BC sinaliza novo corte da Selic na próxima reunião do Copom

Marcello Sigwalt
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Crédito: Folha Uol

O Banco Central (BC) poderá reduzir, ainda mais, a taxa básica de juros (Selic) – atualmente em 3,75% – na próxima reunião, em maio, do Comitê de Política Monetária (Copom) da autoridade monetária.

“Está ‘muito distante’, no Brasil, a situação em que a política de juros não faz mais efeito na economia”, disparou o presidente do BC, Roberto Campos Neto, ao comentar a expectativa dos investidores quanto à necessidade de novo corte da Selic, diante da perspectiva de recessão econômica.

Aposta do mercado

O recado de Campos Neto – em live do Estadão, a fim de debater o cenário econômico pós-Covid-19 – reforça a expectativa de analistas de mercado, que apostam numa queda de 0,5 ponto porcentual da Selic, no próximo mês.

Prioridade para Selic

Para especialistas, a manifestação de Campos Neto sinaliza que a política monetária via Selic voltou a ser prioridade na ação da autarquia.

Novas medidas

Mesmo sem esconder o ‘alívio’ com os números que apontam melhora na oferta de crédito, Campos Neto adiantou que, além de monitorar os volumes e preços do crédito, o BC poderá tomar novas medidas para ampliar a oferta, “se houver temor dos bancos em emprestar”.

Taxa em alta

Ao reconhecer que agora o BC consegue enxergar com mais clareza o cenário econômico, antes muito nebuloso, o presidente da autarquia, porém, fez uma previsão negativa em relação às taxas de empréstimos.

“Elas ficarão mais caras para as empresas, devido ao temor de que o isolamento social se prolongue mais, inflando as taxas de inadimplência”, admitiu.

Ação direta

Sem fazer previsões de quando o crédito para empresas e pessoas físicas será normalizado, Campos Neto lembrou que “os bancos públicos possuem maior capacidade de agir diretamente, a exemplo que está fazendo a Caixa Econômica Federal”.

Sobre a dificuldade de o crédito ‘chegar na ponta do consumo’, o dirigente entende que esse  “é um fenômeno que não ocorre só no Brasil”.

Prêmio de risco

Mesmo comemorando o fato de o crédito ter ‘voltado a fluir’ em quantidade mais expressiva – depois que o governo tomou medidas prévias para garantir a fluidez do sistema – Campos Neto antecipa que o preço do crédito “não será como antes, pois haverá um prêmio de risco”.

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‘Poder de fogo incrível do BC’

Em linha com o projeto que tramita na Câmara dos Deputados, o presidente do BC adiantou que a autoridade monetária poderá voltar ao mercado comprando crédito diretamente das empresas.

Ele entende que a proposta legislativa dará um “poder de fogo incrível” à instituição para impulsionar o fluxo de crédito na economia.

Para tanto, Campos Neto antecipou que o BC “poderá comprar papéis de empresas para, dessa forma, direcionar recursos aquelas com demanda”.

Controle, não

Como medida preventiva para ‘segurar’ a alta do dólar, o controle de capitais (regulação do fluxo de entrada e saída de recursos) foi prontamente rechaçado pelo presidente da autarquia. Essa ideia vinha preocupando os investidores no país.

“Não passa pela ‘cabeça’ do BC estabelecer política de controle de capitais”, garantiu Campos Neto, para quem a alta do dólar só piora os fundamentos econômicos do país, embora ele a considere um fenômeno que afeta todos os países emergentes, nesse momento.

A alternativa vem sendo debatida pelos governos, ultimamente, devido ao ‘derretimento’ das moedas de vários países, que desejam continuar cortando os juros.