Bolívia causa divergência entre Uruguai e Argentina em cúpula do Mercosul

Paulo Amaral
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Crédito: Agência Brasil

Uruguai e Argentina se desentenderam durante a Cúpula do Mercosul, que está sendo realizada em Bento Gonçalves (RS), quando o assunto à mesa foi a situação política da Bolívia.

Nin Novoa, chanceler uruguaio presente ao encontro, criticou severamente a normalização de “legitimidades questionadas” de alguns governos apenas por “conveniência”, dirigindo-se diretamente à presidência interina de Jeanine Áñez na Bolívia.

“Devem ser poucos os países como o Uruguai, em que há eleições e um vencedor ganha com uma diferença muito pequena de votos e não há nenhuma confusão.​ As duas partes aceitam o resultado e, no dia seguinte, tudo segue com normalidade”, comentou, em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo.

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“Isso não é coisa de um governo e sim a construção de uma sociedade democrática. Algo que o Mercosul deve seguir construindo também”, emendou Novoa.

Jorge Fauire, chanceler argentino, disse que a “gravíssima crise de institucionalidade” na Bolívia começou não com a saída de Evo Morales, em 2016, mas com “o desrespeito ao referendo de 2016” (quando Evo convocou a população para tentar alterar a Constituição, perdeu, mas, mesmo assim, deu um jeito de se manter no poder).

“Nós somos solidários e oferecemos ajuda humanitária a países de ideologias distintas. É por isso que demos abrigo aos filhos de Evo Morales, mas gostaríamos de reforçar aqui que é necessário que, na Bolívia, se vigiem os direitos humanos, a liberdade de imprensa e se realizem eleições legítimas de modo rápido”.

Fauire também se mostrou preocupado com a atual situação vivida pelo Chile, que tem encarado protestos e manifestações quase que diariamente contra o governo e que já resultaram na morte de pelo menos 23 pessoas por conta dos conflitos.

“É preciso reforçar que o Chile é uma democracia e que precisamos vigiar isso. Não podemos colocar em dúvida que a saída para as crises sempre tem de ser por meio da democracia. Se caímos no jogo dos violentos, estaremos abrindo espaço a um autoritário que virá amanhã e destruirá nossa democracia”.

Ernesto Araújo, chanceler brasileiro, não se mostrou preocupado com a pequena discordância entre os pares de Uruguai e Argentina. “A percepção diferente dos dois países não compromete nossa defesa dos valores democráticos na região”, resumiu.