BDRs poderão ser negociadas no varejo a partir de quinta-feira

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Arte / EQI

A B3 (B3SA3) comunicou nesta terça-feira (20) que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou as últimas mudanças no Regulamento para Listagem de Emissores e Admissão à Negociação de Valores Mobiliários da B3 para viabilizar a negociação de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) pelo investidor pessoa física.

Dessa forma, as corretoras podem oferecer esses ativos, desde que representem ações de empresas estrangeiras ou ETFs negociados em um “mercado reconhecido”, a partir da próxima quinta-feira (22)

Os BDRs são utilizados para investir em papéis de companhias estrangeiras sem ter que comprar ações nas bolsas onde elas são listadas no exterior

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Com a aprovação, BDRs que só podiam ser comprados por investidores com mais de R$ 1 milhão. Agora poderão ser comprados por qualquer pessoa física.

A previsão é de que, a partir deste mês, todos os investidores brasileiros poderão ter acesso aos chamados BDRs, ativos que representam ações de empresas estrangeiras.

Com a mudança autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) deixam de ser restritos a instituições financeiras e  pessoas com mais de um R$ 1 milhão em investimentos.

Regulamento

Em setembro, o superintendente da CVM, Antonio Berwanger, disse que o novo regulamento estava em análise e a liberação desses investimentos, prevista para outubro, está atrelada à avaliação dos mercados reconhecidos. A expressão faz referência a mercados maduros, que conferem segurança aos investidores devido às boas práticas de governança.

No início, os mercados reconhecidos pela CVM deverão ser as bolsas norte-americanas – NYSE e Nasdaq. Dessa forma, somente a partir da aprovação do regulamento, com base nesses mercados, é que esses ativos estarão disponíveis para todos os investidores.

A liberação dos BDRs foi bem recebida por boa parte do mercado, que busca novas formas de rentabilidade diante da queda dos juros. Entretanto, há muitas dúvidas sobre qual a melhor forma de investir em ativos externos.

BDRs e investimentos no exterior são a mesma coisa? Em que situações é interessante ter BDRs na carteira? Como investir?

Primeiro, que é um BDR?

Esses ativos representam ações de empresas estrangeiras, porém são emitidos no Brasil. Quem adquire um BDR está, indiretamente, participando de uma empresa no exterior, e terá direito aos dividendos distribuídos pela companhia lá fora.

Uma coisa deve ficar clara para o investidor: BDRs não são investimentos no exterior. Apenas acompanham a variação das ações das empresas lá fora. Se a companhia tiver lucro, o investidor brasileiro se beneficiará disso através da distribuição de dividendos. Se os papéis se desvalorizarem, esse reflexo também será sentido por quem os adquiriu no Brasil

E por que é importante saber isso? Uma vez que os BDRs são investimentos nacionais, estarão sujeitos às normas brasileiras para todos os fins, inclusive sucessórios e de tributação. Logo, se a intenção do investidor é diluir o risco Brasil, é necessário que saiba que não conseguirá isso através de BDRs.

Quem emite os BDRs?

Por se tratar de um investimento relacionado a ativos estrangeiros, para a emissão dos BDRs são necessárias duas instituições. A primeira é a custodiante, no país que deu origem ao título. A segunda é a emissora, que será responsável pela colocação do papel no Brasil e pela garantia de que o mesmo está lastreado pelas ações a que correspondem.

Todavia é importante atentar para o fato de que esse investimento, diferentemente das ações, não dá ao seu titular os direitos de sócio. Os BDRs se assemelham mais a um fundo de investimento.

Para comercializar um BDR, a instituição emissora adquire várias ações de empresas estrangeiras, monta um “pacote” e vende partes dele aos investidores. Logo, esses títulos são como cotas, e o seu detentor não necessariamente estará adquirindo uma ação cheia, e sim parte dela.

Tipos de BDR

Os BDRs podem ser patrocinados ou não patrocinados, e o que definirá isso será a sua origem.

Os patrocinados surgem quando a própria empresa estrangeira decide emitir seus títulos no Brasil para captar recursos no nosso mercado. Para isso, procura uma instituição depositária aqui para a colocação e acompanhamento de seus papéis no mercado nacional.

Por sua vez, os não patrocinados não têm qualquer participação da companhia emissora na sua venda. Nesse caso, a iniciativa de ofertar os títulos é exclusiva da instituição depositária nacional. No Brasil, os BDRs são, predominantemente, não patrocinados.

BDRs na bolsa brasileira

Atualmente, há mais de 500 BDRs disponíveis para negociação na B3. Nomes famosos como Apple, Amazon, Tesla, Microsoft, Mercado Livre, Twitter, Facebook estão entre as opções que podem ser adquiridas pelo investidor brasileiro.

Os BDRs mais negociados

Estudo recente da Economática mostra que as empresas de tecnologia estão entre as preferidas dos investidores. As empresas estrangeiras que tiveram BDRs mais negociados na média diária até 12 de agosto foram as seguintes:

  • Amazon: R$ 3,7 milhões
  • Mercado Libre: R$ 3,6 milhões
  • Alphabet (Google): R$ 3,3 milhões
  • Apple: R$ 3,2 milhões
  • Microsoft: R$ 3,2 milhões

Os BDRs mais rentáveis

Quanto aos os BDRs mais rentáveis, as maiores valorizações acumuladas em 12 meses até 12 de agosto foram:

  • Tesla: +822%
  • Nvidia: +308%
  • Apple: +213%
  • PayPal: +151%
  • Mercado Livre: +148%

Ao contrário de suas principais concorrentes, que se desvalorizaram em 2020, a fabricante de carros elétricos Tesla disparou neste ano. Para se ter uma ideia, a empresa liderada por Elon Musk passou a Ford, maior montadora do mundo, em valor de mercado.  As ações acompanharam o bom momento.

O segundo lugar no ranking é da californiana Nvidia, especializada na fabricação de processadores gráficos. Em julho desse ano a empresa superou a Intel e se tornou a empresa de semicondutores mais valiosa dos EUA. Dessa forma, suas ações tiveram valorização de 68% em 2020.

A companhia fundada por Steve Jobs está na terceira posição entre os BDRs mais rentáveis. Em agosto, o valor de mercado da Apple superou o patamar de US$ 2 trilhões – um feito inédito.

Em quarto lugar está a plataforma online PayPal, que teve alta de 86% no lucro do segundo trimestre de 2020. Com a pandemia, a empresa teve 7,4 milhões de novos usuários registrados em abril. Isso fez com que o lucro líquido atingisse US$ 1,26 bilhão, ante os US$ 848 milhões do mesmo período de 2019.

A argentina Mercado Livre, na quinta posição, atingiu um valor de mercado de US$ 60,6 bilhões. Isso supera os valores da Vale (US$ 59,3 bilhões) e Petrobrás (US$ 57,5 bilhões) e a torna a companhia a mais valiosa da América Latina.

Para conhecer o desempenho de outros BDRs, clique aqui.