BofA vê baixo potencial de valorização nas ações do Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11)

Joana Kurtz
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Crédito: Imagem/Reprodução/Sintec

A perspectiva para os resultados dos grandes bancos de varejo privados em 2020 é mais sombria, em relação a 2019, escreveram os analistas do Bank of America Merrill Lynch (BofA), Mario Pierry, Giovanna Rosa e Ernesto Gabilondo. Depois de revisar para baixo as suas expectativas, o time decidiu cortar a recomendação para o Itaú Unibanco para “underperform” (desempenho abaixo da média do mercado) e para o Bradesco para “neutral” (desempenho em linha com a média do mercado).

Eles fizeram ainda ajustes nos preços-alvo, conforme relatório publicado no último dia 20: para o Bradesco, ficou em R$ 39 (ou US$ 10 por ADR), com potencial de valorização em relação aos níveis atuais de 10%. O potencial de valorização do Santander, por sua vez, é zero, com preço-alvo de R$ 46 (ou US$ 12 por ADR). O Itaú Unibanco tem a pior perspectiva do grupo, com potencial de desvalorização de 3%, para R$ 34 (ou US$ 9 por ADR).

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Apesar de a recuperação da economia estar ganhando força e os empréstimos continuarem a crescer a um ritmo de dois dígitos, os analistas reduziram as estimativas para o lucro dos bancos em 2020 e esperam agora uma forte desaceleração em relação à expansão de 2019.

Os principais motivos são: taxa efetiva de imposto mais elevada, em razão de um aumento de 5% na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que deve afetar em 300 pontos-base os ganhos, e menor crescimento da margem financeira (NII, na sigla em inglês), após a implementação de um limite sobre os juros, que deve afetar em mais 300 pontos-base a última linha do balanço.

Estimativas para lucro

“Esperamos que o Santander e o Bradesco apresentem as melhores taxas de crescimento do lucro líquido entre os bancos, em 2020, com expansões de 4% cada um, na comparação com 2019. O Itaú Unibanco, contudo, deve apresentar queda de 3%”, diz o relatório.

Quanto à expansão da margem financeira (NII), o Bradesco deve apresentar 5%, mesmo porcentual de 2019; o Itaú Unibanco, 2%, ante 8% em 2019; e o Santander, 4%, leve desaceleração em relação aos 5% estimados para o fechamento de 2019.

Os analistas, entretanto, continuam a esperar crescimento de empréstimos de dois dígitos, (impulsionado por pessoas físicas e pequenas e médias empresas); tarifas crescendo um pouco acima da inflação; despesas operacionais evoluindo abaixo da inflação (dado o aumento do foco no controle de custos), e gastos com provisões crescendo em linha com os empréstimos.

Alerta

Os analistas do BofA alertam que o ambiente regulatório é mais incerto, dada a agenda do governo para promover a concorrência; o efeito das fintechs (startups inovadoras de serviços financeiros) sobre as receitas tornou-se mais plausível; o ambiente de taxa de juros mais baixa suscita preocupações quanto à rentabilidade do setor; e há um risco para os lucros.

Bancos versus Ibovespa

O relatório lembra que as ações dos grandes bancos subiram 13% em 2019, desempenho inferior ao aumento de 32% do Ibovespa. Consequentemente, o setor está sendo negociado com um desconto de 25% para o Ibovespa, ante um desconto histórico de 4%.

Apesar do desconto, os papéis estão sendo negociados a um preço/lucro (número de anos que se levaria para reaver o capital aplicado) de 10,3 vezes, acima da média histórica de 9,5 vezes.

Dividendos

Apesar da perspectiva mais sombria para os resultados, como os bancos estão bem capitalizados, os analistas esperam que sejam mantidos os níveis elevados de payout (porcentual dos lucros que a empresa distribui aos acionistas em dividendos), com dividend yield (dividendo pago por ação) de 5,7%.

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