Big Techs encontram forma de repassar o custo dos novos impostos digitais na Europa

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/iStock Photos

Em junho, a União Europeia afirmou que poderia criar um imposto sobre os serviços prestados pelas chamadas Big Techs – Google, Amazon e Facebook – mesmo sem um acordo global até o final do ano. A declaração veio depois que os Estados Unidos abandonaram as negociações e o mundo ficou no limiar de mais uma guerra comercial.

As Big Techs, então, partiram para a autoproteção.

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A Apple anunciou que aumentará seus encargos para desenvolvedores de aplicativos.

A medida, anunciada terça-feira (1), ocorre depois que países como Reino Unido, França, Itália e Turquia implementaram taxas de serviços digitais, que forçam os gigantes da tecnologia a pagar mais impostos.

No entanto, a Apple também disse que alguns de seus últimos ajustes de preços estavam ocorrendo devido a mudanças nas taxas de IVA (imposto sobre valor agregado).

“Quando os impostos ou taxas de câmbio mudam, às vezes precisamos atualizar os preços na App Store”, disse a Apple em um comunicado.

Aumentos em diversos países

A Apple disse que os encargos seriam ajustados na Alemanha por causa das mudanças de IVA e novos impostos sobre serviços digitais na França, Itália e Reino Unido.

Os preços da App Store não serão alterados nesses países, disse a empresa.

Entretanto, os preços de aplicativos e compras no aplicativo na App Store serão aumentados após as mudanças nos impostos no Chile, México, Arábia Saudita e Turquia.

Polêmica em torno das Big Techs

Impostos sobre serviços digitais é um tópico que gerou polêmica entre vários países e os Estados Unidos.

A Casa Branca acredita que a introdução de tais taxas é injusta e discrimina as empresas americanas.

As Big Techs são basicamente americanas.

Há algum tempo, o país está envolvido em discussões com outras nações sobre como superar suas diferenças na tributação digital.

No entanto, Washington retirou-se das negociações sobre o assunto por volta de junho, questionando se alguma resolução será encontrada antes do final do ano.

Google e Amazon seguem a Apple

A Apple não é a única empresa a repassar os custos dos novos impostos.

Em um comunicado há alguns dias, o Google foi na mesma linha.

Divulgou ao mercado que “a partir de 1º de novembro de 2020, uma taxa de 2% do DST do Reino Unido (imposto sobre serviços digitais) será adicionada à sua próxima fatura ou extrato para anúncios veiculados no país”.

As taxas do Google Ads serão atualizadas em 1º de novembro também na Áustria.

Um pouco antes, em agosto, a Amazon também disse que aumentaria os encargos sobre os vendas depois que o governo do Reino Unido aprovou seu imposto digital.

“Não estou surpreso com as mudanças de preço”, disse à CNBC Dexter Thillien, analista sênior da indústria da Fitch Solutions.

“Não há nada que impeça as empresas de tecnologia de fazer isso”, assentiu.

“Mesmo que não pareça muito bom para suas imagens”.

Ele acrescentou que “esta não é tanto uma questão tributária, mas competitiva, porque, em última análise, os usuários finais, sejam desenvolvedores, vendedores de mercado ou outros, precisarão usar esses serviços e acabarão pagando o imposto”.

Ou seja, é uma questão ainda sem data para um ponto final.

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