Bitcoin: entenda a matemática incorruptível de seu lastro

carlos.russo
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Pixabay

Muitos se perguntam qual é o lastro do bitcoin. Por não ter um ativo subjacente a ele, o bitcoin é visto por alguns como um ativo sem lastro e, logo, puramente especulativo e correndo o risco de, uma hora para a outra, ter seu valor reduzido a zero.

No entanto, o bitcoin tem um lastro muito forte e incorruptível, que é a sua matemática. Ou seja, o seu protocolo que prevê a emissão de um total de 21 milhões de bitcoin sem que ninguém possa interferir nele.

Para demonstrar a afirmação de que o lastro do bitcoin é sua matemática, precisamos voltar um pouco no tempo, na história do dinheiro.

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As primeiras moedas, tal como conhecemos hoje, peças representando valores, geralmente em metal, surgiram na Lídia (atual Turquia), no século VII A. C. E o valor delas estava na nobreza dos materiais usados na cunhagem das primeiras moedas, o ouro e a prata.

À medida que cresceu a utilização das moedas nas transações comerciais, foi necessário criar um lugar onde guardá-las. Os negociantes de ouro e prata, por terem cofres e guardas a seu serviço, passaram a aceitar a responsabilidade de cuidar do dinheiro de seus clientes e a dar recibos escritos das quantias guardadas, o que hoje conhecemos como cédulas.

Bitcoin

Meio de pagamento

Com o tempo, esses papéis passaram a servir como meio de pagamento por seus detentores. Portanto, todas as cédulas emitidas tinham um correspondente em ouro ou prata guardado em um cofre – que deram origem aos bancos.

Isso deu origem ao padrão-ouro, um sistema monetário que vigorou desde o início do século XIX até meados do século XX. Por esse padrão, cada banco era obrigado a converter as notas bancárias por ele emitida em ouro (ou prata), sempre que solicitado pelo cliente.

Operando no regime de padrão-ouro, o banco central de cada país mantinha grande parte de seus ativos de reserva internacional sob a forma de ouro. Ou seja, a quantidade de reservas de ouro do país determinava a sua oferta monetária.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos emergem como nova potência mundial, o Ocidente passa a ter uma nova ordem monetária e econômica internacional.

Ao se tornarem a nação hegemônica, os Estados Unidos impõem ao mundo o dólar como moeda internacional. Em 1944, após os Acordos de Bretton Woods, o padrão libra-ouro (1870 -1914) dá lugar ao padrão dólar-ouro.

No entanto, esse sistema chega ao fim em 1971, quando os Estados Unidos aboliram unilateralmente a conversibilidade do dólar em ouro, determinando, como consequência, o fim do padrão-ouro. Ou seja, o país passa a deter o direito de emitir a moeda de reserva internacional sem o lastro do ouro nos cofres de seu banco central.

A história já se conhece: o governo dos EUA emitiu mais dólares do que os produtos e serviços efetivamente gerados, fazendo com que a moeda perdesse valor. Assim, fica a pergunta: qual é o lastro do dólar?

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Bitcoin: criado por Satoshi Nakamoto

Voltemos ao bitcoin. Criado em 2008 por Satoshi Nakamoto como um ativo digitalmente escasso na esteira da crise imobiliária norte-americana cujos efeitos perduram até hoje, o bitcoin não pode sofrer esse tipo de interferência. Seu protocolo matemático impede que mais moedas sejam emitidas do que as já previstas na sua criação.

Isso faz com que a sua inflação – que caiu recentemente no evento conhecido como halving – seja conhecida até que o último bitcoin seja criado, no ano de 2140. Ou seja, ele não vai perder valor como as moedas nacionais no regime monetário que vigora hoje no mundo.

O lastro do bitcoin é, portanto, sua matemática. De forma totalmente transparente e auditável, ela impede sua corrupção a bel prazer de governos nacionais e suas necessidades de fazer dinheiro diante de situações de maior ou menor demanda.

E por isso, essa matemática incorruptível sugere o bitcoin como um ativo de proteção diante de medidas irresponsáveis.

Carlos Russo é economista chefe da Transfero Swiss Ag