Bolsa cai 0,66%, com ata mais dura do Copom e IPCA surpreendentemente negativo

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores perdeu 0,66% nesta terça-feira (10), ficando com 122.202,47 pontos, em dia bastante movimentado, especialmente no Brasil. Em Nova York, porém, os principais índices ganharam pontos, com exceção da Nasdaq.

O dia foi atribulado no âmbito das notícias econômicas no país, especialmente com a divulgação do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), e da inflação oficial do Brasil em julho, com alta de 0,95%.

Simule seus investimentos com um especialista e confira as melhores opções de acordo com seu perfil

No campo político, o Brasil viu junto com presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que estava ao lado dos chefes militares, a passagem de tanques e outros veículos blindados pelo Palácio do Planalto, em Brasília. O evento foi visto como uma espécie de pressão sobre a Câmara dos Deputados que analisaria hoje (até o fechamento do mercado, não chegou a fazê-lo) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre a volta do voto impresso, causa hoje prioritária de Bolsonaro.

O desfile foi criticado no Legislativo, no Judiciário, na sociedade civil, imprensa e até mesmo entre militares.

Nos Estados Unidos, o Senado local aprovou finalmente o pacote de infraestrutura dimensionado pelo presidente Democrata Joe Biden, na ordem de US$ 1,2 trilhão, que vai injetar dinheiro em obras públicas, no maior esforço de capitalização da economia neste século. Assim, o dólar foi aliviando o valor perante as moedas concorrentes.

Dessa forma, o Ibovespa apresentou na mínima 122.061,47 pontos (-0,78%); e na máxima, 123.512,77 pontos (+0,40%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 26,800 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (9): +0,17% (123.019,38 pontos)
  • terça-feira (10): -0,66% (122.202,47 pontos)
  • semana: -0,49%
  • agosto: +0,33%
  • 2021: +2,67%

Juros

  • D1F22: -0,03 p.p. para 6,50%
  • D1F23: -0,12 p.p. para 8,10%
  • D1F24: -0,14 p.p. para 8,71%
  • D1F25: -0,11 p.p. para 9,01%
  • D1F26: -0,12 p.p. para 9,20%
  • D1F27: -0,11 p.p. para 9,41%
  • D1F28: -0,03 p.p. para 9,63%
  • D1F29: -0,09 p.p. para 9,68%
  • D1F30: +0,46 p.p. para 9,88%
  • D1F31: -0,10 p.p. para 9,89%

Dólar

O dólar recuou nesta terça. A moeda norte-americana perdeu 0,96% e passou a valer R$ 5,1967.

  • segunda-feira (9): +0,21% a R$ 5,2473
  • terça-feira (10): -0,96% a R$ 5,1967
  • semana: -0,75%

Euro

  • segunda-feira (9): -0,14% a R$ 6,1421
  • terça-feira (10): -0,88% a R$ 6,0880
  • semana: -1,02%

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +0,77% a R$ 236.970,82
  • Ethereum: +1,46% a R$ 16.319,21
  • Tether: +1,90% a R$ 5,20
  • Cardano: +9,10% a R$ 8,26
  • Binance: +6,39% a R$ 1.925,38

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

A aprovação de um pacote de infraestrutura de US$ 1,2 trilhão pelo Senado dos Estados Unidos fez as ações voltadas à reabertura econômica subirem, enquanto as de tecnologia, concentradas no Nasdaq, caíram.

A Casa Branca descreveu o pacote de US$ 1,2 trilhão aprovado pelo Senado dos Estados Unidos, dinheiro para investimento em infraestrutura, como “histórico”.

Foi com bastante folga: 69 senadores, sendo 19 Republicanos, votaram a favor. Apenas 30, todos do Partido Republicano, que agora é oposição na esfera federal, votaram contra.

O dinheiro injetado vai ser distribuído durante toda a possível administração de Biden de oito anos (ele precisará ser reeleito em 2024 para colher os frutos dos últimos quatro anos), focando em infraestrutura de transporte (pontes, rodovias, ferrovias, aeroportos, estruturação nacional de recarga para carros elétricos), educação, Internet etc.

Agora, o texto volta à Câmara dos Representantes, equivalente à nossa Câmara dos Deputados, onde precisa ser aprovado com as modificações acordadas no Senado. Não deve ser um processo difícil, já que o governo tem maioria na Casa Baixa.

Biden foi ao Twitter comemorar: “Boas notícias, pessoal: o Acordo Bipartidário de Infraestrutura foi oficialmente aprovado pelo Senado. Espero que o Congresso o envie para minha mesa o mais rápido possível para que possamos continuar nosso trabalho de reconstruir melhor”.

Agora, os investidores aguardam os dados do índice de preços ao consumidor e do índice de preços ao produtor, que medem a inflação e devem sair na quarta e na quinta-feira, respectivamente. E, então, ver o que vai sinalizar o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).

Já na Europa há o que os analistas viram como “otimismo cauteloso”, um espelho do que se observou mais cedo nos mercados da Ásia-Pacífico – onde, a despeito disso, apurou bons ganhos.

As preocupações com o impacto da Covid-19 no crescimento global pesaram no sentimento dos investidores recentemente, com os países lutando com a disseminação da variante delta. E no sudeste asiático, a coisa está feia, especialmente na Indonésia.

Na Europa, a pesquisa ZEW da Alemanha sobre o sentimento econômico para agosto caiu de 63,3 para 40,4 em julho. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam uma leitura de 56,7.

É simbólico.

Nova York

  • S&P: +0,10%
  • Nasdaq: -0,49%
  • Dow Jones: +0,46%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,26%
  • DAX (Alemanha): +0,16%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,40%
  • CAC (França): +0,10%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,37%
  • FTSE MIB (Itália): +0,24%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +1,01%
  • SZSE Component (China): +0,78%
  • China A50 (China): +2,20%
  • DJ Shanghai (China): +1,08%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +1,23%
  • SET (Tailândia): +0,16%
  • Nikkei (Japão): +0,24%
  • ASX 200 (Austrália): +0,32%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,53%

Brasil: ambiente político e econômico

O Copom divulgou hoje a ata de sua última reunião, ocorrida semana passada, na qual promoveu a alta da taxa de juros do país, a Selic, de 4,25% para 5,25%.

No documento, o Copom justifica o avanço mais agressivo da taxa – de 1 ponto porcentual, ante 0,75 dos três aumentos anteriores -, como uma medida para assegurar as metas de inflação para 2022 e 2023 (em menor medida).

“As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação”, afirma o Copom.

As expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 6,8%, 3,8% e 3,25%, respectivamente.

Para o comitê, a inflação ao consumidor continua se revelando persistente. “Os últimos indicadores divulgados mostram composição mais desfavorável”, afirma.

Destacam-se a surpresa com o componente subjacente da inflação de serviços e a continuidade da pressão sobre bens industriais, causando elevação dos núcleos. Além disso, há novas pressões em componentes voláteis, como a possível elevação do adicional da bandeira tarifária e os novos aumentos nos preços de alimentos, ambos decorrentes de condições climáticas adversas.

E o Copom tem por onde tirar seus pressupostos.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país, divulgado hoje, acelerou para 0,96% em julho, acima da projeção de 0,94% e acima da leitura anterior, que foi de 0,53%.

Os preços da energia elétrica são apontados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como explicação para a alta. Este é o maior resultado para o mês desde 2002.

A alta do IPCA é de 4,76% no ano e de 8,99% nos últimos 12 meses.

A maior variação (3,10%) e o maior impacto (0,48 ponto porcentual) vieram da habitação com a alta da energia elétrica (7,88%), que acelerou em relação ao mês anterior (1,95%) e registrou o maior impacto individual no índice (0,35 p.p.).

descola do comunicado anterior, no qual informava um ciclo de alta ao nível neutro – entre 6,5% ao ano (a.a.) e 7% a.a.

Para o banco de investimentos, o documento demonstra que o ritmo de crescimento dos preços está surpreendendo negativamente. Além disso, as expectativas para o IPCA de 2022 podem ser contaminadas, caso a política monetária fique em grau estimulativo.

O relatório do BTG lembra que as expectativas de inflação do Top 5 do Boletim Focus já apontam uma alta de 3,99% para o próximo ano.

Além disso, ainda no campo dos dados, o IBGE calcula que a safra de 2021 deve atingir 256,1 milhões de toneladas. A estimativa está levemente superior à registrada em 2020 que foi de 254,1 milhões de toneladas.

No entanto, a projeção referente a julho é inferior à anterior, que previa uma safra de 258,5 milhões de toneladas para o fim deste ano.

O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) mostrou que em julho, a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas estimada para 2021 sofreu mais um declínio em relação ao mês anterior (queda de 0,9%, ou 2,4 milhões de toneladas).

A pesquisa mostrou também que a área a ser colhida é de 68,2 milhões de hectares. O que significa um aumento de 4,3% maior que a área colhida em 2020. Em relação ao mês anterior, a área a ser colhida cresceu 0,3% (177,6 mil hectares).

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 17 subiram e todas as outras 67 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 110,06 (+0,96%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 28,28 (+0,32%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 23,36 (-1,43%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 30,61 (-1,89%)
  • Banco do Brasil (BBAS3): R$ 30,70 (-2,54%)

Maiores altas

  • PetroRio (PRIO3): R$ 18,72 (+6,48%)
  • Embraer (EMBR3): R$ 19,60 (+3,27%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 22,10 (+2,70%)
  • Gerdau (GGBR4): R$ 31,74 (+2,52%)
  • Metalúrgica Gerdau (GOAU4): R$ 14,53 (+1,61%)

Maiores baixas

  • Iguatemi (IGTA3): R$ 38,36 (-3,74%)
  • Eneva (ENEV3): R$ 16,72 (-3,35%)
  • CCR (CCRO3): R$ 12,43 (-2,89%)
  • Lojas Americanas (LAME4): R$ 6,42 (-2,73%)
  • Locamerica (LCAM3): R$ 25,33 (-2,69%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,47% (52.892,98 pontos)
  • IBrX 50: -0,35% (20.662,84 pontos)
  • IBrA: -0,49% (4.984,03 pontos)
  • SMLL: -0,53% (2.953,06 pontos)
  • IFIX: -0,51% (2.755,49 pontos)
  • BDRX: -0,71% (13.510,84 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (outubro)/barril

  • segunda-feira (9): -2,35% (US$ 69,04)
  • terça-feira (10): +2,30% (US$ 70,63)
  • semana: -0,05%

Petróleo WTI (setembro)/barril

  • segunda-feira (9): -2,64% (US$ 66,48)
  • terça-feiras (10): +2,72% (US$ 68,29)
  • semana: +0,08%

Ouro (dezembro)/onça-troy

  • segunda-feira (9): -1,85% (US$ 1.730,55)
  • terça-feira (10): +0,26% (US$ 1.730,95)
  • semana: -1,59%

Prata (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (9): -3,73% (US$ 23,42)
  • terça-feira (10): -0,32% (US$ 23,34)
  • semana: -4,05%

Com Wisir Research, BDM e CNBC

Cases da Bolsa

Aprenda análise fundamentalista de ações na prática, com maiores cases já criados na B3