Boa Safra Sementes protocola pedido de IPO na CVM

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Crédito: Divulgação

A Boa Safra Sementes S.A., empresa produtora de sementes, protocolou solicitação para oferta pública inicial de ações  (IPO, na sigla em inglês) junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quinta-feira (22).

A empresa tem mais de 40 anos de mercado com atuação em estados representando 80% do território nacional, atuando nas regiões do Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste.

A Boa Safra fará oferta primária (os recursos vão para o caixa da empresa) de ações. Os acionistas vendedores são Marino Stefani Colpo e Camila Stefani Colpo.

Confira os melhores momentos da Money Week

Segundo a empresa, os recursos da oferta primária serão usados para o crescimento inorgânico. Isso deve ocorrer por meio de “aquisições estratégicas e oportunísticas” de sociedades no mesmo setor de atuação que poderão, ou não, ser partes relacionadas e para reforço de capital de giro.

A XP Investimentos é a coordenadora líder da oferta.

Boa Safra

Sobre a Boa Safra

Com sede em Goiás, a Boa Safra atua há quatro décadas como multiplicadora de sementes de soja, milho e feijão. Hoje é considerada uma das maiores produtoras de sementes de soja do mercado.

A Boa Safra é líder de mercado com cerca de 6,5% de market share, estimado pela empresa com base nas informações divulgadas pela Conab com relação à área plantada e no volume de vendas da companhia por Estado.

“Acreditamos ter um dos mais completos portfólios de sementes de soja do mercado brasileiro, oferecendo tratamentos com diversos componentes químicos e genéticas adaptados às mais distintas regiões do país”, explica a empresa no prospecto preliminar.

A empresa adquiriu a semente matriz de empresas de genética que desenvolve variedades de sementes com aprimoramentos genéticos e são titulares da propriedade intelectual dessas sementes (cultivar). Essas sementes são fornecidas aos 160 produtores da empresa integrados para que realizem o cultivo e produção das sementes matriz.

Após a colheita, as sementes são levadas para uma Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS) para realizar o processamento, beneficiamento e tratamento industrial. O tratamento das sementes oferece maior nível de produtividade, segurança, eficiência e precisão da safra.

O modelo de negócios da Boa Safra está centrado no tratamento, beneficiamento e no processamento industrial de sementes. Para isso, a empresa conta com cinco UBS, com capacidade para realizar o beneficiamento de 111 toneladas de sementes/hora. Em 2020 foram realizados o beneficiamento de mais de 2,5 milhões de sacas de 40kg de sementes. Foram vendidos aos clientes da Boa Safra 1,9 milhão de sacas no exercício encerrado em 31 de dezembro de 2019.

Lucratividade

Até 30 de setembro de 2020 a empresa apresentou um lucro líquido de R$ 31,5 milhões. Nos últimos anos, o indicador vem melhorando. Saiu de um prejuízo de R$ 1,6 milhão em 2017 para um lucro de R$ 7,1 milhões em 2018 e R$ 26,6 milhões em 2019.

Já a receita operacional líquida da empresa saltou de R$ 209 milhões (2017) para R$ 311 milhões (2018) e R$ 404 milhões (2019). Nos primeiros nove meses de 2020 a receita chegou a R$ 356,2 milhões.

O Ebitda da Boa Safra foi de R$ 12,3 milhões em 2018, R$ 45,3 milhões em 2019 e R$ 60,4 milhões até setembro de 2020.

Com dívida líquida de R$ 111,329 milhões, a alavancagem da empresa é de 1,84 vez.

Até a data do prospecto, o capital social da companhia é de R$ 8.834.460.

Números Boa Safra

Riscos da empresa

No prospecto, a Boa Safra destacou alguns dos riscos relativos à empresa e à participação no IPO.

  • Perda ou incapacidade de promover manutenção dos contratos firmados com os produtores cooperados;
  • Riscos relacionados à propriedade de intelectual, incluindo as de terceiros sobre variedades de soja;
  • Alterações climáticas ou outros eventos naturais, incluindo, sem limitação, secas, queimadas e pestes;
  • Riscos relacionados ao sucesso em eventuais aquisições;
  • Dificuldades na implementação de projetos de investimentos;
  • Perda e/ou incapacidade de atrair profissionais qualificados;
  • Variações substanciais nos preços de mercado dos produtos agrícolas;
  • Variações cambiais, nas taxas de juros, inflação, liquidez do mercado doméstico de crédito e de capitais, nas políticas fiscais;
  • As alterações na conjuntura social, econômica, política e de negócios do Brasil.