BofA: Real é a moeda que mais desvalorizou durante a pandemia

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O real se desvalorizou 24% a mais do que o projetado entre as moedas dos países emergentes durante a pandemia, segundo dados divulgados pelo BofA nesta segunda-feira (19).

O Bank of America revelou, por meio do modelo de cálculo chamado Compass BEER, que a moeda brasileira está bem menos valorizada do que o sugerido pelos fundamentos, e é o maior desvio negativo em uma lista com 20 moedas de países emergentes.

Além do real brasileiro, destacam-se negativamente na lista divulgada pelo BofA as seguintes moedas: dólar de Cingapura (-18%), e iuan (-15%).

“As grandes subvalorizações que encontramos são um pouco intrigantes, considerando que os períodos de alta das commodities tendem a vir com o dólar fraco e fortalecimento das moedas emergentes”, disseram estrategistas do BofA em nota.

Valor “real”, segundo o BofA

De acordo com os especialistas do Bank Of America, o valor justo para a moeda brasileira hoje – ou o valor real do real, com o perdão do trocadilho -, seria de R$ 4,26 por cada dólar americano.

A moeda brasileira também é a menos valorizada no cálculo que considera valuations multilaterais. Nesse cálculo, o real está 20,3% abaixo do que era esperado pelo BofA.

“Nessas situações, o prêmio de risco idiossincrático pode explicar amplamente desvios do modelo em relação às taxas de câmbio observadas. Achamos que este é atualmente o caso do valuation do real”, explicaram os especialistas da instituição.

Segundo os analistas, a péssima colocação do real em relação às moedas de outros países emergentes tem uma explicação simples.

A culpa é do elevado risco fiscal no Brasil, cada vez mais cercado de incertezas sobre a sustentabilidade da dívida e seus potenciais impactos sobre tendências de crescimento econômico.

Crise fiscal segura dólar alto

A combinação de três riscos – fiscal, político e a crise sanitária derivada pandemia de Covid-19, está por trás do patamar elevado do dólar do Brasil, que não cede apesar da maré favorável para o fortalecimento do real frente à moeda norte-americana, conforme informou o Estadão.

Na virada do ano, a expectativa de especialistas era de que a perspectiva do início do ciclo de alta de juros pelo Banco Central (BC) e o boom de alta de commodities (produtos básicos, como petróleo, grãos e minério de ferro) contribuiria para a valorização da moeda brasileira. No entanto, não foi o que aconteceu.

De acordo com economistas ouvidos pelo Estadão, o dólar poderia estar abaixo de R$ 5 se não fosse o “caldo” de incertezas que rondam a economia brasileira em 2021.