BNDES e Latam afirmam que seguem em negociação para socorro

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Facebook / Latam

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disse que ainda negocia socorro à Latam, após a companhia ter divulgado que entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos. A afirmação foi feita nesta terça-feira (26), mesmo dia em que a aérea fez a solicitação em território norte-americano.

Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, diz que as negociações com o BNDES estão avançando. Já o banco informou em nota que “continua a negociar um apoio à Latam, a partir dos moldes já propostos às três grandes companhias aéreas”, referindo-se também à Azul (AZUL4) e à Gol (GOLL4).

No último dia 15 foi anunciado que as três principais companhias aéreas do Brasil fecharam acordo para receber socorro de um sindicato de bancos.

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

Pacote do BNDES

Segundo o BNDES, o pacote de incentivo para tentar salvar as aéreas do estrago causado pela pandemia do novo coronavírus ficaria entre R$ 4 bilhões e R$ 7 bilhões.

O apoio às empresas seria feito por meio de ofertas públicas de títulos de dívida e contemplaria a participação mínima de 30% de investidores privados, com BNDES (60%) e bancos privados (10%) garantindo a demanda da maioria de cada oferta.

Mas a Latam não tem capital aberto no Brasil. Precisaria, então, buscar uma alternativa. E foi aos Estados Unidos.

Os bancos já sabiam da fragilidade maior da Latam para atravessar a forte crise.

Com o movimento, o valor destinado à Latam deve ser diminuído, já que há aumento do risco, mesmo que a parte brasileira da empresa tenha ficado fora do pedido de recuperação judicial.

“Continuamos a conversar com a Latam, não saímos da mesa. Existe a questão da apresentação de garantias e de valor mobiliário líquido. Talvez eles tenham que trazer fatos novos para tornar mais claro para o mercado”, diz uma fonte ao jornal O Estado de S.Paulo.

As afiliadas da Latam na Argentina, Brasil e Paraguai não estão incluídas no pedido de recuperação.

Situações diferentes

O BNDES ainda estuda os efeitos na parte brasileira da companhia do pedido de recuperação judicial. O que se entende até aqui é que as operações dependem da participação de investidores de mercado.

“A Latam, além de apresentar considerações ao BNDES, terá o desafio de tentar mitigar seu risco diante do BNDES/bancos e mercado”, afirmou ao Estadão o vice-presidente de um grande banco que não se identificou.

Já Azul e Gol são situações diferentes: “essas empresas têm de apresentar suas considerações ao BNDES e, a depender da aceitação ou proposições delas, terão boas chances de concretização”, disse.

Governo se diz tranquilo com relação à Latam

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, afirmou também nesta terça-feira (26) que o governo está “tranquilo” sobre a movimentação da Latam.

“Estamos monitorando esses movimento e estamos bastante tranquilos até o momento com a situação dessa empresa. Nossa preocupação com o setor aéreo sempre é preservar essas empresas operando para preservar empregos e, na retomada, a gente não ter problema de choque de ofertas, o que vai levar elevação de tarifa”, afirmou.

O ministro acredita que a empresa esteja confiante no acerto com o BNDES, por isso não se portou de maneira semelhante aqui no Brasil.

“É um movimento estratégico da companhia, é um movimento pensado, porque ela tem caixa, tem suficiência de caixa. Quando ela faz isso, ela congela dívidas de financiamento, essas dívidas ficam congeladas e passam por uma discussão entre credores, consegue cancelar contratos que não são importantes para a operação”, analisou.

Dívida da Latam

A dívida da empresa está em US$ 17,9 bilhões.

Os maiores credores são instituições financeiras como Wilmington Trust Company, com US$ 777 milhões; o Citibank, com US$ 603 milhões. o Credit Agricole, com US$ 274 milhões; o Wells Fargo, com US$ 277 milhões; e o Natixis, com US$ 243 milhões.

“A Latam entrou na pandemia de Covid-19 como um grupo de companhias aéreas saudável e lucrativo, mas circunstâncias excepcionais resultaram em um colapso na demanda global que não apenas levou a aviação a praticamente uma paralisação, mas também mudou o setor para o futuro próximo”, disse Roberto Alvo, CEO da Latam.

Com informações do Broadcast/Estadão