Boeing (BOEI34) fecha seu pior ano desde 2003, graças à crise dos 737-MAX

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Issouf Sanogo / AFP Photo

A Boeing (BOEI34) fechou 2019 como o pior ano em pedidos brutos de aviões desde 2003. No anúncio realizado nessa terça-feira (14), a empresa disse que foram apenas 246 pedidos, mas com os cancelamentos, o número líquido foi de apenas 54.

A crise é reflexo dos acidentes fatais com o modelo 737-Max. Antes das tragédias o modelo havia sido o lançamento mais vendido da empresa.

O 737-MAX esteve envolvido em dois acidentes. O primeiro aconteceu em 29 de outubro de 2018, na Indonésia, com 189 mortos. A aeronave pertencia à Lion Air e tinha três meses de uso. O segundo aconteceu alguns meses depois, quando um modelo da Ethiopian Airlines caiu em março de 2019, na Etiópia, e causou a morte de seus 157 ocupantes. Total de mortos: 346.

Aviões desse modelo permanecem em terra desde março de 2019, em quase todo o mundo. O problema afetou 178 aviões, segundo nota divulgada à imprensa na última sexta (10).

Mensagens de texto

A situação da empresa piora ainda mais, quando recentemente vieram a público mensagens internas mostrando que os pilotos falam de falhas nos simuladores do aparelho e ainda fazem escárnio com a situação: “este avião é desenhado por palhaços, que por sua vez são supervisionados por macacos”. A mensagem é datada de 2017, numa aparente referência à Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla inglesa).

Em outra mensagem, de 2018, um funcionário admite a um colega que não deixaria a família voar numa aeronave 737-MAX: “ainda não fui perdoado por Deus pelo que escondi no ano passado”.

Os congressistas norte-americanos agora investigam o processo de certificação do 737-MAX.

Queda nos números

Consequência do número de pedidos baixo, as entregas também caíram. Dos 806 aviões entregues em 2018, a Boeing contabilizou a entrega de apenas 380 no ano passado, uma queda de quase 50%. A empresa ficou muito atrás da rival europeia Airbus, com 863 entregas, na corrida pela supremacia global de construção de aviões.

A Boeing ainda tem um total 4.545 pedidos não atendidos para a entrega do modelo 737-Max, um atraso que levaria vários anos para ser resolvido. Por conta das quedas dos equipamentos e da investigação, a empresa está interrompendo a produção porque não sabe quando e se o avião poderá voar novamente.

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A FAA está avaliando as alterações que a Boeing está fazendo em softwares e sistemas, mas não há prazo para encerramento dos trabalhos.

Assim, a empresa vive sua pior crise em 103 anos de história. O lucro operacional caiu cerca de 97% em 2019 e fechou com caixa negativo em 2,89 bilhões de dólares. Agora, deve adquirir dívida de US$ 5 Bilhões para cobrir as despesas.

Impacto comercial

As companhias aéreas estão tendo prejuízo também. A American Airlines disse que está removendo o 737-Max de seu cronograma até o início de junho, e deve cancelar 140 voos por dia até lá. A American possui 24 aparelhos do modelo e esperava que tivesse mais 40 até o final do ano passado e outros 10 em 2020. Sem os aviões, a American cancelou cerca de 36 mil voos em 2019 e vai cancelar quase 21 mil até 3 de junho.

A estimativa é que a não utilização do 737-MAX custou US$ 540 milhões (R$ 2,23 bilhões) em impostos em 2019. As companhias tentam um acordo com a fabricante.

Já o governo anunciou formalmente, na semana passada, que aplicou uma nova multa milionária na Boeing. A nova sanção aplicada foi de US$ 5 milhões, aproximadamente R$ 22 milhões, que se soma aos US$ 3,9 milhões que o governo norte-americano já havia cobrado da empresa em dezembro, pelo mesmo caso.