BNDES deve fazer aporte de US$ 1 bi para a Embraer (EMBR3)

Daniele Andrade
Jornalista formada pela Universidade Positivo, pós-graduada em Mídias Digitais. Atualmente cursa bacharel em História. Gosta de produzir reportagens sobre política tanto nacional quanto internacional, economia e tecnologia.
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Crédito: Divulgação/Embraer

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deve aportar US$ 1 bilhão para comprar ações a serem emitidas pela Embraer (EMBR3). A empresa vai voltar a possuir participação estatal, segundo informações  do jornal Valor Econômico.

Havia uma resistência no Ministério da Economia para concretizar essa ação. Mas foi possível realizá-la porque o ministro Paulo Guedes tem proximidade com o vice-presidente do Conselho de Administração da empresa, Sergio Eraldo Pinto.

A União possui 5% da Embraer. O discurso oficial sobre a situação da companhia será de que a Embraer foi vítima de uma traição da Boeing. 

O presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, comentou sobre a situação da empresa. “A volta do BNDES à Embraer seria parecida com a ação do governo americano.”

“Não há comprador hoje para a Embraer num mercado que teve sua atividade reduzida em cerca de 90%”, explicou Celestino. 

Dúvidas em relação à situação da Embraer

Entre os analistas, a dúvida que impera é se o fatiamento da companhia em três empresas será mantido. Quando a operação, agora desfeita, foi firmada, a Boeing iria ficar com 80% da operação comercial sem conceder direito de voto no conselho de administração aos 20% da Embraer.

Com o rompimento do acordo bilionário entre Embraer (EMBR3) e Boeing (BOEI34) novas medidas deverão ser tomadas para tentar minimizar os impactos do fracasso comercial.

A Embraer alega que a Boeing produziu falsas alegações para evitar o pagamento de US$ 4,2 bilhões previsto na operação.

Segundo o Valor Econômico, só com a cisão da unidade de aviação comercial, a companhia já desembolsou R$ 485 milhões no ano passado. O caso deverá parar na Justiça por iniciativa da Embraer.

O acordo avaliava a Embraer em US$ 5,3 bilhões.

Sem a operação, há incertezas sobre o futuro das duas empresas.

A Boeing se beneficiaria com a ampliação do portfólio e a oferta de jatos regionais. Já a estatal brasileira ganharia força para enfrentar a concorrência.

Governo considerava negociar com a China

O governo federal considerava, até o final de abril, negociar com a China como uma saída para a companhia brasileira. Enquanto que a Embraer vai cobrar na Justiça os danos sofridos com o fim do acordo.

Segundo a Folha de São Paulo, a equipe econômica do governo vê no mercado asiático a disponibilidade de recursos e o potencial de crescimento fatores que podem auxiliar no processo com a Embraer. Operações ou parcerias com companhias chinesas podem ser propostas.

A China, que começa a se recuperar da crise do coronavírus, está em plena expansão do mercado de aviação. Eles possuem a estatal chinesa Comac (Commercial Aircraft Corp of China). Ela produz jatos para voos regionais e tenta competir no mercado mundial. Mas a ideia tem dividido a equipe econômica do governo brasileiro.

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Na visão da cúpula militar do governo federal, o fim do acordo da Embraer não é ruim.

Parte deles vê na desistência uma oportunidade de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) rever a política de privatizações, já que consideram o setor de tecnologia aeroespacial estratégico para o país.

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