Bitcoin a US$ 20 mil este ano: após halving mercado especula teto

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site PC Press

Mesmo após passar, em maio último, por um halving – que cortou pela metade a remuneração dos mineradores – o bitcoin tem sido objeto de especulações e previsões frequentes de analistas, que admitem a possibilidade de que sua cotação atinja US$ 20 mil, ainda este ano.

Contribui para favorecer esse cenário altista, no momento, a ‘crença’ de que a atual crise poderá ser revertida rapidamente, a despeito de recorrentes previsões apocalípticas quanto ao futuro próximo.

Em que pese o trabalho hercúleo de avaliar os prejuízos da crise, o fato é que a tendência de valorização do bitcoin segue firme e em níveis superiores, inclusive, aos do secular ouro.

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Bitcoin vs outros ativos

A tese de valorização também se sustenta no histórico declínio das ações e do valor das principais commodities (petróleo e ações).

Até mesmo a queda abrupta do mercado de capitais, em março, ajudou a fornecer a base para o crescimento do bitcoin, pela ótica da volatilidade.

Ao contrário do mercado de ações, hoje extremamente volátil, o bitcoin apresentou índices mais baixos de volatilidade, no período de 260 dias.

Nesse quesito, o bitcoin tem uma medida de volatilidade equivalente a 0,6 x do petróleo bruto. Há três anos, essa proporção era de 3,5 x.

Essa expectativa era bem menor há algumas semanas, sobretudo após o corte pela metade da remuneração dos mineradores, com o halving de maio.

Valorização à vista

A impressão por nova alta se baseia em movimento similar, ocorrido em 2016, quando a cotação do bitcoin registrou alta histórica, após dois anos de contínuas baixas – que somaram 60%.

A expectativa positiva em torno de um desempenho positivo da moeda virtual tem origem, na verdade, na sua própria natureza.

Maturação, maior profundidade e exposição via contratos futuros, afirmam especialistas ouvidos pela agência Bloomberg.

Eles entendem que essas variáveis deverão suprimir a volatilidade do bitcoin, turbinando sua cotação, ao longo do tempo.

Mais: a alta dessa moeda virtual não está sendo acompanhada, pelo menos por enquanto, pelas demais criptomoedas.

Bitcoin já superou US$ 20 mil

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Fonte: CoinMarketCap

Injeção de liquidez

Dentro dessa visão, permanece a expectativa de alta do bitcoin, seja pelo esperado sucesso da injeção de liquidez nos mercados por governos e bancos centrais, ou pelo êxito de planos de estabilização econômica por parte dos países.

Mas o otimismo não elimina os efeitos muito negativos da pandemia sobre a economia, que deverão persistir por muito tempo, sobretudo o setor de turismo, o mais afetado, o turismo, o que deverá ocorrer em anos, não meses.

Bitcoin: ativo alternativo

Ativo alternativo 100% digital, a criptomoeda continua a despertar o interesse do investidor, que passou a acreditar, de forma crescente, na possibilidade real de valorização da criptomoeda, a exemplo de 2017 e 2018.

Após experimentar uma fase de estabilização, uma parte do mercado previa o fim iminente da moeda virtual, em razão de esta ter um caráter ‘especulativo’.

No entanto, com o tempo, o bitcoin acabou se firmando  como “reserva de valor”, isto é, não está sujeito à manipulação de governos ou bancos centrais.