Bolsa cai 0,72%, com investidores aguardando a “super-quarta-feira”

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores recuou 0,72%, para 114.018,78 pontos, nesta terça-feira (16). O índice brasileiro acompanhou o compasso de espera que se viu em Wall Street, que terminou em baixa.

A espera é para o que vai acontecer, se falar e ser ouvido nesta chamada “super-quarta-feira” (17), que tem Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil, com o (bem) provável aumento da Selic, e anúncio do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos. Os investidores, então, preferiram tirar o pé e pouco se movimentaram.

No campo político-econômico, o auxílio-emergencial deve voltar para valer a ser pago em abril, com um valor irrisório, um mínimo de R$ 150. Teve também troca de ministros na Saúde. E Paulo Guedes, o ministro da Economia que os agentes de mercado adoram adorar, falou mais uma das suas.

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Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 113.370,08 pontos (-1,29%); e na máxima, 114.974,22 pontos (+0,11%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 26,285 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (15): +0,60% (114.850,74 pontos)
  • terça-feira (16): -0,72% (114.018,78 pontos)
  • semana: -0,12%
  • março: +3,66%
  • 2021: -4,23%

Dólar

O dólar caiu hoje, mas caiu pouco. A moeda norte-americana recuou 0,36%, valendo R$ 5,6191.

  • segunda-feira (15): +1,44% a R$ 5,6395
  • terça-feira (16): -0,36% a R$ 5,6191
  • semana : +1,08% a R$ 5,6191

Euro

  • segunda-feira (15): +0,94% a R$ 6,7052
  • terça-feira (16): -0,27% a R$ 6,6796
  • semana: +0,67% a R$ 6,6796

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Os principais índices dos EUA mudaram pouco hoje, com os investidores simplesmente esperando o que vai acontecer na reunião do Federal Reserve amanhã (17).

O Fed vai destrinchar sobre taxas e, especialmente, sobre a inflação. O recente salto nos rendimentos dos títulos gerou uma rotação de ações de crescimento, à medida que os fluxos de caixa futuros das empresas começam a parecer menos atraentes em relação a outros ativos. O Fed está de olho nisso e deve acalmar o mercado internacional em seu pronunciamento amanhã.

Na questão dos dados, as vendas no varejo dos Estados Unidos recuaram 3% de janeiro para fevereiro. A leitura foi pior do que a projeção de queda de 0,50%. E bem abaixo do número reportado no último mês, revisado de alta de 5,3% para 7,6%.

A variação foi de 6,27% na comparação de fevereiro de 2021 com fevereiro de 2020.

O núcleo das vendas no varejo recuou 2,70% no mês, quando o mercado esperava por queda de 0,1%.

Já a produção industrial americana recuou 4,25% em fevereiro, na comparação anual, ante queda de 1,95% da leitura anterior.

No mês passado, variação foi de queda de 2,2%, bem pior do que a projeção de alta de 0,3%.

A utilização da capacidade instalada no mês foi de 73,8%, quando a expectativa era por 75,5%.

Um aumento nas taxas de juros e uma recuperação da economia dos EUA colocaram as políticas do banco central no centro das atenções e os observadores de mercado questionaram quando o Fed pode considerar a possibilidade de reverter essas políticas.

No final desta semana, o Banco da Inglaterra deve se reunir e o Banco do Japão também iniciará sua reunião de política de dois dias. É, pois, uma semana cheia para os bancos centrais.

Mas a Europa ainda briga por vacinas, colocando os problemas para fora das salas confortáveis dos economistas. Agora, a Holanda também entrou no time de países que suspenderam o uso da vacina AstraZeneca-Oxford, por problemas com coágulos no sangue, em movimento preventivo iniciado há uma semana pela Dinamarca. Noruega, Itália, Espanha, França e Alemanha também suspenderam o uso da vacina preventivamente, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Reino Unido seguem reafirmando a segurança e a eficácia do imunizante.

A OMS, especialistas em saúde e o fabricante da vacina têm procurado minimizar as preocupações de segurança em curso, dizendo que não há evidências atualmente que sugiram uma ligação entre a injeção e um risco aumentado de desenvolver coágulos sanguíneos. A Agência Europeia de Medicamentos vai se aprofundar nas investigações.

Enquanto isso, o partido de Angela Merkel, União Democrata-Cristã (CDU, na sigla original) sofreu uma dura derrota em duas eleições regionais neste domingo (14). Os pleitos são compreendidos como um teste para as eleições nacionais de setembro. Merkel deixará o poder, após 16 anos.

Segundo a BBC, “os resultados preliminares indicam que o CDU teve seu pior resultado já registrado nas regiões de Baden-Württemberg e Renânia-Palatinado (sudoeste da Alemanha) — com uma queda, respectivamente, de 4 e 5,8 pontos percentuais em relação aos resultados do partido no pleito de 2016”.

“O desempenho pífio no pleito regional surpreendeu e acendeu sinais de alerta em Berlim, a despeito da alta popularidade de Merkel”, segue a matéria. É possível que o poder mude de mãos.

Nova York

  • S&P: -0,16%
  • Nasdaq: +0,09%
  • Dow Jones: -0,39%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,55%
  • DAX (Alemanha): +0,66%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,80%
  • CAC (França): +0,32%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,26%
  • FTSE MIB (Itália): +0,50%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,78%
  • SZSE Component (China): +0,91%
  • China A50 (China): +1,46%
  • DJ Shanghai (China): +0,76%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,67%
  • SET (Tailândia): -0,11%
  • Nikkei (Japão): +0,52%
  • ASX 200 (Austrália): +0,80%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,70%

Brasil: ambiente político e econômico

O Copom, do Banco Central (BC), iniciou hoje sua 237ª reunião, que segue até amanhã. Dela, deve sair a decisão quanto à taxa básica de juros (Selic).

A expectativa do mercado é por alta da Selic, após sete meses de taxa básica de juros em seu piso histórico: 2%.

É grande a aposta no aumento de 2% para 2,50% e até 2,75%. Mas há quem acredite em leve ajuste de 0,25 ponto porcentual, na crença de que o Banco Central está mais preocupado com a atividade fraca do país do que com a inflação. Entretanto, até mesmo estes esperam um comunicado mais forte do BC, sugerindo que vai acelerar o passo nas próximas reuniões.

Nos primeiros meses de 2021, o risco-país do Brasil disparou, com alta superior a que ocorreu em outros países emergentes, como México, Rússia e Turquia, por exemplo.

No início de março, o risco medido pelo CDS voltou a operar acima dos 200 pontos, tendo chegado a 214 pontos no dia 10 desse mês.

Algumas notícias justificam a alta. Primeiro, a mudança no comando da Petrobras, uma empresas observada por muitos investidores estrangeiros. Depois veio a notícia de que Lula pode ser elegível nas eleições 2022. Tudo isso trouxe mais risco ao cenário econômico e político.

Mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, no papel dele, só vê melhoras: “há sinais por toda parte de que a economia brasileira está de novo decolando”, disse.

Os “sinais” que ele cita são o valor recorde de criação de vagas do emprego formal em janeiro, o indicador de atividade do BC (IBC-Br) para o mês, que veio acima do esperado, e a arrecadação de tributos federais.

Depois de fechar 2020 com a geração de 142,6 mil novos postos de empregos formais, o Brasil iniciou 2021 com a abertura líquida de 260.353 vagas de trabalho com carteira assinada no Caged.

Segundo os números divulgados hoje pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o saldo positivo foi puxado pelo desempenho da indústria geral, com 90.431 postos formais de emprego.

Os números ficaram bem acima do que esperavam os analistas do time Macro Research, do BTG Pactual. A projeção deles era para a criação de cerca de 150 mil novos postos.

Acontece que no dia a dia de quem produz, trabalha, consome e vive a economia, a realidade parece bastante diferente.

A começar pela inflação. O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) subiu 2,99% em março, acima do consenso de 2,84%. No mês anterior, o índice havia apresentado taxa de 2,97%.

Com o resultado, o índice acumula alta de 7,47% no ano e de 31,16% em 12 meses. Em março de 2020, o índice variara 0,64% no mês e acumulava elevação de 6,59% em 12 meses.

A atividade não anda lá essas maravilhas. Em fevereiro, as vendas no varejo recuaram 17,1%, descontada a inflação, em comparação com o mesmo mês de 2020. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (16) pelo ICVA (Índice Cielo do Varejo Ampliado).

Desde a recuperação observada de maio a outubro de 2020, o índice apresenta queda pelo quarto mês consecutivo, ainda impactado pela pandemia da Covid-19.

E o Indicador Antecedente Composto da Economia Brasileira (Iace), publicado hoje (16) pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a The Conference Board (TCB), recuou 0,6% em fevereiro, atingindo 123 pontos.

O indicador agrega oito componentes que medem a atividade econômica no Brasil. Segundo a FGV, entre eles, cinco contribuíram de forma negativa para o resultado agregado, sendo a maior contribuição negativa a do Indicador de Expectativas da Indústria.

E ainda há a troca na Saúde. Os brasileiros têm agora, oficialmente, um novo ministro da Saúde. É Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A escolha foi elogiada por secretários de saúde por ele ser justamente um médico, o que é visto como um avanço.

Eduardo Pazuello e sua desastrosa administração da pandemia acabou sendo deixada para trás, como uma movimentação política de salvaguarda da pele do chefe, Jair Bolsonaro (sem partido).

Com a troca de ministros, o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que vinha mandando sinais a Bolsonaro de que seria difícil segurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, não levará mais à frente tal investigação, que poderia, sim, respingar no ocupante do Palácio do Planalto.

Nem mesmo o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB-RS) discorda: “a função do ministro quem define, é o decisor, é o presidente da República. O ministro é um executor das decisões do presidente da República. Até por isso, então, o presidente é o responsável por tudo o que aconteça ou deixe de acontecer, essa é a realidade”.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 25 subiram, 2 ficaram estáveis (JBSS3 e TIMS3) e as outras 54 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 96,51 (-0,32%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,28 (-1,56%)
  • B3 (B3SA3): R$ 52,45 (-2,51%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 18,54 (+8,55%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 24,15 (+1,81%)

Maiores altas

  • Usiminas (USIM5): R$ 18,54 (+8,55%)
  • Klabin (KLBN11): R$ 29,61 (+4,37%)
  • Braskem (BRKM5): R$ 35,99 (+4,11%)
  • Raia Drogasil (RADL3): R$ 25,84 (+3,57%)
  • Suzano (SUZB3): R$ 75,25 (+3,29%)

Maiores baixas

  • CVC (CVCB3): R$ 17,50 (-7,46%)
  • Gol (GOLL4): R$ 22,54 (-6,36%)
  • Azul (AZUL4): R$ 40,19 (-6,19%)
  • JHSF (JHSF3): R$ 6,69 (-4,97%)
  • EzTec (EZTC3): R$ 30,36 (-4,80%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,66% (48.925,07 pontos)
  • IBrX 50: -0,67% (19.009,38 pontos)
  • IBrA: -0,66% (4.582,42 pontos)
  • SMLL: -1,09% (2.736,57 pontos)
  • IFIX: -0,28% (2.822,95 pontos)
  • BDRX: -0,02% (13.052,85 pontos)

Commodities

  • Brent (para maio): US$ 68,39 (-0,71%)
  • WTI (para abril): US$ 64,80 (-0,90%)
  • Ouro (abril): US$ 1.730,90 (+0,09%)

Com Wisir Research, BDM e CNBC