Money Week: Discurso do Itaú não condiz com seus atos, diz Benchimol

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.

A campanha publicitária feita pelo Itaú com ataques à XP foi considerada uma “contradição” pelo fundador da empresa, Guilherme Benchimol. O motivo é que o banco é sócio da empresa de investimentos.

“Fiquei surpreso, pois é confuso pensar que um sócio não acredita no negócio. Se fosse verdade de fato, não faria sentido o Itaú continuar como acionista da XP”, afirmou o empresário durante live promovida na Money Week.

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Segundo Benchimol, a postura crítica do Itaú é compreensível quando se considera o banco como um concorrente. No entanto, como acionista da XP, as críticas mostram contradição. “Como acionista, eu acho que as palavras do banco não condizem com os atos.”

Na avaliação do porta-voz da XP, a campanha publicitária do Itaú é uma tentativa de coibir o crescimento da XP.

Ele destacou que a empresa recebe R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões ao mês de dinheiro novo, que sai da poupança e de fundos de investimentos caros oferecidos pelos bancos.

“Entendo que eles tenham ficado chateados e agora estão tentando impedir nosso crescimento”, afirmou.

O executivo afirmou que o Itaú entrou como acionista minoritário da XP porque a empresa considerava importante ter uma chancela da instituição naquela época, quando abriu capital.

No entanto, destacou que o banco sempre foi minoritário e nunca teve interferência na companhia.

“Somos empresas concorrentes e sempre competimos. Mas sem dúvidas estamos incomodando cada vez mais os bancos”, disse.

Maior competição na indústria de investimentos

Durante a live promovida pela Eu Quero Investir e pela Transformação Digital, Benchimol destacou que o sistema financeiro brasileiro ainda é altamente concentrado. Segundo ele, mais de 90% dos serviços financeiros estão nas mãos dos grandes bancos.

No entanto, ele afirmou que os brasileiros estão buscando uma diversificação maior dos seus investimentos. Isso está ficando ainda mais importante com a queda da Selic. Neste contexto, a XP ganhou ainda mais destaque, segundo o executivo.

“Quando a indústria tem um projeto como o nosso, calcado na educação e mostrando a importância de cuidar bem do dinheiro, e a política macro incentiva a cultura do risco, os bancos ficam cada vez mais obsoletos.”

Em conclusão, ele destacou que esta situação é benéfica para o cliente final. “Se eu sou investidor, estou bastante satisfeito. O que eu quero é que venha concorrência”, afirma.

Mercado em transformação

As mudanças vividas pelo mercado de investimentos no Brasil devem se intensificar ainda mais nos próximos anos.

Para o fundador da XP, a tendência é que o mercado brasileiro caminhe para um formato mais parecido com o norte-americano. Lá, 90% dos investimentos ficam fora dos bancos. Já no Brasil, é o contrário.

Outra tendência é o investidor brasileiro começar a buscar ativos de maior risco devido ao cenário de Selic baixa. Na opinião de Benchimol, é esperado que o número de investidores em renda variável aumente drasticamente nos próximos anos.

“Não duvido que daqui a dois anos os 2 milhões de investidores da bolsa de valores cheguem a 10 milhões ou 15 milhões”, disse.

Agentes autônomos vão ganhar destaque

Segundo ele, o Brasil está passando por uma forte transformação nesta área. E esta transformação está apenas começando.

Neste cenário, os agentes autônomos devem ganhar ainda mais espaço. No Brasil existem cerca de 10 mil assessores de investimentos, enquanto nos Estados Unidos são cerca de 500 mil profissionais.

“É uma profissão admirada nos Estados Unidos, enquanto aqui ainda é pouco conhecida”, destacou.

Segundo ele, o brasileiro ainda associa investimentos ao banco, ao gerente e à poupança de investimentos. Vale lembrar que a poupança ainda é a modalidade com mais investidores do Brasil, com 30 milhões de pessoas.

Daqui para frente, o cenário é outro. “Cada vez mais as pessoas vão precisar de um assessor de investimentos para ajudar a se conhecer e a trazer o que há de melhor no mercado.”

Banco XP quer ser “banco do bem”

Uma das ações mais inovadoras da XP neste ano será o lançamento do Banco XP, segundo o empresário. “A gente não está virando a casaca, não é isso. A ideia é oferecer uma experiência completa para o cliente que investe com a gente”, afirmou.

Segundo ele, o banco terá as menores taxas de juros do Brasil, um cartão de crédito especial e nenhuma cobrança de tarifas. “Vai ser um banco do bem que vai mudar ainda mais o sistema financeiro”, disse.

Apesar da crise econômica vivida em todo o mundo, Benchimol se mostrou otimista. E disse que a XP vai sair melhor do que entrou na crise. Uma das mudanças anunciadas nesta fase foi a mudança da empresa para o interior de São Paulo.

“Vamos nos encontrar lá para treinamentos e aprender sobre as melhores práticas, mas vamos trabalhar anywhere (em qualquer lugar)”, disse. Segundo ele, a Faria Lima “não é a cara” da XP.

No entanto, ele fez questão de frisar que nunca pretende sair do Brasil. Questionado sobre propósito, Benchimol contou que está animado com a evolução da XP, mas que sua principal motivação nunca foi o dinheiro.

“Dinheiro não traz felicidade de forma consistente, isso foi comprovado por um estudo de Harvard”, citou. Para ele, o primeiro fator gerador de felicidade é o propósito, enquanto o segundo é ajudar as outras pessoas.

“Óbvio que ganhar dinheiro é bacana porque é sinal de que o empreendedor está indo na direção certa. Mas não é isso que me move”, afirmou.

Quer saber mais sobre Benchimol? Confira o perfil do empresário neste link.