CVM: BDRs devem estar disponíveis para pessoas físicas em outubro

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.
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Os BDRs devem ficar disponíveis para os investidores pessoas físicas a partir de outubro, segundo o superintendente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Antonio Berwanger, que participou ontem de uma live.

Segundo Berwanger, a CVM está analisando o novo regulamento, e a liberação desses investimentos está atrelada à avaliação dos mercados reconhecidos. A expressão faz referência a mercados maduros, que conferem segurança aos investidores devido às boas práticas de governança.

No início, os mercados reconhecidos pela CVM deverão ser as bolsas norte-americanas – NYSE e Nasdaq. Dessa forma, somente a partir da aprovação do regulamento, com base nesses mercados, é que esses ativos estarão disponíveis para todos os investidores.

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O novo regulamento prevê o acesso dos investidores de varejo aos BDRs não patrocinados. Ou seja, títulos cuja comercialização não depende da anuência da companhia emissora. Para isso, basta uma custodiante no exterior que efetive as negociações.

Expectativa de novas negociações de BDRs

Em relação ao volume esperado, o superintendente acredita no potencial de aumento das negociações de BDRs. Segundo Berwanger, hoje há cerca de 300 mil investidores em BDRs. Apesar de o número não ser baixo, é bastante inferior aos 3 milhões de CPFs cadastrados na bolsa. “Dessa forma, se cada um desses investidores tivesse um BDR, estaríamos falando em um grande potencial de crescimento”, disse.

Além disso, com a nova regulamentação, deverá crescer também a oferta de BDRs no Brasil, inclusive via fundos. Nesse sentido, Berwanger destaca que atualmente, existem 550 BDRs que representam ações do exterior.

Se comparado a outros ativos negociados na bolsa, o volume de BDRs ainda é baixo. “Porém, este número tende a subir quando o novo regulamento estiver finalizado.”

O que motivou a CVM a rever o regulamento dos BDRs

Segundo Berwanger, dois fatores motivaram a flexibilização das regras por parte da CVM. Um deles foi o contexto macroeconômico de juros a 2% ao ano. Isso fez com que o investidor buscasse novas formas de diversificar o capital para potencializar ganhos.

O outro fator foi a constatação de que, em 2019, várias empresas brasileiras optaram por abrir capital no mercado norte-americano. “Ao possibilitar o maior acesso aos BDRs, a CVM estará permitindo que o Brasil consiga prover melhor essas companhias em termos de liquidez. E isso acontecerá mesmo que o IPO continue sendo realizado lá fora”, finalizou o superintendente.

Pontos de atenção para o investidor

Questionado sobre quais os pontos merecem mais atenção por parte dos investidores, Berwanger deu ênfase a dois aspectos.

O primeiro deles diz respeito ao suitability, que é a definição do perfil do investidor. Através do suitability, são conhecidas as características e expectativas do investidor em relação às aplicações. E isso é muito importante para investimentos com o grau de risco dos BDRs.

O segundo diz respeito à importância de se ter ciência das diferenças entre as legislações dos países. Segundo Berwanger, a nossa lei das sociedades anônimas tem muitas particularidades e proteções para o investidor. Entretanto, cada país possui as suas peculiaridades.

Isso não significa que quem investir em BDRs estará desprotegido. “Porém é importante saber que as coisas funcionarão de forma diferente, pois serão subordinadas à legislação de outros países”, conclui.