Berkshire Hathaway se capitaliza em meio a derretimento dos mercados

Omar Salles
null

O fundo Berkshire Hathaway, do magnata Warren Buffett, emitirá 1 bilhão de euros em notes com resgate em 2025. Chama a atenção as taxas zeradas da operação.

As notes serão emitidas em 12 de março e poderão ser resgatadas em 12 de março de 2025, informou um prospecto da empresa.

O fundo informou que pagará para cada note – no valor de mil Euros – a “taxa de juros aplicável” sem especificar, contudo, se a taxa é a dos Estados Unidos, atualmente entre 1% e 1,25% ao ano, ou da Zona do Euro, que está entre zero e negativa em -0,25% ao ano.

Estratégia

A notícia, em meio ao derretimento dos mercados, é um sinal de que o mega-investidor pode estar se capitalizando para buscar oportunidades de compras no mercado.

Essa estratégia não é nova e remonta a operações passadas.

A Berkshire Hathaway tem atualmente em caixa US$ 180 bilhões para investir. Mas Buffett, também conhecido como o “Oráculo de Omaha”, não tem feito grandes investimentos nos últimos quatro anos.

O magnata de 89 anos é conhecido por comprar empresas, ou participações em empresas, sempre em tempos de baixa no mercado.

Buffett afirma que só investe em empresas que acredita. Isto é verdade, mas ele costuma vender sua participação em uma empresa se deixa de acreditar no negócio.

Bank of America

Foi assim que Buffett comprou em 2011 pouco mais de 5 milhões de ações preferenciais no Bank of America.

Em 2011, logo após a recessão de 2008-2009, o Bank of America havia acabado de sair da intervenção do governo americano na era Obama.

Buffet negociou no acordo o direito de adquirir 700 milhões de ações do Bank of America, cada uma por US$ 7,14, em qualquer tempo até o ano de 2021. A ação do Bank of America valia menos do que US$ 7,14 em 2011 e ninguém prestou atenção.

Em meados de 2017, o preço da ação do Bank of America havia mais que triplicado. Mas os dividendos  do BofA haviam crescido mais do que o banco pagava para os detentores das suas ações preferenciais. Buffett usou a cláusula do acordo de 2011 e trocou todas suas preferenciais por 700 milhões de ordinárias do banco, tornando-se assim um dos maiores acionistas.

O investimento resultou em um ganho líquido de pouco mais de US$ 14,2 bilhões em menos de seis anos, informa o articulista Matthew Frankel, articulista do site The Motley Fool.

Crise do subprime

O “Oráculo de Omaha” é conhecido por sair de negócios que vão naufragar.

Foi assim na década de 2000, alguns anos antes da crise do subprime, que em 2008 levou à falência o banco de investimentos Lehman Brothers nos Estados Unidos.

Em 1988, Buffett tornou-se um dos maiores acionistas do banco de hipotecas Federal Home Loan Mortgage Corporation (FHLMC), apelidada pelo povo de “Freddie Mac”, pagando apenas US$ 4 em cada ação.

O Freddie Mac é um banco para-estatal controlado pelo governo americano, mas com capital aberto na NYSE.

Ele garante o crédito imobiliário para famílias de baixa e média renda e ao mesmo tempo adquire hipotecas de primeira mão, revendendo os títulos a bancos no mercado internacional.

Em 2000, Buffett decidiu vender todas as ações do Freddie Mac, com um lucro de 1.500% no papel. O valor da ação passou de US$ 4 para US$ 70 entre 1988 e 1999.

Segundo Buffett, o Freddie Mac estava tomando riscos “desnecessários” para sustentar um crescimento de dois dígitos.

Em 2008 estourou a crise do subprime. O Freddie Mac, com milhões de títulos de hipotecas podres – os chamados “subprime” – teria falido sem dinheiro do Tesouro dos Estados Unidos.

Em meados de 2017, as ações do Freddie Mac eram negociadas a US$ 3.

Ações da Coca-Cola

Um das maiores apostas de Buffett que rendeu dividendos para a Berkshire Hathaway foi a compra, em 1988, de ações da Coca-Cola. Em pouco mais de 30 anos, os papéis tiveram valorização de 1.350%. A Berkshire recebeu dividendos de US$ 593 milhões por ano.