Bitcoin: mineradores se preparam para o dia do “halving”

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site Cointimes

Pela terceira vez na história, mineradores da criptomoeda bitcoin vão sofrer cortes de remuneração.

Isto porque está previsto para essa segunda-feira (11) o acionamento do chamado halving do bitcoin, que tende a alterar para cima os preços da moeda virtual no médio e longo prazos.

O último halving ocorreu em 9 de julho de 2016.

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Basicamente, o evento consiste na redução pela metade da remuneração paga aos mineradores de bitcoin.

Inicialmente cotada a 50 bitcoins por bloco, a remuneração foi caindo, até ficar em 25 bitcoins, em 2012.

Já em 2016, a remuneração caiu para 12,5 bitcoins.

Agora, ‘recompensa’ se reduzirá ainda mais, para 6,25 bitcoins.

Dessa forma, ao invés de serem criadas 1.800 unidades por dia, agora serão 900. Em 2016, a redução havia sido de 3.600 para 1.800.

Em resumo, a remuneração por bloco validado é cortada à metade a cada 210 mil blocos na blockchain – o que ocorre, geralmente, a cada quatro anos.

Como consequência, será reduzida a oferta da criptomoeda.

Pai do bitcoin

Tal procedimento de cortes a cada quatro anos foi escrito no white paper preparado pelo misterioso Satoshi Nakamoto, que até hoje não se conhece ao certo quem seja.

Há quem imagine se tratar de um grupo de programadores.

Grosso modo, o documento acadêmico, divulgado em outubro de 2008, lançou as bases e estabeleceu as diretrizes de um novo e complexo sistema de troca de valores.

Esse processo é descentralizado e sem a tradicional intermediação de instituições financeiras. Por isso, é envolto de polêmica, já que elimina o papel dos bancos centrais.

Conforme o documento, estão previstas a emissão de até 21 milhões de unidades de bitcoin, no período de 2008 a 2140. No entanto, até hoje já foram emitidos 18,3 milhões bitcoins.

Por isso, cada vez mais no futuro, a mineração se tornará escassa e cara, já que esse processo requer um grande gasto computacional e de energia elétrica.

Teia por trás do bitcoin

Em lugar de entidades centralizadoras (bancos centrais ou governos), as transações com bitcoins são feitas por operadores da rede blockchain – cadeia de blocos, em inglês.

O blockchain seria como um livro contábil ou livro-razão.

Assim, sempre que há uma troca de valores entre investidores de bitcoin, esta operação entra no sistema do blockchain.

Estes programadores, responsáveis pela mineração, fazem a checagem das transações e verificam se estão realmente lastreadas.

O chamado exército de mineradores ou programadores certificasse, portanto, de que não ocorra fraude.

Como os registros são todos interligados, por isso o nome de cadeia de blocos, quem quiser fraudar um bloco, precisará fazer o mesmo no anterior.

Entretanto, como todos os registros anteriores estão interligados – a inúmeras operações –, a tarefa se tornará impossível, já que em algum momento da cadeia a fraude será descoberta.

Consequentemente, a transação de troca de bitcoins entre os investidores que não tenha o seu respectivo lastro, não será realizada.

Validação rápida

Dinâmica, a validação costuma ocorrer a cada dez minutos, por parte de mineradores e de operadores que usam computadores de alta performance, capazes de resolver equações com complexidade crescente.

O segmento, que possui dimensões industriais, conta com grandes players nas chamadas “fazendas de mineração”, onde o custo de energia elétrica é proporcionalmente inferior.

Toda vez que um minerador resolve um problema matemático e acessa um novo bloco, as transações envolvidas são automaticamente validadas e esse minerador é remunerado.

Regra deflacionária

Dentro desse preceito, as emissões seguiriam uma regra deflacionária, de redução gradual de disponibilidade de bitcoins ao longo do tempo.

Com o aumento das emissões da criptomoeda, nos últimos anos, estas têm passado por um processo de desaceleração, acompanhando a queda de inflação da moeda virtual.

Quanto ao valor do ativo, este cresceu de forma exponencial. De US$ 100 (R$ 571) em 2016, o bitcoin vale hoje quase US$ 10 mil (R$ 57,1 mil), tendo chegado a custar quase US$ 20 mil.

Inclusive, há casos de pessoas que se deparam com bitcoins minerados no passado e descobrem que se tornaram milionários.

Veja a cotação histórica:

bitcoin

Fonte: CoinMarketCap

Previsões variadas

Entre os especialistas, a expectativa é de que o terceiro halving possa elevar ainda mais o preço do bitcoin, que sofre influência da variação das cotações da criptomoeda e pela atratividade exercida pela mineração.

De qualquer forma, é coerente o princípio econômico de que a restrição de oferta de bitcoin, tecnicamente, determina sua elevação de preço no mercado.

(Edição Rodrigo Petry)