Big Techs vão na contramão da queda histórica dos EUA

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/Christian Wiediger/Unsplash

O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre nos Estados Unidos registrou queda histórica de 32,9%. O tombo era esperado, mas, apesar disso, veio pouco melhor do que o aguardado pelo mercado, que projetava recuo de 34,5%.

É o pior resultado registrado desde os anos 1940, quando o mundo atravessava a segunda grande guerra.

No trimestre anterior, que já captava em parte a crise decorrente da pandemia de coronavírus, a queda havia sido de 5%. E dois trimestres atrás, houve alta de 2,1%.

O quadro é sombrio, mas não para as Big Techs, as maiores empresas de tecnologia do mundo, que basicamente regem a sociedade. Amazon, Apple, Alphabet (controladora do Google) e Facebook reportaram um lucro combinado de US$ 28,6 bilhões esta semana.

A Apple chegou a informar que vai mais uma vez fazer uma operação quatro-por-um para deixar suas ações mais acessíveis aos investidores, de tão caras que elas ficaram.

Ou seja, as Big Techs vão na contramão da maior crise mundial que a humanidade enfrenta em mais de cem anos.

Pandemia ajuda as Big Techs

As empresas trilionárias ainda contam com Microsoft, Spotify, Netflix e poucas outras para desafiar a crise que abate a “economia formal”.

Elas se valem de um poder que as empresas “físicas” não possuem: operam em qualquer situação, em qualquer lugar e, no caso da crise atual, estão mais presentes na vida das pessoas, que precisam ficar confinadas em casa.

Ou seja, a pandemia mais ajuda do que atrapalha.

Juntas, elas valem mais de US$ 6 trilhões.

O PIB mundial, estimado em 2018, é de US$ 85 trilhões.

Performance

Segundo matéria do New York Times, “as vendas da Amazon aumentaram 40% em relação ao ano anterior e seu lucro dobrou”.

Já o lucro do Facebook aumentou 98%.

“Embora a pandemia tenha fechado muitas de suas lojas, a Apple aumentou as vendas de todos os seus produtos em todas as partes do mundo e registrou lucro de US$ 11,25 bilhões”, ilustra o jornal norte-americano.

No caso da controladora do Google, a receita de publicidade caiu, mas ainda se saiu melhor do que Wall Street esperava.

“Os fortes continuam se fortalecendo”, disse Dan Ives, diretor de pesquisa de ações da Wedbush Securities, para o jornal.

“Como muitas empresas estão caindo no esquecimento, os defensores da tecnologia continuam a ganhar força e força nesse ambiente”, lembra.

O desempenho financeiro das empresas de tecnologia foi um contraste notável com a saúde geral da economia dos EUA.

Marketing

“O Facebook e o Google continuam sendo importantes para os profissionais de marketing e estão enfrentando melhor a desaceleração da publicidade do que os rivais”, diz o New York Times.

Além disso, o Facebook diminuiu a desaceleração dos gastos, com níveis recordes de envolvimento de seus produtos.

A Alphabet afirmou que a receita dos anúncios de pesquisa do Google caiu 10% – diminuindo a receita geral pela primeira vez na história da empresa -, mas que ainda era melhor que a dos rivais.

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Na semana passada, a Microsoft reportou uma queda de 18% na receita de publicidade em buscas.

Desde o início de março, os preços das ações das empresas aumentaram em média 35%, em comparação com um aumento de perto de 10% nas ações do índice S&P 500.

Legislativo está de olho

Entretanto, o poder legislativo norte-americano está preocupado com esse aumento brutal do poder dessas poucas empresas.

Na quarta-feira (29), um painel antitruste do Congresso questionou os líderes das empresas – Jeff Bezos, da Amazon; Tim Cook, da Apple; Mark Zuckerberg, do Facebook; e Sundar Pichai, da Alphabet – sobre seu poder de mercado e práticas de negócios.

Esse poder das Big Techs é tão grande que o mundo está há um tempo tentando controlar, seja com mais impostos (o que muitas delas parecem concordar), seja com desmembramentos.

As investigações antitruste costumam levar anos, principalmente se os reguladores buscarem medidas mais drásticas, como desmembrar as empresas.

Contudo, não é um movimento fácil.

Mexe com questões intrínsecas da sociedade norte-americana, como liberdade de expressão e liberdade de comércio.

Além disso, há o desejo das pessoas de terem essas empresas operando no seu dia a dia.

Resultados de Amazon, Facebook, Alphabet e Apple

Primeiramente, entre elas, a Amazon fez US$ 88,9 bilhões em vendas trimestrais, um aumento de 40% em relação ao ano anterior. O lucro dobrou, para US$ 5,2 bilhões.

A receita do Facebook no segundo trimestre aumentou 11% em relação ao ano anterior, para US$ 18,7 bilhões, enquanto os lucros aumentaram 98%, para US$ 5,2 bilhões.

Segundo o NYT, os resultados ficaram bem acima das estimativas dos analistas de US$ 17,3 bilhões em receita, com lucro de US$ 3,9 bilhões.

A Alphabet relatou seu primeiro declínio na receita trimestral, afetado por uma desaceleração nos gastos dos anunciantes.

A empresa registrou receita de US$ 38,3 bilhões e lucro de US$ 6,96 bilhões, ainda assim acima das expectativas.

Apesar de tudo, a receita de publicidade melhorou com o decorrer do trimestre.

Ao contrário das duas gigantes citadas, a Apple opera em lojas físicas e, por causa da pandemia, muitas delas tiveram que ser fechadas.

Contudo, suas vendas aumentaram 11%, para US$ 59,7 bilhões, e seus lucros aumentaram 12%, para US$ 11,25 bilhões, superando expectativas.

Ou seja, os números mostram que não há crise para as Big Techs. Pelo menos não agora.