Bernie Sanders deveria desistir da campanha, dizem analistas

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Reprodução / Facebook Oficial de Bernie Sanders

A disputa pela nomeação do Partido Democrata para disputar as eleições presidenciais em novembro, contra o atual ocupante da Casa Branca, Donald Trump, aparentemente tem um vencedor. É Joe Biden, ex-vice-presidente do país, durante o mandato de Barack Obama.

Biden já acumula 1.181 delegados prometidos, contra 885 do seu agora único rival, o senador por Vermont Bernie Sanders. São necessários 1.991 delegados para conseguir a indicação.

O ex-vice-presidente Biden venceu em 19 primárias, começando sua virada na chamada Super-Terça, de 3 de março: Carolina do Sul, Maine, Arkansas, Oklahoma, Alabama, Tennessee, Minnesota, Massachusetts, Virginia, Carolina do Norte, Texas, Mississippi, Missouri, Michigan, Idaho, Washington, Arizona, Flórida e Illinois.

Já Sanders começou bem, mas perdeu fôlego e venceu apenas em 8: New Hampshire, Nevada, Vermont, Utah, Colorado, Califórnia, Dakota do Norte e Ilhas Marianas Setentrionais.

Outros dois estados ficaram com candidatos que já desistiram. Iowa, o primeiro em disputa, ficou com Pete Buttigieg. Apesar de ter conseguido menos votos do que Sanders, ele levou 14 delegados e Sanders, só 12.

E Samoa Americana, um pequeno arquipélago na Polinésia, ficou com o ex-prefeito de Nova York, o bilionário Michael Bloomberg.

O que ainda falta

Ainda faltam 26 primárias para serem realizadas.

Se a crise do coronavírus não alterar o calendário, dia 29 de março será realizada a primária em Porto Rio, com 51 delegados em disputa.

Na sequência, estariam em disputa o Alasca (com 15 delegados), Havaí (24) e Wyoming (14), todas dia 4 de abril; Wisconsin (84), dia 7 de abril; e Delaware (21), Nova York (96), Pensilvânia (186) e Rhode Island (26), dia 28 do mesmo mês.

Maio começaria com Kansas (39) e Guam, na Micronésia (7), dia 2; Indiana (82), dia 5; Nebrasca (29) e Virgínia Ocidental (28), uma semana depois, dia 12; e Geórgia (105) e Oregon (61), sete dias depois, 19.

A corrida terminaria no mês de junho, com a rodada de Dakota do Sul (16), Distrito de Columbia (20), Maryland (96), Montana (19), Nova Jersey (126), Novo México (34), Connecticut (60) e Ohio (136), dia 2; Ilhas Virgens (7), dia 6; Luisiana (54), dia 20; e, finalmente, Kentucky (54), dia 23.

Sanders pode virar?

Portanto, ainda serão distribuídos 1.490 delegados. Em tese, Sanders poderia virar o jogo.

Mas analistas querem que ele saia da disputa para que o partido possa se recompor, se unir e enfrentar Trump, dono da máquina pública, de igual para igual e com chances reais de vencer.

Levar a disputa até o fim pode fracionar ainda mais os eleitores.

Conor Freidersdorf, do The Atlantic, diz que “Bernie Sanders tem o direito de permanecer na disputa pela indicação democrata até o fim. Em circunstâncias normais, aconselho-o a continuar fazendo campanha, dando uma opção aos eleitores das primárias restantes e tentando influenciar o processo, ganhando o máximo de delegados possível”.

“Mas Sanders foi esmagado na Flórida, Illinois e Arizona ontem (terça-feira, 17), assim como ele foi esmagado nos últimos dois grupos de competições primárias. Seu oponente, Joe Biden, acumulou uma liderança quase intransponível nos delegados. Sanders quase não tem chance de ganhar muitos estados futuros, incluindo Louisiana, Geórgia e Delaware. E circunstâncias dificilmente poderiam ser menos normais”, escreveu.

O New York Times clama: “você fez um bom papel, Bernie Sasnders, mas pelo bem do Partido Democrata e da nação, é hora de desistir e juntar forças com Joe Biden”.

Em outro artigo, publicado dia 18 de março, depois das derrotas fulminantes no Arizona, Flórida e Illinois, o mesmo jornal disse que “Bernie Sanders não tem chance realista de vencer. Alguns democratas dizem: ‘acabou’. Com um caminho cada vez mais difícil para a indicação, Sanders e seus conselheiros avaliam suas opções em meio a uma crise nacional de saúde”.

“A campanha de Sanders parou de se pronunciar e de anunciar ativamente no Facebook, e seu gerente de campanha enviou um e-mail aos apoiadores sem pedir doações – típico de um final das campanhas. Seus assessores dizem que Sanders não está suspendendo, mesmo que alguns democratas tenham se tornado cada vez mais incisivos de que ele deveria considerar deixar a corrida”, informa o jornal.

Revolução terminando

Rick Newman, do Yahoo Finanças, escreveu também na quarta-feira (18) que “a revolução de Bernie Sanders está terminando”.

E foi mais longe: “após três semanas de pancadas nas eleições primárias democratas, Sanders está pronto para desistir da corrida. O senador de Vermont teria que ganhar 70% dos votos nas eleições restantes para superar o ex-vice-presidente Joe Biden – e ele está ganhando muito menos que 30%. Com a metástase do surto de coronavírus, o abandono tornou-se um imperativo ético que transformará as próximas primárias democratas em formalidades, permitindo que mais pessoas fiquem em casa e reduzam o risco de disseminação do vírus”.

Noah Berlatsky, da NBC, escreveu que “Sanders não tem um caminho realista para a indicação presidencial democrata. Ele está perdido, e é hora de desistir por causa do movimento progressivo que ele defende. Não sou fã de Biden, mas, continuando a campanha, Sanders apenas reduz sua influência em um momento crítico. Sua melhor aposta para pressionar o partido é terminar a corrida, apoiar Biden e começar a se concentrar nas eleições gerais contra o presidente Donald Trump”.

O artigo continua, dizendo que pior do que o surto do coronavírus esvaziar as primárias, ou as primárias serem um risco de aumentar a epidemia, por tirar as pessoas de casa para votar, é “a própria posição e influência de Sanders”.

“Em 2016, Sanders continuou sua campanha muito depois de não ver que não teria chance de derrotar Hillary Clinton. Mas, apesar de não ter conseguido vencer a primária, ele continuou conquistando vitórias impressionantes em muitos estados. Ele foi capaz de demonstrar que ideias e candidatos progressistas tinham um forte apelo, o que o colocou em uma boa posição para pressionar a plataforma partidária deixada na convenção”, argumentou.

Entretanto, “este ano, Sanders perdeu feio. Quando sai semana após semana espancado, ele não faz o movimento progressivo parecer forte. Ele o faz parecer anêmico e ineficaz”, encerra.

LEIA MAIS
Biden consegue mais uma vitória nas primárias; agora, no Arizona; Sanders pode desistir

Joe Biden vence as primárias da Flórida e Illinois e amplia vantagem sobre Bernie Sanders