Bitcoin: entenda aqui como funciona a moeda virtual

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Mais dia, menos dia, as criptomoedas e sua principal versão, a bitcoin, vão chegar até você. Até mesmo o Banco Central já estuda uma moeda digital para os próximos anos.

A questão é: você pode esperar a mudança chegar até você ou ser um investidor da mudança e lucrar com isso desde já.

Atualmente, a bitcoin vem alcançando valorização recorde no Brasil por conta da alta do dólar decorrente da junção de crise do novo coronavírus e todo o risco fiscal brasileiro.

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Hoje na casa dos R$ 64 mil, os especialistas apontam que ela pode chegar até R$ 70 mil até o final do ano. No mundo todo, a valorização no ano já é de 57%.

Variação do bitcoin em reais – 1 ano

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Fonte: Reprodução Mercado Bitcoin

Mas antes de decidir investir em bitcoins, é preciso entender o que elas são. Vamos lá.

O que é bitcoin?

A Bitcoin é uma moeda totalmente digital, que não existe fisicamente e utiliza a tecnologia de criptografia para manter suas transações seguras e confiáveis.

Também é totalmente descentralizada, ou seja, não possui nenhuma autoridade central com poder sobre a criação ou emissão da moeda.

Claro, uma moeda que não existe fisicamente, não tem lastro e não tem alguém no comando, vem causando muito estranhamento e desconfiança desde seu lançamento.

Quando a bitcoin surgiu?

Os princípios que norteiam a bitcoin foram lançados em outubro de 2008, quando um total desconhecido de nome Satoshi Nakamoto apresentou seu white paper, com todos os procedimentos relacionados à nova moeda.

Até hoje, a identidade de Nakamoto é contestada. Um cientista australiano de nome Craig Steven Wright já se apresentou como pai do bitcoin em revistas científicas internacionais, mas muitos seguem sem acreditar nele.

Há apostas de que Nakamoto seja, na verdade, um coletivo de desenvolvedores, dada a complexidade do sistema de troca de valores apresentado.

Quantas bitcoins há no mundo?

A oferta de bitcoins obedece ao estabelecido pelo white paper.

Desde a origem, ficou estabelecido que seriam 21 milhões de bitcoins no mundo até 2140 – e só. Logo, o que determina seu preço é, justamente, a demanda.

Assim como com o ouro que, quanto menos se tem para ser extraído, mais raro fica igual é com a bitcoin.

Consequentemente, menor oferta resulta em alta dos preços, caso a demanda siga em alta.

Até hoje já foram emitidas mais de 18,6 milhões bitcoins. Ou seja, mais de 88% do total já está em circulação.

Corte da oferta

Só que a aproximadamente quatro anos, ou a cada 210 mil novos blocos gerados, ocorre uma redução pela metade da remuneração de bitcoins paga aos mineradores (mais abaixo explicamos quem são).

Essa é outra regra prevista no white paper. O processo recebe o nome de halving (metade, em inglês).

Isto serve para manter a meta de ter apenas 21 milhões de unidades de bitcoins em circulação.

O terceiro e mais recente halving aconteceu em junho deste ano e reduziu o pagamento dos mineradores de 12,5 bitcoins para 6,25 bitcoins por bloco minerado.

Quem controla os bitcoins?

Como dito, não existe uma autoridade central para fazer o papel da emissão de novas moedas.

A autenticação das transações, o que evita fraudes, fica a cargo de uma comunidade de “mineradores”.

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Mineradores de bitcoin / Fonte: blockmaster.com.br

Os mineradores, estimados em 200 mil no mundo todo, são responsáveis por checar cada uma das movimentações feitas com bitcoin.

Para tanto, eles fazem uso de computadores com grande capacidade de processamento, muita matemática e muita criptografia.

Pelo trabalho, os mineradores são recompensados com uma nova unidade da moeda. E é assim que novas moedas entram em circulação, mas nunca ultrapassarão as 21 milhões de unidades.

Porém, mesmo que em algum momento não existam mais moedas, o papel dos mineradores será o de verificação das transações.

Entrando em detalhes mais técnicos, os registros das minerações são todos feitos em blocos, todos eles interligados (o que recebe o nome de cadeia de blocos ou blockchain em inglês).

Assim, para fraudar alguma operação de um bloco, seria preciso fraudar o bloco anterior e assim por diante.

Desta forma, a fraude seria facilmente identificada na cadeia, o que desestimula qualquer tentativa de burlar o sistema.

As transações

Conforme o white paper, a bitcoin é uma moeda eletrônica, formada por uma cadeia de assinaturas digitais – ou códigos criptografados.

Então, a cada transação, o seu proprietário transfere sua moeda digital para uma próxima pessoa.

Essa troca de mãos (do valor financeiro, que pode ser uma fração do valor de uma bitcoin) recebe a assinatura digital.

Com a posse do hash (ou código do bloco) da transação anterior e uma chave pública do próximo dono estas são adicionadas ao grande bloco (blockchain).

Assim, a assinatura da chave privada libera as moedas para a pessoa que vai recebê-las – e assim por diante, quando for revendida.

Reprodução: white paper bitcoin

Reprodução: white paper bitcoin

As bitcoins são seguras?

Sim. Todas as transações em criptomoedas são rastreáveis, com um nível de clareza e rapidez ainda maiores do que no sistema financeiro tradicional.

No entanto, é preciso ter alguns cuidados ao investidor na moeda virtual.

Como investir em criptomoedas?

Primeiro, é preciso definir se a intenção é negociar sozinho ou contar com a assessoria especializada. Esta, claro, deve ser de confiança.

Outra possibilidade são os fundos de investimento com exposição de até 20% em bitcoin, também viabilizados pelas corretoras.

Feita a compra, o investidor precisa definir como fará o armazenamento, se na própria corretora ou sob sua própria custódia.

Neste caso, é preciso ter ferramentas seguras e fazer backup de tudo, para não perder seus bitcoins – acredite, apesar do valor bastante alto da moeda, isso acontece.

Variação da bitcoin desde 2014 bitcoin

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(Edição Rodrigo Petry)