novos casos de coronavírus em todo o mundo está sendo relatado na Índia.

Isso afeta também outros mercados, como Cingapura, que já planeja um lockdown mais forte.

Nova York

  • S&P: -0,67%
  • Nasdaq: -1,88%
  • Dow Jones: +0,06%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -1,43%
  • DAX (Alemanha): -2,49%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,67%
  • CAC (França): -0,89%
  • IBEX 35 (Espanha): -0,71%
  • FTSE MIB (Itália): -1,81%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): feriado
  • SZSE Component (China): feriado
  • China A50 (China): feriado
  • DJ Shanghai (China): feriado
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,81%
  • SET (Tailândia): feriado
  • Nikkei (Japão): feriado
  • ASX 200 (Austrália): +0,56%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,64%

Brasil: ambiente político e econômico

O ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, disse que alertava constantemente o presidente Jair Bolsonaro sobre o risco da covid-19. O ex-titular da pasta prestou depoimento nesta terça-feira (4) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia.

De acordo com o ex-ministro, as orientações eram passadas de forma sistemática. Porém, o presidente parecia não compreender a gravidade da situação, de acordo com o Money Times. Disse ainda que foram feitas projeções sobre o número de mortos.

Quando perguntado sobre a vacinação, o ex-aliado disse que poderia ter iniciado antes. Segundo ele, o país estaria preparado para ter iniciado a imunização contra o novo coronavírus já em novembro de 2020.

Ainda em seu depoimento, o ex-ministro também argumentou que teria visto um decreto de inclusão do tratamento à covid-19 na bula da cloroquina.

Porém, relatou que o presidente da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Antonio Barra Torres, havia avisado que não seria possível fazer essa alteração.

O burburinho maior no dia de hoje foi a notícia de que o general Eduardo Pazuello, também ex-ministro da Saúde, não vai prestar seu testemunho na quinta-feira (6), como agendado, porque ele teve contato com duas pessoas diagnosticadas com o covid-19. Seu depoimento acabou remarcado para o dia 19, dando tempo de 14 dias recomendadas pela quarentena nesses casos.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou hoje que a proposta de reforma tributária tem que “atacar” programas de isenções e desonerações tributárias que favorecem empresas e diferentes setores da economia.

Segundo o ministro, os subsídios não devem constar do projeto, cujo relatório será apresentado na comissão especial do Congresso Nacional que analisa o tema.

A expectativa era de que o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) apresentasse na tarde desta terça-feira (4) o relatório final da reforma tributária.

Para Guedes, a tendência é que o dólar comece a cair ainda este ano, apesar da fase “difícil e turbulenta” do Brasil.

“É da vida isso, tenho certeza, o dólar sobe um pouco agora. Agora o superávit está muito forte, o dólar vai começar a cair, é da vida isso aí”, disse o ministro em audiência pública na Câmara dos Deputados, ao responder a pergunta sobre a desvalorização do real, destacando que seria “ótimo” que o dólar caísse.

“Mas todas essas incertezas, a doença, a perspectiva de recessão, tudo isso afeta muito, as dúvidas se vamos conseguir prosseguir com as reformas, os boatos de toda hora, se o ministro pode cair, não pode cair, que tem isso, tem aquilo… Quer dizer, nós vivemos uma fase difícil e turbulenta”, disse.

Na questão dos dados, o Índice de Preços ao Produtor (IPP), do IBGE, teve alta de 4,78% em março, ante 5,16% em fevereiro.

Esta é a segunda maior alta da série histórica, iniciada em 2014. Em fevereiro, a alta recorde foi revisada de 5,22% para 5,16%. Com o resultado, o índice acumula recordes de 14,09%, no trimestre, e de 33,52%, nos últimos 12 meses.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 16 subiram e as outras 68 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 110,10 (+1,51%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 26,71 (-4,27%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 23,80 (-3,03%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 22,89 (-2,30%)
  • Localiza (RENT3): R$ 62,74 (-2,14%)

Maiores altas

  • PetroRio (PRIO3): R$ 95,26 (+3,70%)
  • Fleury (FLRY3): R$ 25,73 (+2,55%)
  • JBS (JBSS3): R$ 30,46 (+2,42%)
  • Qualicorp (QUAL3): R$ 27,60 (+2,41%)
  • Marfrig (MRFG3): R$ 19,29 (+2,23%)

Maiores baixas

  • Banco Inter (BIDI11): R$ 214,00 (-7,69%)
  • Locaweb (LWSA3): R$ 26,61 (-5,13%)
  • Eletrobras (ELET6): R$ 35,38 (-4,58%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 26,71 (-4,27%)
  • Eletrobras (ELET3): R$ 35,24 (-4,24%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,93% (51.036,58 pontos)
  • IBrX 50: -0,80% (19.849,01 pontos)
  • IBrA: -0,95% (4.805,89 pontos)
  • SMLL: -0,59% (2.907,68 pontos)
  • IFIX: -0,22% (2.856,22 pontos)
  • BDRX: -0,90% (13.084,00 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (julho)/barril

  • segunda-feira (3): +1,20% (US$ 67,56)
  • terça-feira (4): +1,95% (US$ 68,88)
  • semana: +3,15% (US$ 68,88)

Petróleo WTI (junho)/barril

  • segunda-feira (3): +1,43% (US$ 64,49)
  • terça-feira (4): +1,86% (US$ 65,69)
  • semana: +3,29% (US$ 64,49)

Ouro (junho)/onça-troy

  • segunda-feira (3): +1,36% (US$ 1.791,80)
  • terça-feira (4): -0,88% (US$ 1.776,10)
  • semana: +0,48% (US$ 1.776,10)

Prata (julho)/onça-troy

  • segunda-feira (3): +4,39% (US$ 27,01)
  • terça-feira (4): -0,45% (US$ 26,56)
  • semana: +3,94% (US$ 26,56)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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