BNDES registra lucro líquido de R$ 8,73 bilhões no terceiro trimestre

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.

Crédito: BNDES/Wikimedia

O principal banco de fomento do Brasil, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) registrou lucro líquido de R$ 8,73 bilhões no terceiro trimestre de 2020. O desempenho, apresentado à imprensa nesta quinta-feira (12), foi fortemente influenciado pelo resultado obtido com participações societárias.

Entre elas estão a alienação de ações de Vale, que contribuiu com um lucro líquido de R$ 4,0 bilhões; a equivalência patrimonial de empresas coligadas, com R$ 1,2 bilhão; e a receita com dividendos e JCP, de R$ 938 milhões.

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Além de lucro financeiro, o BNDES procurou no período oferecer retorno social positivo para o país, por exemplo, com as medidas emergenciais para proteção de empregos e vidas ante a crise decorrente da pandemia da COVID-19.

Por essas medidas, que somaram R$ 136,6 bilhões, o comunicado oficial informa que já foram apoiadas 267 mil empresas, que empregam 8,8 milhões de pessoas.

Ativos do Sistema

O BNDES totalizou R$ 764,4 bilhões em 30 de setembro de 2020, apresentando aumento de R$ 36,2 bilhões (5,0%) nos primeiros nove meses do ano.

O incremento resultou, principalmente, do ingresso de recursos do Tesouro Nacional (R$ 22 bilhões no total, sendo R$ 4,8 bilhões já aplicados), no âmbito do Programa Emergencial de Suporte a Empregos (PESE) e do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (PEAC), além da apropriação de variação cambial e juros da carteira de crédito e repasses, de R$ 39 bilhões.

Esses fatores foram atenuados pela transferência da totalidade do saldo de R$ 20,7 bilhões do Fundo PIS/PASEP para o FGTS no segundo trimestre, o que viabilizou saques emergenciais dos trabalhadores, e pela desvalorização da carteira de empresas não coligadas em R$ 11,5 bilhões.

A carteira de crédito e repasses, líquida de provisão, totalizou R$ 452,3 bilhões ao fim do terceiro trimestre, representando 59,2% dos ativos totais em 30 de setembro de 2020, o que implica um acréscimo de 2,4% em relação ao saldo de 31 de dezembro de 2019.

Inadimplência baixou

A inadimplência acima de 90 dias reduziu de 0,84% em 31 de dezembro de 2019 (desconsideradas as operações com honra da União) para 0,18% em 30 de setembro de 2020, retornando ao patamar de 2015 e mantendo-se bem abaixo da inadimplência média do Sistema Financeiro Nacional (2,43% em 30 de setembro de 2020).

O índice de renegociação atingiu 47,36% em 30 de setembro de 2020, fortemente impactado pela suspensão temporária de pagamentos de operações contratadas junto ao BNDES (standstill) criado por conta da pandemia no segundo trimestre.

Fontes de recursos e dívida

Em 30 de setembro, FAT e Tesouro Nacional representavam 40,1% e 27,9%, respectivamente, das fontes de recursos do BNDES.

O valor devido pelo BNDES ao Tesouro Nacional atingiu R$ 213 bilhões, representando um aumento de 6,7% em relação ao encerramento de 2019.

O acréscimo ocorreu por conta do ingresso de recursos do Tesouro Nacional (R$ 22 bilhões, sendo R$ 4,8 bilhões já aplicados). Não houve liquidações antecipadas em 2020, apenas pagamentos ordinários no montante de R$ 11,5 bilhões.

Patrimônio líquido

O patrimônio líquido do BNDES se manteve no mesmo patamar, chegando a R$ 104,5 bilhões no terceiro trimestre.

O ajuste negativo de avaliação patrimonial (notadamente participações societárias em não coligadas) de R$ 14 bilhões líquidos foi compensado pelo lucro líquido de R$ 13,7 bilhões.

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