Estudo do BC projeta menor pressão do preço da carne sobre a inflação

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site Pasto Extraordinário

Item essencial da mesa do brasileiro, as carnes apresentam tendência, pelo menos no momento, de pressionar menos a inflação em 2020.

Essa é uma das principais conclusões do relatório de inflação do Banco Central sobre o choque da carne e seus reflexos sobre os preços atualmente.

Concentração de aumentos

A autarquia denominou de ‘choque’ a concentração de aumentos no preço da carne no quarto trimestre de 2019 que, justamente por isso, acabou derrubando as estimativas de inflação para este ano.

O viés baixista da carne pode ser observado pela coleta de informações prestadas por analistas à autoridade monetária, que apontaram quedas sucessivas nas projeções de preço do produto, abaixo da meta de inflação.

De uma alta de 2%, em janeiro último, a estimativa passou para 1,2% em março.

O documento do BC, porém, chama a atenção para o fato de a “dispersão” das estimativas foi grande, variando de uma mínima de -10% a uma máxima de 10%.

Maior variação

Mesmo tendo o menor  o menor peso ponderado no cálculo do IPCA, o grupo alimentação no domicílio foi o que apresentou maior variação entre os meses de dezembro de 2019 (5,19%) e janeiro de 2020 (3,45%).

Essa variação representou uma queda de 1,74 ponto percentual no período.

IPCA recua

Em consequência, a média das projeções para o IPCA deste ano recuou de 3,61% para 3,45%.

Apesar da tendência altista dos contratos futuros do boi gordo, seus preços ainda estão abaixo daqueles  praticados em 17 de março.

Entre os fatores determinantes da trajetória ascendente da carne, o estudo do BC aponta os efeitos da peste suína africana, ao mesmo tempo em que o preço do boi gordo já havia atingido seu pico em novembro.

Repasse mais rápido

A explicação da autoridade monetária é de que “o aumento dos preços ao consumidor foi mais forte que o previsto, devido ao repasse mais rápido e intenso de preços do atacado ao consumidor, o que antecipou parte da inflação projetada para 2020″, revisando para baixo as previsões para o ano”.

Exportações reagiram

Até o segundo semestre de 2019, as exportações brasileiras de carne estavam em ascensão, à reboque da habilitação de novos frigoríficos para exportação à China, num momento em que esta se ressentia de estoques baixos e da guerra comercial com os Estados Unidos.

Reflexo disso é que, no terceiro trimestre do ano passado, as exportações brasileiras totais de carne bovina cresceram 5,9%, saltando para 19% no quarto trimestre, com ajuste sazonal.

A demanda externa aquecida também turbinou os abates de animais no segundo semestre. No caso de bovinos, houve alta de 4,0% no terceiro trimestre, seguida de queda de 3,6% no quarto, já considerando o ajuste sazonal.

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