BNP Paribas crava recessão global

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.
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A recessão global é praticamente certa para muitos economistas e instituições financeiras. Um dos maiores bancos da Europa, com presença em 75 países, o BNP Paribas já crava a estagnação.

Em comunicado emitido nesta quarta-feira (11), o Paribas afirma que “a instabilidade recente do mercado e as medidas em resposta ao coronavírus, num momento em que a economia está sujeita a demanda e choque de oferta, implica significativamente na atividade”, diz.

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E continua: “nosso argumento central para 2020 é, agora, uma recessão global. Os riscos de deflação também estão de volta à mesa, juntamente com preocupações com a estabilidade financeira”, frisa.

Em documento, a instituição ressalta que uma resposta coordenada de política fiscal e monetária se faz necessária. Isso porque, diz o banco, a retórica deve ser seguida de ação.

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Política monetária

O Paribas diz esperar que o Federal Reserve (FED) reduza sua taxa de apólice em 50 pontos percentuais este mês, e aproxime-se de zero até o meio do ano.

Segundo a instituição, essa medida monetária incorrerá, também, em mais compras de ativos. “Aguardamos, ainda, que o Banco Central Europeu anuncie em 12 de março um pacote de socorro às pequenas e médias empresas”, diz o informe.

O BNP afirma, literalmente, que as coisas devem piorar ainda mais antes de melhorar. Para tal, ele elenca que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) falhou.

A puxada de orelha é referente à tentativa da Organização em mediar o conflito entre Árabes e Russos por conta da precificação do barril imposta pelos sauditas.

Para que o preço do commoditie se estabilize, diz o banco, os produtores deverão encontrar um caminho em comum. Do contrário, haverá uma queda acentuada no valor do bem.

 

Restrição de viagens

O Paribas vê com bons olhos a medida de restrição de viagens que a Itália impôs à sua população. Porém, tais ações incidirão na economia real, com menos consumo e investimento.

“Os países que implementaram medidas drásticas para limitar o contágio demonstraram sua eficácia. As ações podem ser replicada por outros países, mas haverá impacto econômico.”

Outro ponto elencado pelo banco é que o foco na contenção do Covid-19, bem como no declínio nos preços das ações e ampliação dos spreads de crédito tendem a agravar as perspectivas através de sentimentos.

Isso porque a sensação de insegurança pode reduzir a capacidade das empresas suportarem choque nos fluxos de caixa. “Prevemos que os gastos de capital sejam significativamente reduzidos em vista de uma mistura entre incertezas e menores lucros”, afirma.