BID pede “medidas não convencionais” aos BCs da América Latina durante pandemia

Paulo Amaral
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Crédito: Geralt / Pixabay

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) divulgou um relatório sobre o que espera dos Bancos Centrais da América Latina durante a pandemia de coronavírus.

Segundo a Agência Reuters, o BID defende que BCs da América Latina e do Caribe adotem medidas “não convencionais” para evitar consequências permanentes do choque negativo decorrente do enfrentamento do novo coronavírus na região.

“Além de ferramentas tradicionais, como reduções nas taxas de juros, os bancos centrais devem adotar medidas não convencionais para evitar consequências permanentes de um choque negativo transitório, mas potencialmente grave”, diz o documento publicado pela agência de notícias.

No comunicado reproduzido pela Reuters, Eric Parrado, economista-chefe do BID, diz que é importante “fornecer alívio aos lares mais vulneráveis que perderam suas fontes de renda, ajudando e dando incentivos para as firmas reduzirem as liquidações e evitarem demissões de funcionários e estendendo liquidez aos bancos para que eles façam parte da solução, tudo pode ir nessa direção”.

PIB reduzido

O relatório do BID mostra que o PIB da região será bastante afetado pela pandemia e deverá fechar 2020 com uma redução de até 5,5%.

As projeções menos pessimistas apontam que o Produto Interno Bruto dos países da América Latina e do Caribe encerrem o ano com retração de 1,8%.

O Banco apontou ainda que o dano econômico vai permanecer nos dois próximos anos, a não ser que governos dos 26 países da região implementem programas focados para compensar os impactos.

Brasil sofrerá menos

A exceção entre os países citados no relatório do BID é o Brasil. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento, a retração do PIB no País será menos traumática.

“O Brasil, sendo uma economia maior e mais diversificada e fechada, com menor dependência de financiamento externo, ao menos para o setor público, é menos impactada do que a média”, diz o relatório.

A expectativa do banco para o crescimento do PIB brasileiro antes da pandemia de coronavírus entre 2020 e 2022 era de 2,4%.

Agora, a estimativa é que o PIB brasileiro vai perder em média de 1,9% ao ano, no cenário mais moderado, a 4,4%, no mais extremo, em relação à referência básica.

Isolamento social

Motivo de discórdia entre o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Saúde Henrique Mandetta, e os governadores de alguns Estados, especialmente João Doria, as medidas de isolamento social foram analisadas pelo BID.

Pelo que diz o relatório do Banco, o presidente da República segue praticamente isolado em sua vontade de retomar as atividades normais no País antes do fim da pandemia de coronavírus.

“O  achatamento  da  curva  é  essencial para que as autoridades tenham  mais tempo de se preparar para lidar com as pressões sobre a infraestrutura de saúde, em particular leitos de UTI e aparelhos de ventilação mecânica”.

O relatório do BID ressaltou que atender a emergência de saúde é “absolutamente prioritário  neste  momento”, ao mesmo tempo em que frisa que é importante considerar também “o ambiente, político e social que emergirá, bem como as estratégias de reativação  e estabilização econômicas durante os próximos meses”.

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