BNDES deverá abrir segunda caixa-preta, decide STF

Tatiane Lima
Jornalista, redatora sênior. Tecnóloga em Recursos Humanos e MBA em Comunicação e Marketing. Apaixonada por empreendedorismo criativo. Atuei nos três setores, com hard news, jornalismo on, off e redação publicitária.
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Crédito: Acervo/BNDES

Mesmo após a apuração das operações financeiras, o BNDES deverá abrir uma segunda caixa-preta, conforme publicação da Folha de S. Paulo. A decisão foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que sentenciou o banco a divulgar a folha de pagamento completa. Ou seja, revelar as remunerações de todos os seus empregados, e somente dos diretores, como havia feito até então.

Assim, como informou a Folha de S. Paulo, o BNDES será obrigado a abrir publicamente as suas informações sobre salários. As quais, desde 2013, vem brigando nos tribunais para que fossem mantidas em sigilo. Há seis anos, o Ministério Público abriu uma ação civil pública solicitando a transparência do banco. Após a determinação do STF, o BNDES afirmou à Folha que aplicará as mudanças necessárias a partir do mês de abril. Ainda que a nova presidência de Gustavo Montezano, que assumiu em julho de 2019, estivesse comprometida com o governo Bolsonaro na abertura da caixa-preta, a fim de iluminar possíveis esquemas não esclarecidos, a preservação ao banco continuava.

Até porque Montezano, segundo reportagem da Folha, em janeiro, assegurou que não tinham encontrado nada de ilegal no BNDES. E defendeu que se empenharia para que esse episódio da história do banco fosse superado. “Minha função é trabalhar pela credibilidade do BNDES”, disse à época. A principal alegação do BNDES para o sigilo é não chamar a atenção da concorrência. Pois, para a instituição, ao revelar a remuneração, estaria também possibilitando que os concorrentes atraiam seus funcionários dê margem a uma maior rotatividade no quadro pessoal. Porém, as altas premiações e participações nos lucros, mesmo com operações mal sucedidas alertaram para possíveis fraudes ocultas. O salário presidencial de Montezano, por exemplo, é de R$ 80,8 mil por mês.  Ou seja, o dobro do teto dos funcionários públicos federais, de R$ 39.293 mensais.