BC reduz para zero previsão de crescimento do PIB em 2020

Cláudia Maia
null
1

Crédito: BC reduz para zero previsão de crescimento do PIB em 2020

O Banco Central reduziu a projeção do PIB para 2020 no relatório trimestral de inflação (RTI) divulgado na manhã desta quinta-feira (26). A estimativa agora é de que o PIB tenha crescimento zero, ante uma projeção anterior de aumento de 2,2%.

Entre os componentes do PIB, a previsão para a Agropecuária não mudou, ficou com variação positiva de 2,9%. Para a indústria, passou de +2,9% para -0,5%; e Serviços foi de +1,7% para zero.

O consumo das famílias, no relatório, teve a estimativa alterada de +2,3% para 0,8%; enquanto o consumo do governo passou de +0,3% para +0,2%. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) caiu de +4,1% para -1,1%.

A pandemia de coronavírus, com impacto sobre o comércio externo e a economia global, fez o Banco Central rever também os investimentos diretos no país (IDP). Antes a previsão era de US$ 80 bilhões, agora passou para US$ 60 bilhões.

industria-atividade-economica-brasil

Selic

O Banco Central considerou que a taxa Selic deve se manter no mesmo patamar atual, de 3,75%, conforme decisão do Copom na semana passada, que a reduziu em 0,5 ponto porcentual. Mas considera que a conjuntura econômica deve definir os próximos passos.

Para a taxa de câmbio no final do ano, o relatório alterou sua previsão de R$ 4,10 do relatório anterior, de dezembro, para R$ 4,35 agora.

Incertezas

Nos comentários, o BC avalia que a economia mundial e brasileira passam por elevado grau de incerteza em decorrência da pandemia de coronavírus.

Isso tem deprimido a atividade econômica, causado perda nos preços das commodities e elevado a volatilidade nos preços de ativos financeiros.

“Nesse contexto, apesar da provisão adicional de estímulo monetário pelas principais economias, o ambiente para as economias emergentes tornou-se desafiador”, informou.

E acrescentou: “com o aumento de aversão ao risco e a consequente realocação de ativos provocando substancial aperto nas condições financeiras.”

brasil-inflacao-marcenaria-1

Inflação em 2,6% este ano, diz BC

A inflação oficial do país pode ficar em 2,6% neste ano. O levantamento é do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do banco Central (BC).

Para 2021, o banco estima inflação em 3,2%, chegando a 3,3%, em 2022.

As projeções do BC levaram em consideração o mercado financeiro referente aos finais de ano para a taxa Selic (3,75% ao ano, em 2020, 5,25% em 2021 e 6% em 2022), e para o câmbio (R$ 4,35, em 2020, e R$ 4,20, em 2021 e 2022).

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Nesse cenário, em relação ao Relatório de Inflação de dezembro de 2019, a projeção para 2020 caiu em cerca de 0,9 ponto percentual para 2020, 0,2 ponto percentual para 2021 e 0,1 ponto percentual para 2022.

Desta forma, a inflação ficará próxima do limite inferior da meta para este ano. O centro da meta é 4%, com limite inferior de 2,5% e superior de 5,5%.

Já para 2021, a meta é 3,75% e para 2022, 3,50%, com intervalo de tolerância para cima ou para baixo de 1,5%.

Para alcançar a meta de inflação, o banco usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, estabelecida atualmente em 3,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

brasil-inflacao-mercado-1

Outras possibilidades

No cenário com taxa Selic (4,25% ao ano) e câmbio (R$ 4,75) constantes, a inflação vai ficar em 3% este ano, em 3,6% em 2021, e 3,8% em 2022.

Se for considerada a Selic projetada pelo mercado financeiro e o câmbio constante, a inflação fica em 3% em 2020, em 3,6% em 2021, e 3,5%, em 2022.

No cenário com Selic constante e câmbio projetado pelo mercado financeiro, o IPCA será 2,6% este ano, 3,2%, em 2021 e 3,6% em 2022.

Março, abril e maio

O BC projeta inflação em 0,15%, 0,21% e 0,02%, respectivamente, nos meses de março, abril e maio.

Se essas estimativas se concretizarem, a alta de 0,38% no trimestre será a menor variação para o período de série histórica do IPCA desde janeiro de 1980 e “consideravelmente inferior” à observada entre março e maio de 2019 (1,46%).

Isso levará à desaceleração da inflação acumulada em 12 meses, de 4,01% em fevereiro para 2,90% em maio de 2020.

Estabilidade econômica

Em decorrência dos impactos do coronavírus, o BC revisou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,2% para estabilidade, ou 0%.

O Produto Interno Bruto é a a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

Em nota, o banco informou que “a alteração da projeção está associada, principalmente, a impactos econômicos expressivos decorrentes da pandemia.”

E diz mais: “adicionalmente, resultados abaixo do esperado em indicadores econômicos no fim de 2019 e início de 2020 afetaram a expectativa de desempenho da atividade no primeiro trimestre”, disse.

Já em termos de trajetória, informa o banco, a projeção para o PIB anual considera recuo acentuado segundo trimestre, seguido de retorno relevante nos últimos dois trimestres do ano.

brasil-inflacao-frutaria-1

Oferta

O crescimento esperado para a agropecuária foi mantido em 2,9%, refletindo melhora nos prognósticos para a safra de grãos.

Também compensada por redução moderada na estimativa de crescimento da pecuária, em razão dos impactos da pandemia sobre a demanda interna e externa por proteínas.

Já a estimativa para a variação do setor industrial foi reduzida de crescimento de 2,9% para queda de 0,5%, com perspectiva de menor crescimento em todas as atividades em função dos efeitos do surto de Covid-19.

O desempenho da indústria de transformação passou de variação de 2,1% para -1,3%, motivada pela previsão de queda na demanda final.

Isso porque os caíram as encomendas de bens de consumo duráveis e de capital, além da possível redução na oferta resultante das medidas de restrição de locomoção e da escassez de insumos importados em alguns segmentos.

brasil-industria-extrativa

Indústria extrativa

Segundo o BC, a previsão de crescimento para a indústria extrativa recuou de 7,5% para 2,4%, ante expectativa de menor demanda por minério de ferro e petróleo.

A construção deve apresentar retração de 0,5%, comparativamente à projeção de crescimento de 3% em dezembro.

Para o setor de comércio e serviços, a expectativa é de estabilidade, ante elevação de 1,7% projetada em dezembro.

Ocorre que a projeção para o comércio recuou de 2,6% para -0,7%, a de transporte, armazenagem e correio, de 1,9% para -1,2%, e a de outros serviços, que engloba atividades como alojamento, alimentação fora de casa e atividades artísticas, de 2,2% para -1,1%.

Segundo o banco, segmentos como administração pública e aluguéis, com significativa representação no setor terciário, tendem a ser impactados em magnitudes relativamente menores.

Consumo 

O levantamento do BC mostra que a projeção de crescimento do consumo das famílias recuou de 2,3% para 0,8%.

Trata-se de uma repercussão dos impactos esperados da pandemia sobre o comportamento dos consumidores.

Isso porque a evolução da massa de rendimentos do trabalho está comprometido por conta dos efeitos decorrentes das medidas de distanciamento social e de restrições à mobilidade.

Já a projeção para o consumo do governo permaneceu praticamente inalterada, ao passar de 0,3% para 0,2%. “Apesar da estimativa de redução de receitas, o governo tende a preservar gastos essenciais em momento de crise”, diz o BC.

Investimentos

A previsão para o desempenho anual da formação bruta de capital fixo (FBCF – investimentos) recuou de 4,1% para -1,1%.

O BC aponta o ambiente de maior incerteza e a expectativa de recuo acentuado da atividade econômica postergando decisões de investimentos.

brasil-fundos-imobiliarios

Tá, e Aí?

Consultor de empresas, o economista Sergio Dias afirma que em um cenário como esse, qualquer tipo de investimento passa a ser de risco total. “Principalmente os baseados em papel de bolsa ou títulos do governo”, diz.

Em compensação, ressalta, alguns ativos vão se valorizar posteriormente. “No momento, eles estão com liquidez muito baixa. Estou me referindo a imóveis, mas eles ainda não tem liquidez a médio prazo, então, seria investimento de longo prazo”, frisa.

Por longo prazo, ele entende o período de dois a cinco anos.

A análise de Dias leva em consideração os números da economia divulgados hoje. Ele diz acreditar que o país ficará estável em 0%, ou seja, nem alta e nem baixa, mas com tendência de ficar negativado mais à frente.

Isso porque, segundo ele, a paralisação das empresas e indústrias aliada a quarentena da população deverá levar a atividade econômica para índices negativos.

O próprio PIB, lembra ele, estava estimado em 2,2% até poucos dias, mas foi sendo revisto pelo Banco Central e reajustado para baixo hoje, em 0%.

Já a previsão do ministério da Economia para o PIB este ano caiu de 2,1% para 0,02% em 2020, o que significa estagnação.

(com Osni Alves)


Aproveite as oportunidades e aumente a rentabilidade dos seus investimentos.

Preencha seus dados abaixo e conte com especialistas para ajudar.

Se preferir, ligue direto para 4007-2374